SoHo, Manhattan, minha casa, 4 de abril. Cinco horas da tarde.
Meu celular tocou novamente.
Atendi um tanto ansiosa.
- Alô?
- Emm! E aí, como foi? – Megan estava cochilando no quarto dela. Meus pais tinham saído e a tia Rosie via TV na sala.
- Ótima. Eu disse que eles tinham nada demais.
- O que ele disse?
- "Parece que a coisa está ficando séria, hein?", "Ah, nada" – ela tentou imitar a voz dele, fazendo-me rir – "Tem certeza? Porque para a Megan parece que está", "Tenho certeza, Emma. Não é sério" – ela respirou fundo – Satisfeita?
- Muito – abri um sorriso.
- Que dia vai falar com ele?
- Não sei... Sexta-feira acho que ele faz nada. A menos que o Chaz vá para a casa dele assistir a algum filme...
- Então pode deixar que desse daí eu cuido – ela riu – Sexta-feira ele vai ser todo seu.
- Emm...? – perguntei com a voz baixa.
- Hm?
- Por que está me ajudando? Você sabe que não precisava...
- Estou ajudando você porque... É o que amigas fazem – sabia que ela tinha aberto um sorriso.
Justin's P.O.V on
Locadora do Harlem, por aí, sexta-feira, dia 9 de abril (eu acho). À tarde.
O dia estava péssimo. O céu estava todo cinza. Mais cedo ou mais tarde, ia cair o maior toró e eu já queria estar em casa quando essa hora chegasse.
Sexta-feira é o dia em que eu e o meu pai, humildemente, voluntariamo-nos para assistir a qualquer filme com um rapaz com deficiência mental (lê-se: Chaz). Eu estava encarregado de escolher o filme dai então escolhi uns filmes que aparentavam ser interessantes.
Deu um pico de luz na locadora e em seguida um trovão. Deduzi que seria impossível chegar a casa sem ter que me molhar. Suspirei um pouco impaciente, apenas com preguiça de ter que ir ao Starfire na chuva.
- Mais alguma coisa, senhor? – a moça da locadora deu um sorriso tarado, olhando para mim.
Acabei dando um sorriso torto, imaginando que, se a Mad estivesse aqui, com certeza faria careta para ela. Acho que a mulher interpretou como se meu sorriso torto de "estou pensando na Mad"fosse aquele sorriso torto de "quero o seu telefone", porque foi isso que ela fez: deu-me.
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa com a moça, como por exemplo: "estou um pouco comprometido. Não posso ligar", ouvi o sininho da porta da locadora tocando e me virei para olhar.
- 'Jus – a voz feminina que mais tenho ouvido esses dias chamou por mim – Que coincidência! – Megan disse, abraçando-me pelo lado.
Correspondi ao abraço. Ela tinha pingos de chuva na blusa.
- Ei, Meg. Você por aqui? – nessa última semana, já tínhamos tido essas coincidências umas três vezes.
Às vezes eu achava que ela me seguia para saber se eu estava me encontrando com a Madson escondido. Coisa de mulher...
- É... – ela colocou as mãos sobre meus ombros e eu, as minhas na sua cintura – Estava passando por aqui e resolvi pegar um filme para ver com a Mad e a tia Rosie. Alguma sugestão? – beijou meu pescoço, fazendo com que eu quase me arrepiasse. Cara, essa Megan era boa... Em muitos sentidos.
- Algum filme que a Mad goste...? – perguntei mais para mim mesmo do que para ela.
- A Mad e a tia Rosie, não é? – levantou uma sobrancelha desconfiada.
Esses ciúmes da Megan às vezes me esgotavam. Já fazia quase um mês que estávamos juntos.
- É. A tia Rosie – completei – Já tentou "Procurando Nemo"? – ela gargalhou.
- Ai, ai. Algum filme que eu goste também, né – a moça da locadora fazia cara feia para ela e isso me divertia – E que não seja uma animaçãozinha de criança.
- Não vejo nada de errado com as animações – dei de ombros.
