domingo, 1 de setembro de 2013

17° capitulo-be alright


´´Você sabe que me preocupo com você
Sempre estarei aqui para você
Prometo que ficarei bem aqui
Sei que você me quer também
Baby nós podemos passar por qualquer coisa
Porque tudo vai ficar bem
Vai ficar bem´´
SoHo, Manhattan, minha casa, 4 de abril. Cinco horas da tarde.
Meu celular tocou novamente.
Atendi um tanto ansiosa.
- Alô?
- Emm! E aí, como foi? – Megan estava cochilando no quarto dela. Meus pais tinham saído e a tia Rosie via TV na sala.
- Ótima. Eu disse que eles tinham nada demais.
- O que ele disse?
- "Parece que a coisa está ficando séria, hein?", "Ah, nada" – ela tentou imitar a voz dele, fazendo-me rir – "Tem certeza? Porque para a Megan parece que está", "Tenho certeza, Emma. Não é sério" – ela respirou fundo – Satisfeita?
- Muito – abri um sorriso.
- Que dia vai falar com ele?
- Não sei... Sexta-feira acho que ele faz nada. A menos que o Chaz vá para a casa dele assistir a algum filme...
- Então pode deixar que desse daí eu cuido – ela riu – Sexta-feira ele vai ser todo seu.
- Emm...? – perguntei com a voz baixa.
- Hm?
- Por que está me ajudando? Você sabe que não precisava...
- Estou ajudando você porque... É o que amigas fazem – sabia que ela tinha aberto um sorriso.
Justin's P.O.V on
Locadora do Harlem, por aí, sexta-feira, dia 9 de abril (eu acho). À tarde.
O dia estava péssimo. O céu estava todo cinza. Mais cedo ou mais tarde, ia cair o maior toró e eu já queria estar em casa quando essa hora chegasse.
Sexta-feira é o dia em que eu e o meu pai, humildemente, voluntariamo-nos para assistir a qualquer filme com um rapaz com deficiência mental (lê-se: Chaz). Eu estava encarregado de escolher o filme dai então escolhi uns filmes que aparentavam ser interessantes.
Deu um pico de luz na locadora e em seguida um trovão. Deduzi que seria impossível chegar a casa sem ter que me molhar. Suspirei um pouco impaciente, apenas com preguiça de ter que ir ao Starfire na chuva.
- Mais alguma coisa, senhor? – a moça da locadora deu um sorriso tarado, olhando para mim.
Acabei dando um sorriso torto, imaginando que, se a Mad estivesse aqui, com certeza faria careta para ela. Acho que a mulher interpretou como se meu sorriso torto de "estou pensando na Mad"fosse aquele sorriso torto de "quero o seu telefone", porque foi isso que ela fez: deu-me.
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa com a moça, como por exemplo: "estou um pouco comprometido. Não posso ligar", ouvi o sininho da porta da locadora tocando e me virei para olhar.
- 'Jus – a voz feminina que mais tenho ouvido esses dias chamou por mim – Que coincidência! – Megan disse, abraçando-me pelo lado.
Correspondi ao abraço. Ela tinha pingos de chuva na blusa.
- Ei, Meg. Você por aqui? – nessa última semana, já tínhamos tido essas coincidências umas três vezes.
Às vezes eu achava que ela me seguia para saber se eu estava me encontrando com a Madson escondido. Coisa de mulher...
- É... – ela colocou as mãos sobre meus ombros e eu, as minhas na sua cintura – Estava passando por aqui e resolvi pegar um filme para ver com a Mad e a tia Rosie. Alguma sugestão? – beijou meu pescoço, fazendo com que eu quase me arrepiasse. Cara, essa Megan era boa... Em muitos sentidos.
- Algum filme que a Mad goste...? – perguntei mais para mim mesmo do que para ela.
- A Mad e a tia Rosie, não é? – levantou uma sobrancelha desconfiada.
Esses ciúmes da Megan às vezes me esgotavam. Já fazia quase um mês que estávamos juntos.
- É. A tia Rosie – completei – Já tentou "Procurando Nemo"? – ela gargalhou.
- Ai, ai. Algum filme que eu goste também, né – a moça da locadora fazia cara feia para ela e isso me divertia – E que não seja uma animaçãozinha de criança.
- Não vejo nada de errado com as animações – dei de ombros.
Pode parecer até meio bobo, mas eu gostava quando a Mad resolvia levar os DVDs dessas animações para vermos juntos. Ela ri à toa de tudo, fazendo-me rir também.
- Ah, qual é – Megan debochou – Pensei em pegar Titanic.
- A Mad tem pavor desse filme... – acabei falando baixo, sem perceber.
- Então o que você sugere, espertinho? – ainda estava com sua sobrancelha levantada e continuávamos abraçados.
- Pegue alguma coisa água com açúcar. Ela...s... – corrigi-me rapidamente – Vão gostar de qualquer coisa.
- Ok – Meg disse, aproximando-se mais ainda de mim e virando seu rosto para a moça do caixa – Onde está o "Romeu e Julieta"? O mais atual? – a garota apontou – Hoje eu estou a fim de ver o Leonardo DiCaprio na TV – soltou-me e foi saindo na direção do DVD.
Segurei seu braço.
- Desse jeito, fico com ciúmes do Leonardo – fiz minha cara fofa.
Ela me lançou seu olhar pervertido (que por sinal amo) e me deu um beijo demorado no meio da loja.
Thank God, it's Friday.
Depois de soltar a minha nuca, ela foi satisfeita até a seção de romances.
- Droga! – eu disse, abrindo a porta da loja para Megan e vendo que a tempestade já caía.
- Justin! – ela falou um pouco mais alto por causa do barulho da chuva – Meu celular não tem sinal.
- Tudo bem – estava despreocupado – Eu acompanho você até o seu carro.
- Aí que está o problema – sua expressão era de preocupação – Vim de táxi – semicerrei os lábios antes de responder.
- Deixo você em casa – disse por fim.
- Obrigada – ela respondeu, entrelaçando nossas mãos.
Andamos um quarteirão até o Starfire. Bem... Eu andei. Megan correu desesperada, mesmo sem saber a direção.
Talvez seja por isso que ela tenha se molhado mais. Não sei. A questão é que, quando chegamos ao carro, eu estava só um pouco molhado, enquanto ela estava encharcada.
- Ah, mas que saco! – falou chorosa. Eu já tinha girado a chave na ignição – Estou toda molhada. Posso até pegar pneumonia.
- Relaxe, Meg.– respondi tranqüilo – Você não vai pegar pneumonia.
- Vou, sim, Jus. Já peguei uma vez.
- Se você quiser, a gente pode ir lá para casa – disse sem segundas intenções – Empresto para você uma blusa.
- Sério? – consenti.
[...]
- Pode entrar – convidei-a – Primeira porta à esquerda é o meu quarto. Pode escolher a blusa que você quiser – eu mesmo já sentia o pano frio encostado ao meu corpo por causa da camisa molhada. Resolvi tirá-la sem cerimônia  ainda estava parada, olhando – Rápido, Meg. Você não disse que ia pegar pneumonia?
- Ah, sim. Claro – virou-se de costas e entrou para o corredor, enquanto eu jogava minha camisa com desmazelo no sofá.
A casa estava uma paz. O que quer dizer que meu velho devia estar no banheiro.
- E aí? – Megan disse, escorando na parede da sala e vestindo minha blusa verde-musgo enquanto estava com a sua molhada na mão – Fiquei bem?
- Muito – tentei fazer o sorriso mais natural que consegui.
Ela veio na minha direção, colocando suas mãos no meu peito nu.
- Diga-me que fiquei linda – escorou a cabeça nas próprias mãos em meu peito.
Suspirei fundo e respondi:
- Você fica linda de qualquer jeito, Mad – arregalei meus olhos depois que percebi a m*rda que eu tinha dito não tive tempo para perceber muita coisa. Numa hora, ela estava com a mão no meu peito. Na outra, fortemente no meu rosto e por fim na maçaneta para girá-la e ir embora, balbuciando mil coisas, sem se esquecer de antes tacar sua blusa molhada no meu sofá – Ok... – eu disse, ainda tentando me situar no local e percebendo gargalhadas altas por trás de mim.