Pode parecer até meio bobo, mas eu gostava quando a Mad resolvia levar os DVDs dessas animações para vermos juntos. Ela ri à toa de tudo, fazendo-me rir também.
- Ah, qual é – Megan debochou – Pensei em pegar Titanic.
- A Mad tem pavor desse filme... – acabei falando baixo, sem perceber.
- Então o que você sugere, espertinho? – ainda estava com sua sobrancelha levantada e continuávamos abraçados.
- Pegue alguma coisa água com açúcar. Ela...s... – corrigi-me rapidamente – Vão gostar de qualquer coisa.
- Ok – Meg disse, aproximando-se mais ainda de mim e virando seu rosto para a moça do caixa – Onde está o "Romeu e Julieta"? O mais atual? – a garota apontou – Hoje eu estou a fim de ver o Leonardo DiCaprio na TV – soltou-me e foi saindo na direção do DVD.
Segurei seu braço.
- Desse jeito, fico com ciúmes do Leonardo – fiz minha cara fofa.
Ela me lançou seu olhar pervertido (que por sinal amo) e me deu um beijo demorado no meio da loja.
Thank God, it's Friday.
Depois de soltar a minha nuca, ela foi satisfeita até a seção de romances.
- Droga! – eu disse, abrindo a porta da loja para Megan e vendo que a tempestade já caía.
- Justin! – ela falou um pouco mais alto por causa do barulho da chuva – Meu celular não tem sinal.
- Tudo bem – estava despreocupado – Eu acompanho você até o seu carro.
- Aí que está o problema – sua expressão era de preocupação – Vim de táxi – semicerrei os lábios antes de responder.
- Deixo você em casa – disse por fim.
- Obrigada – ela respondeu, entrelaçando nossas mãos.
Andamos um quarteirão até o Starfire. Bem... Eu andei. Megan correu desesperada, mesmo sem saber a direção.
Talvez seja por isso que ela tenha se molhado mais. Não sei. A questão é que, quando chegamos ao carro, eu estava só um pouco molhado, enquanto ela estava encharcada.
- Ah, mas que saco! – falou chorosa. Eu já tinha girado a chave na ignição – Estou toda molhada. Posso até pegar pneumonia.
- Relaxe, Meg.– respondi tranqüilo – Você não vai pegar pneumonia.
- Vou, sim, Jus. Já peguei uma vez.
- Se você quiser, a gente pode ir lá para casa – disse sem segundas intenções – Empresto para você uma blusa.
- Sério? – consenti.
[...]
- Pode entrar – convidei-a – Primeira porta à esquerda é o meu quarto. Pode escolher a blusa que você quiser – eu mesmo já sentia o pano frio encostado ao meu corpo por causa da camisa molhada. Resolvi tirá-la sem cerimônia ainda estava parada, olhando – Rápido, Meg. Você não disse que ia pegar pneumonia?
- Ah, sim. Claro – virou-se de costas e entrou para o corredor, enquanto eu jogava minha camisa com desmazelo no sofá.
A casa estava uma paz. O que quer dizer que meu velho devia estar no banheiro.
- E aí? – Megan disse, escorando na parede da sala e vestindo minha blusa verde-musgo enquanto estava com a sua molhada na mão – Fiquei bem?
- Muito – tentei fazer o sorriso mais natural que consegui.
Ela veio na minha direção, colocando suas mãos no meu peito nu.
- Diga-me que fiquei linda – escorou a cabeça nas próprias mãos em meu peito.
Suspirei fundo e respondi:
- Você fica linda de qualquer jeito, Mad – arregalei meus olhos depois que percebi a m*rda que eu tinha dito não tive tempo para perceber muita coisa. Numa hora, ela estava com a mão no meu peito. Na outra, fortemente no meu rosto e por fim na maçaneta para girá-la e ir embora, balbuciando mil coisas, sem se esquecer de antes tacar sua blusa molhada no meu sofá – Ok... – eu disse, ainda tentando me situar no local e percebendo gargalhadas altas por trás de mim.
- Muito boa essa, filho! – meu pai se contorcia de rir da porta da sala.