- Muito boa essa, filho! – meu pai se contorcia de rir da porta da sala.
- Você acha bom porque não foi no seu rosto – apontei para a minha bochecha vermelha.
- É, mas eu também não gosto que seja no rosto do meu bebê.
- Corte essa, pai – rolei os olhos.
- Você sempre vai ser o meu bebê, Justin. Seja com dezessete ou setenta e sete – fez uma pausa – Sempre o meu bebê.
- Vamos mudar de assunto? – falei envergonhado de mim mesmo – Cadê o Chaz?
- Realmente, o malandro já devia ter chegado – olhou o relógio.
- Quer saber? Vou dar uma olhada nessa marca vermelha no espelho. Não deve ter ficado tão ruim... – entrei no corredor, indo em direção ao banheiro.
Quando estava lá, ouvi a campainha.
Justin's P.O.V off
Harlem, Manhattan, 9 de abril. Cinco e quarenta da tarde.
Eu tinha pegado o meu novo Volkswagen para ir até a casa do Justin. Estava me sentindo independente e isso me dava frio na barriga. Talvez não isso. Talvez o fato de que eu estivesse indo até lá fazer a minha primeira declaração na vida para o único menino que amei.
O trânsito estava um pouco congestionado, então tive que parar a uns três quarteirões do prédio vermelho-terra. Mas nada que tenha me desanimado do meu propósito. Eu andava decidida pela rua, quando sem querer me topei com alguém. O tempo estava um pouco chuvoso, mas eu ainda não tinha me molhado.
- Megan? – perguntei surpresa. Ela parecia mais irritada do que nunca e usava uma camisa larga... Verde-musgo – Espere – observei – Essa camisa é do Justin?
- Claro – respondeu rápido com a voz aguda – De quem mais seria? – voltou a andar, exalando ódio.
Meu coração apertou um pouco, mas talvez o Justin tivesse uma boa explicação para Megan estar usando a sua blusa.
Subi apressada, batendo à porta do 302. Meu coração estava a mil e eu ainda não tinha ensaiado meu discurso hoje.
Droga.
- Chaz, você está... – o senhor Bieber começava a dizer, depois interrompendo-se e olhando para mim um pouco surpreso – Mad?
- Ei senhor Bieber... – cumprimentei ansiosa – O Justin está?
- Está, sim, querida – abriu a porta para mim – Pode ficar à vontade. Vou para a cozinha deixar que vocês dois conversem em paz.
- Muito obrigada, senhor – ainda olhava-o, dirigindo-se para cozinha quando, percebi o Justin entrar na sala, secando os cabelos com uma toalha pequena.
Ele estava sem camisa.
- Mad? – levantou as sobrancelhas – O que você está fazendo aqui? – meu coração descompassou ouvindo a sua voz.
- Eu precisava falar com você – respondi serena.
Ele apoiou a cintura no sofá marrom próximo a mim.
- O quê? – ainda secava os cabelos, embora me olhasse.
- Apesar de isso não ser do jeito que eu pensava... – suspirei – Lembra-se da viagem a Miami?
- Como me esquecer? – ele girou os olhos, mas sorriu ainda assim – O que tem?
- Você... – suspirei, abaixando um pouco a voz – Lembra-se do segundo dia de viagem?
- Uau – ele arregalou os olhos depois juntou as sobrancelhas com o entendimento.
- Lembra-se do que me disse?
- Eu queria muito... – começou a falar um pouco baixo também. Sua voz transparecia chateação – Poder me esquecer desse dia, mas sou nenhum mágico. Então não posso – mordeu o lábio inferior – Eu queria me esquecer.
- Mas eu não – sorri leve, aproximando os nossos corpos e colocando as minhas mãos por cima das dele apoiadas no sofá.
Ele me olhou surpreso, apesar de esconder alguma animação.
- O que quer dizer? – colocou as mãos por cima das minhas, puxando-me mais para perto.
- Justin... Fiquei muito tempo lutando comigo mesma para admitir e eu fui uma idiota, eu sei, mas quero que saiba que eu... – meu olhar passou por cima do seu ombro e pousou numa peça de roupa jogada no sofá.
Recolhi minha mão rapidamente, indo em direção à blusa.
Era a bata amarela da Megan.
Peguei, ainda me certificando que era a mesma. Encarei-o novamente, com um olhar magoado. Ela com a blusa verde-musgo, saindo da casa dele. Ele sem blusa e com uma marca vermelha no rosto... E agora, a blusa dela jogada no sofá. Meu coração parecia estar sendo esmagado.
Meus olhos ameaçaram ficar quentes. Ele começou a dizer rapidamente algumas coisas que eu estava muito zangada para assimilar.
- AH, MAS EU SOU MUITO... BURRA! – gritei, deixando a voz escapar por entre meus dentes.
- Mad, eu posso...
- CALE A BOCA! – duas lágrimas rolaram dos meus olhos – Você pode nada! – limpei o meu nariz com o braço, fazendo uma pausa – Aposto que seu eu tivesse dito que sentia a mesma coisa, você teria feito o mesmo comigo – sentei-me no sofá, pasma.
- Tenho...
- PARE DE FALAR! – coloquei uma mão na cabeça, como se adiantasse para eu não escutar mais a sua voz – VOCÊ É UM CRETINO, JUSTIN! Como pôde fazer isso com a minha prima? – eu soluçava – Aposto que disse as mesmas coisas para ela ainda... – a observação tinha sido apenas para mim.
- Mad, isso não é... – seus olhos estavam tristes.
- Ah, quer saber?! – desencostei-me do sofá decididamente – Engula essa blusa e se esqueça do que eu ia falar – joguei a peça no chão.
- MADSON, VOCÊ QUER FAZER O FAVOR DE ME ESCUTAR?! – gritou pra mim.
Minha cabeça estava a mil, meu coração doía para bater e minhas lágrimas já estavam fora do meu controle, assim como a minha raiva.
- Eu... – andava em direção à porta.
- PARE DE ANDAR E ME OUÇA! – puxou-me pelo braço.
- EU ODEIO VOCÊ, JUSTIN! – gritei mesmo sem a intenção. Depois, minha voz voltou a ficar falha no meio de soluços – Por que não me deixa em paz?
Bati a porta do apartamento, correndo e sem pensar duas vezes em olhar para trás. Ele não veio atrás de mim. Minhas lágrimas pareciam cair em compasso com a minha descida na escada. Quando cheguei ao portão, abri-o bruscamente, batendo-o também.
O céu tinha escurecido, o que é normal em dias chuvosos, e a tempestade começou a cair. A única vantagem que eu via nisso é que, se eu encontrasse algum conhecido, ele não perceberia que eu estava chorando.
Corri sem fôlego na chuva durante dois quarteirões, parando no terceiro, onde estava meu Volkswagen, ofegante e zonza. Preferi sentar-me em frente a uma loja fechada e esperar que a chuva penetrasse meus cabelos.
Na chuva era melhor. Melhor porque era como se levasse as tristezas embora e lavasse as minhas lágrimas. Estava agarrada aos meus joelhos, sem medo de chorar alto. A impressão que eu tinha era de ter sido enganada durante sete anos pelo meu melhor amigo. Não... Não pelo meu melhor amigo. Pelo garoto que eu amava e que agora tinha se agarrado com a minha prima no sofá da sala, que provavelmente tinha dito as mesmas coisas que me disse a ela. E se minha resposta tivesse sido diferente? Ele também teria me usado?
Acho que até o gato da lata de lixo tinha se assustado com o volume do meu choro... O volume do meu choro e... Havia algo a mais.
Um barulho que custei a averiguar a princípio, distraída com as minhas lamúrias, mas que depois de algum tempo, deixando minhas lágrimas rolarem e limpando a minha visão, eu tinha percebido. Uma ambulância passava por mim com a sirene ligada e apressadamente.