- Você acha bom porque não foi no seu rosto – apontei para a minha bochecha vermelha.
- É, mas eu também não gosto que seja no rosto do meu bebê.
- Corte essa, pai – rolei os olhos.
- Você sempre vai ser o meu bebê, Justin. Seja com dezessete ou setenta e sete – fez uma pausa – Sempre o meu bebê.
- Vamos mudar de assunto? – falei envergonhado de mim mesmo – Cadê o Chaz?
- Realmente, o malandro já devia ter chegado – olhou o relógio.
- Quer saber? Vou dar uma olhada nessa marca vermelha no espelho. Não deve ter ficado tão ruim... – entrei no corredor, indo em direção ao banheiro.
Quando estava lá, ouvi a campainha.
Justin's P.O.V off
Harlem, Manhattan, 9 de abril. Cinco e quarenta da tarde.
Eu tinha pegado o meu novo Volkswagen para ir até a casa do Justin. Estava me sentindo independente e isso me dava frio na barriga. Talvez não isso. Talvez o fato de que eu estivesse indo até lá fazer a minha primeira declaração na vida para o único menino que amei.
O trânsito estava um pouco congestionado, então tive que parar a uns três quarteirões do prédio vermelho-terra. Mas nada que tenha me desanimado do meu propósito. Eu andava decidida pela rua, quando sem querer me topei com alguém. O tempo estava um pouco chuvoso, mas eu ainda não tinha me molhado.
- Megan? – perguntei surpresa. Ela parecia mais irritada do que nunca e usava uma camisa larga... Verde-musgo – Espere – observei – Essa camisa é do Justin?
- Claro – respondeu rápido com a voz aguda – De quem mais seria? – voltou a andar, exalando ódio.
Meu coração apertou um pouco, mas talvez o Justin tivesse uma boa explicação para Megan estar usando a sua blusa.
Subi apressada, batendo à porta do 302. Meu coração estava a mil e eu ainda não tinha ensaiado meu discurso hoje.
Droga.
- Chaz, você está... – o senhor Bieber começava a dizer, depois interrompendo-se e olhando para mim um pouco surpreso – Mad?
- Ei senhor Bieber... – cumprimentei ansiosa – O Justin está?
- Está, sim, querida – abriu a porta para mim – Pode ficar à vontade. Vou para a cozinha deixar que vocês dois conversem em paz.
- Muito obrigada, senhor – ainda olhava-o, dirigindo-se para cozinha quando, percebi o Justin entrar na sala, secando os cabelos com uma toalha pequena.
Ele estava sem camisa.
- Mad? – levantou as sobrancelhas – O que você está fazendo aqui? – meu coração descompassou ouvindo a sua voz.
- Eu precisava falar com você – respondi serena.
Ele apoiou a cintura no sofá marrom próximo a mim.
- O quê? – ainda secava os cabelos, embora me olhasse.
- Apesar de isso não ser do jeito que eu pensava... – suspirei – Lembra-se da viagem a Miami?
- Como me esquecer? – ele girou os olhos, mas sorriu ainda assim – O que tem?
- Você... – suspirei, abaixando um pouco a voz – Lembra-se do segundo dia de viagem?
- Uau – ele arregalou os olhos depois juntou as sobrancelhas com o entendimento.
- Lembra-se do que me disse?
- Eu queria muito... – começou a falar um pouco baixo também. Sua voz transparecia chateação – Poder me esquecer desse dia, mas sou nenhum mágico. Então não posso – mordeu o lábio inferior – Eu queria me esquecer.
- Mas eu não – sorri leve, aproximando os nossos corpos e colocando as minhas mãos por cima das dele apoiadas no sofá.
Ele me olhou surpreso, apesar de esconder alguma animação.
- O que quer dizer? – colocou as mãos por cima das minhas, puxando-me mais para perto.
- Justin... Fiquei muito tempo lutando comigo mesma para admitir e eu fui uma idiota, eu sei, mas quero que saiba que eu... – meu olhar passou por cima do seu ombro e pousou numa peça de roupa jogada no sofá.
Recolhi minha mão rapidamente, indo em direção à blusa.