- Por favor, não vire à esquerda – sussurrei. Meu queixo batia de frio – Por favor, por favor, não vire à esquerda – era uma súplica, como se quem estivesse dirigindo a ambulância pudesse me escutar – Não vire...
Observei a ambulância fazer exatamente a curva que eu temia. Coloquei-me rapidamente de pé e corri de volta para o prédio dos Biebers.
A ambulância tinha parado na frente do prédio vermelho-terra e meu coração apertou subitamente quando se deparou com a cena.
A porta estava aberta e, pelo o tempo que os paramédicos estavam lá dentro, deviam estar descendo com a pessoa na maca àquela hora. Eu tinha parado na esquina e respirava com dificuldade. Quando os homens apareceram na porta com a maca branca, tampei minha respiração para me certificar de quem era. Foram os segundos mais longos da minha vida.
Senhor Bieber estava deitado, sendo levado rapidamente para dentro da ambulância. Justin desceu atrás dele logo em seguida. Tinha colocado uma blusa qualquer e caminhava atrás do pai com a cara assustada. Meu coração parecia ter parado.
A tempestade ainda caía.
- Justin... – disse num tom tão baixo que parecia um gemido – JUSTIN! – gritei, sendo movida pelo meu desespero e correndo rapidamente ao seu encontro.
Ele me olhou por um momento com olhos tão tristes e assombrados que eu não saberia descrever. Não esperou que eu falasse nada. Voltou a olhar para o pai sendo colocado dentro do veículo. Eu tinha que fazer alguma coisa. Sentia que sim.
Então me aproximei apressada dele e segurei o seu ombro, fazendo-o olhar para a minha mão.
- JUSTIN?! – estava quase histérica – O que aconteceu com ele?! O quê...?! – não me respondeu. Voltou a olhar para baixo e entrou na ambulância sem me dirigir a palavra – Justin! Por favor! – gritei. Meus olhos estavam vermelhos e minha respiração, acelerada – POR FAVOR!
- Com licença – um paramédico dirigiu-se a mim, fechando a porta do veículo com o Justin e o Jeremy lá dentro.
- Justin, não... – falei com a voz afetada pelo choro – Justin, por favor... – disse mais uma vez, observando o motorista acelerar e a ambulância começar a se afastar de mim – JUSTIN!
Eu ia voltar a chorar e gemer na rua como uma histérica, se eu não tivesse me lembrado de um detalhe importante.
Droga, Madson. Você tem carro!
Corri de volta para o Volkswagen, girando a chave na ignição e seguindo o mais rápido que eu podia para o hospital. Passei em mil sinais vermelhos e mudei várias vezes de pista, sendo movida pelo meu lado passional. Eu soluçava ao volante. As coisas se misturavam na minha cabeça e eu não conseguia pensar em outra coisa que não fosse o pai do Justin.
O assunto da Megan não me importava mais. E se acontecesse alguma coisa mais séria com o senhor Bieber? O que seria de mim? De mim não... O que seria do Justin? E se Jeremy Jack Bieber...? Não. Eu não podia pensar nisso. Não sabia o que o Justin faria, se isso acontecesse. O pai era a pessoa que ele mais amava e prezava.
"Senhor Bieber não merecia estar naquela maca", pensei, lembrando-me da cena. Meu coração estava disparado e minhas lágrimas estavam quentes.
Cheguei ao hospital, fechando o carro de qualquer jeito, ainda a tempo de ver a ambulância chegar. Corri o mais rápido que pude para alcançá-los, vendo-os entrar apressados no hospital.
- Justin! – eu disse mais alto, chegando ao seu lado. Ele nem se deu ao trabalho de me olhar – Justin, por favor, fale comigo! – supliquei com a voz falha.
- Qual é o nome dele? – um dos médicos perguntou.
Eles tinham colocado o senhor Bieber numa maca com rodinhas e a empurravam rapidamente para um dos quartos do primeiro andar.
- Jeremy – Justin respondeu com a voz assustada – Jeremy Jack Bieber.
- Ok, senhor Jeremy – o paramédico disse – Aguente firme.
Eles empurraram mais rápido, deixando eu e o Justin para trás sem que antes pudéssemos ouvir o senhor Bieber chamar por ele. Entraram em uma das salas e fecharam a porta.
Paramos de correr, olhando para o corredor branco e vazio. O silêncio que predominaria a seguir seria desesperador

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

16 ° capitulo- i love Justin


Midtown's Inn, Miami, 18 de março. Sete horas da noite.
- Desculpem o atraso, gente – eu disse, chegando à mesa de jantar.
Tinha passado a tarde inteira chorando no quarto, mas esperava que o lápis de olho tivesse escondido um pouco meus olhos inchados.
- Onde você ficou o dia todo? – Liv perguntou preocupada.
- Estava com um pouco de cólica. Só isso – menti. Todos me olhavam, menos o Justin, que nem desviou o olhar de seu prato enquanto eu estava lá.
- Você podia ter me avisado – Megan falou – Eu tinha um remédio ótimo para isso na mala.
- É, eu devia mesmo ter avisado você – suspirei, puxando a cadeira para mim mesma e me sentando.
Emma desviava o olhar de mim para o garoto aparentemente irritado a algumas cadeiras dela.
- Princesa! - Chaz disse animado – Você não sabe o que fizemos hoje!
- O quê?
- Fomos àquele lago. Sabe? Que tem aqui perto – começou a explicar – Fomos pescar.
- A pesca foi boa? – perguntei, apesar de minha voz transparecer chateação.
- Foi ótima! O anzol do Chris arrebentou – e disse, apontando para o amigo e rindo baixo.
- O que posso fazer se fisguei o maior peixe?! – Chris disse, estufando o peito.
- Ainda continuo com a teoria de que você fisgou um tronco – Lively disse, fazendo quase todos rirem. Minha risada foi murcha e o Justin nem riu.
Midtown's Inn, Miami, 19 de março. Oito e meia da noite.
O dia tinha sido sem graça, na minha perspectiva. Para todos os outros tinha sido um dia normal, menos para o Justin e a Megan, que pareceram se divertir como nunca. Talvez fosse para me fazer raiva. Emma também parecia um pouco mais quieta, como se analisasse alguma coisa.
Tínhamos jantado ao ar livre e agora estávamos apenas sentados e conversando. Justin estava sentado ao lado de Megan, que ria de qualquer bobagem que ele falava só para ela.
- Princesa – Chaz cochichou para mim.
- Oi – respondi no mesmo tom.
Os outros nem perceberam.
- Posso lhe fazer uma pergunta?
- Diga.
- Você acha... – ele aproximou os lábios do meu ouvido – Que a Meg ficaria com o Justin?
Fiquei ereta, um pouco assustada com a pergunta. Se ele estava perguntando isso, devia ser porque o Justin pretendia... Ficar com a Megan?
Olhei para os dois com um olhar um tanto ferido. Ele falava coisas no ouvido dela e ela parecia gostar. Por fim, o menino pediu licença para todos e se levantou, segurando a mão da minha prima. Meu estômago embrulhou. Megan se levantou também e os dois começaram a andar para fora do restaurante.
- Isso aí, hein, Justin – Chris gritou, desviava seus olhos do casal para mim, como se estivesse entendendo nada.
Eles pararam de andar próximo à entrada do hotel, ainda à vista de todos. Megan se encostou à parede e o Justin colocou seus braços em volta dela, juntando seus lábios e fazendo minha prima o abraçar pelos ombros. A sensação que eu tinha era de que alguém estava socando o meu estômago. Mas ao invés de alguma coisa querer passar pela minha garganta e sair pela minha boca, ameaçava sair pelos meus olhos. Segurei o choro, sem conseguir tirar meus olhos da cena.
- Mad... – Emma disse, olhando-me com olhos compreensivos.
- Emm, eu... – tentei falar algo, mas não quis completar a frase.
Os dois ainda se beijavam e meu coração ainda estava apertado.
Levantei-me da mesa, sem dar satisfações ou pensar duas vezes, e fui para o quarto apressada, enterrando minha cara no travesseiro e soltando o choro que eu tanto tentava prender.