Era a bata amarela da Megan.
Peguei, ainda me certificando que era a mesma. Encarei-o novamente, com um olhar magoado. Ela com a blusa verde-musgo, saindo da casa dele. Ele sem blusa e com uma marca vermelha no rosto... E agora, a blusa dela jogada no sofá. Meu coração parecia estar sendo esmagado.
Meus olhos ameaçaram ficar quentes. Ele começou a dizer rapidamente algumas coisas que eu estava muito zangada para assimilar.
- AH, MAS EU SOU MUITO... BURRA! – gritei, deixando a voz escapar por entre meus dentes.
- Mad, eu posso...
- CALE A BOCA! – duas lágrimas rolaram dos meus olhos – Você pode nada! – limpei o meu nariz com o braço, fazendo uma pausa – Aposto que seu eu tivesse dito que sentia a mesma coisa, você teria feito o mesmo comigo – sentei-me no sofá, pasma.
- Tenho...
- PARE DE FALAR! – coloquei uma mão na cabeça, como se adiantasse para eu não escutar mais a sua voz – VOCÊ É UM CRETINO, JUSTIN! Como pôde fazer isso com a minha prima? – eu soluçava – Aposto que disse as mesmas coisas para ela ainda... – a observação tinha sido apenas para mim.
- Mad, isso não é... – seus olhos estavam tristes.
- Ah, quer saber?! – desencostei-me do sofá decididamente – Engula essa blusa e se esqueça do que eu ia falar – joguei a peça no chão.
- MADSON, VOCÊ QUER FAZER O FAVOR DE ME ESCUTAR?! – gritou pra mim.
Minha cabeça estava a mil, meu coração doía para bater e minhas lágrimas já estavam fora do meu controle, assim como a minha raiva.
- Eu... – andava em direção à porta.
- PARE DE ANDAR E ME OUÇA! – puxou-me pelo braço.
- EU ODEIO VOCÊ, JUSTIN! – gritei mesmo sem a intenção. Depois, minha voz voltou a ficar falha no meio de soluços – Por que não me deixa em paz?
Bati a porta do apartamento, correndo e sem pensar duas vezes em olhar para trás. Ele não veio atrás de mim. Minhas lágrimas pareciam cair em compasso com a minha descida na escada. Quando cheguei ao portão, abri-o bruscamente, batendo-o também.
O céu tinha escurecido, o que é normal em dias chuvosos, e a tempestade começou a cair. A única vantagem que eu via nisso é que, se eu encontrasse algum conhecido, ele não perceberia que eu estava chorando.
Corri sem fôlego na chuva durante dois quarteirões, parando no terceiro, onde estava meu Volkswagen, ofegante e zonza. Preferi sentar-me em frente a uma loja fechada e esperar que a chuva penetrasse meus cabelos.
Na chuva era melhor. Melhor porque era como se levasse as tristezas embora e lavasse as minhas lágrimas. Estava agarrada aos meus joelhos, sem medo de chorar alto. A impressão que eu tinha era de ter sido enganada durante sete anos pelo meu melhor amigo. Não... Não pelo meu melhor amigo. Pelo garoto que eu amava e que agora tinha se agarrado com a minha prima no sofá da sala, que provavelmente tinha dito as mesmas coisas que me disse a ela. E se minha resposta tivesse sido diferente? Ele também teria me usado?
Acho que até o gato da lata de lixo tinha se assustado com o volume do meu choro... O volume do meu choro e... Havia algo a mais.
Um barulho que custei a averiguar a princípio, distraída com as minhas lamúrias, mas que depois de algum tempo, deixando minhas lágrimas rolarem e limpando a minha visão, eu tinha percebido. Uma ambulância passava por mim com a sirene ligada e apressadamente.
- Por favor, não vire à esquerda – sussurrei. Meu queixo batia de frio – Por favor, por favor, não vire à esquerda – era uma súplica, como se quem estivesse dirigindo a ambulância pudesse me escutar – Não vire...
Observei a ambulância fazer exatamente a curva que eu temia. Coloquei-me rapidamente de pé e corri de volta para o prédio dos Biebers.
A ambulância tinha parado na frente do prédio vermelho-terra e meu coração apertou subitamente quando se deparou com a cena.
A porta estava aberta e, pelo o tempo que os paramédicos estavam lá dentro, deviam estar descendo com a pessoa na maca àquela hora. Eu tinha parado na esquina e respirava com dificuldade. Quando os homens apareceram na porta com a maca branca, tampei minha respiração para me certificar de quem era. Foram os segundos mais longos da minha vida.
Senhor Bieber estava deitado, sendo levado rapidamente para dentro da ambulância. Justin desceu atrás dele logo em seguida. Tinha colocado uma blusa qualquer e caminhava atrás do pai com a cara assustada. Meu coração parecia ter parado.
A tempestade ainda caía.
- Justin... – disse num tom tão baixo que parecia um gemido – JUSTIN! – gritei, sendo movida pelo meu desespero e correndo rapidamente ao seu encontro.
Ele me olhou por um momento com olhos tão tristes e assombrados que eu não saberia descrever. Não esperou que eu falasse nada. Voltou a olhar para o pai sendo colocado dentro do veículo. Eu tinha que fazer alguma coisa. Sentia que sim.
Então me aproximei apressada dele e segurei o seu ombro, fazendo-o olhar para a minha mão.
- JUSTIN?! – estava quase histérica – O que aconteceu com ele?! O quê...?! – não me respondeu. Voltou a olhar para baixo e entrou na ambulância sem me dirigir a palavra – Justin! Por favor! – gritei. Meus olhos estavam vermelhos e minha respiração, acelerada – POR FAVOR!
- Com licença – um paramédico dirigiu-se a mim, fechando a porta do veículo com o Justin e o Jeremy lá dentro.
- Justin, não... – falei com a voz afetada pelo choro – Justin, por favor... – disse mais uma vez, observando o motorista acelerar e a ambulância começar a se afastar de mim – JUSTIN!
Eu ia voltar a chorar e gemer na rua como uma histérica, se eu não tivesse me lembrado de um detalhe importante.
Droga, Madson. Você tem carro!
Corri de volta para o Volkswagen, girando a chave na ignição e seguindo o mais rápido que eu podia para o hospital. Passei em mil sinais vermelhos e mudei várias vezes de pista, sendo movida pelo meu lado passional. Eu soluçava ao volante. As coisas se misturavam na minha cabeça e eu não conseguia pensar em outra coisa que não fosse o pai do Justin.
O assunto da Megan não me importava mais. E se acontecesse alguma coisa mais séria com o senhor Bieber? O que seria de mim? De mim não... O que seria do Justin? E se Jeremy Jack Bieber...? Não. Eu não podia pensar nisso. Não sabia o que o Justin faria, se isso acontecesse. O pai era a pessoa que ele mais amava e prezava.
"Senhor Bieber não merecia estar naquela maca", pensei, lembrando-me da cena. Meu coração estava disparado e minhas lágrimas estavam quentes.
Cheguei ao hospital, fechando o carro de qualquer jeito, ainda a tempo de ver a ambulância chegar. Corri o mais rápido que pude para alcançá-los, vendo-os entrar apressados no hospital.
- Justin! – eu disse mais alto, chegando ao seu lado. Ele nem se deu ao trabalho de me olhar – Justin, por favor, fale comigo! – supliquei com a voz falha.
- Qual é o nome dele? – um dos médicos perguntou.
Eles tinham colocado o senhor Bieber numa maca com rodinhas e a empurravam rapidamente para um dos quartos do primeiro andar.
- Jeremy – Justin respondeu com a voz assustada – Jeremy Jack Bieber.
- Ok, senhor Jeremy – o paramédico disse – Aguente firme.
Eles empurraram mais rápido, deixando eu e o Justin para trás sem que antes pudéssemos ouvir o senhor Bieber chamar por ele. Entraram em uma das salas e fecharam a porta.
Paramos de correr, olhando para o corredor branco e vazio. O silêncio que predominaria a seguir seria desesperador