Midtown's Inn, Miami, 20 de março. Dez e meia da manhã.
Nem sei que horas eu tinha ido dormir no dia anterior. Nem sei que horas minhas colegas entraram no quarto. Só sei que chorei por um tempo e acho que foi aí que fui embalada no sono. Um sono pesado e sem sonhos.
Estávamos na praia. Coloquei minha saída de praia verde, um chapéu de praia e novamente fiz uso do lápis escuro para esconder o inchaço dos meus olhos. Justin não tinha dirigido nem uma palavra a mim desde aquele incidente no quarto. Mentira. Ele tinha dito: "passe a manteiga" no café da manhã.
Todos pareceram estranhar um pouco, menos Megan, que estava extasiada, e Emma, que parecia estranhar muito, e não pouco.
- ''Jus'' – Megan chamou – Passa o protetor nas minhas costas?
- Claro, Meg – ele sorriu, apresentando-se prontamente e pegando o filtro solar.
Soltei um suspiro e olhei para o lado, enquanto ele fazia isso.
- Quer que eu passe nas suas também? – ela perguntou, virando-se para ele.
- Não tenho costume de passar protetor... Mas já que é você – o garoto alargou o sorriso.
Quase enjoei. Ele tinha concordado, sem chamá-la de fresca e nem nada.
- Alguém está sentindo o cheiro de tinta? – Chris disse em tom de brincadeira – Porque está pintando um clima – fez um "U" com o polegar e o dedo indicador e girou o pulso, como se perguntasse "entenderam?".
Revirei os olhos. Megan riu.
- Venha, Justin – ela disse, segurando a sua mão – Vamos nadar – o rapaz correspondeu, segurando a mão dela e andando em direção ao mar. Encolhi os ombros.
- Até que eles formam um casal bonito – Lively disse, observando os dois entrando na água.
- Não acho – Emma disse com o semblante sério.
Midtown's Inn, Miami, 20 de março, sete e quinze da noite.
- Boa noite – Justin disse, chegando à mesa de jantar de mãos dadas com a Megan.
Olhei os dois rapidamente e depois desviei meu olhar para o garçom (como se fosse mais interessante).
- Explique uma coisa – Lively disse, virando-se para o casal – Vocês estão namorando, ficando, ou o quê?
- Ficando – Justin respondeu, dando de ombros.
- Por enquanto – Megan completou, desentrelaçando suas mãos e abraçando-o pela cintura.
O garoto colocou o braço por cima de seus ombros, dando um sorriso satisfeito. Olhei prara baixo.
- Você é linda, sabia? – ele murmurou, fazendo Meg gemer um "hm". não olhei, mas eu sabia que eles estavam se beijando nessa hora.
Depois do jantar, como de costume, ficamos conversando na mesa. Eu tinha ido ao banheiro por alguns instantes. quando voltei, notei a cadeira do lado de Megan vazia.
- Aonde o Justin foi? – perguntei automaticamente.
- Ele está na varanda do restaurante – Emma disse, apontando.
- Foi ligar para o pai dele – Megan completou secamente.
- Ah... – eu ainda estava em pé, segurando no encosto da cadeira – Com licença.
Soltei o encosto, dirigindo-me para a suposta varanda. Sabia que a Megan não tinha gostado da minha atitude, mas Emma tinha impedido-a de se levantar.
- Sei, pai – Justin respondia ao celular de costas para mim. Apenas nós estávamos no local – Claro que não! O que você acha que estou fazendo aqui? – deu uma gargalhada – E o senhor? Está se cuidando? Tomou todos os remédios...? É, pai. Acho que vou ter que desligar agora – fez uma pequena pausa e deu um sorriso leve – Também amo o senhor – desligou o celular.
- Justin...? – chamei, aproximando-me.
- Ah, é você – respondeu, sem me olhar nos olhos.
- É, sou eu. Preciso falar com você.
- Sou todo ouvidos – cruzou os braços atrás da cabeça.
- Eu... – ok, eu não sabia por onde começar – Quero que pare – disse por fim.
Ele levantou as sobrancelhas.
- Quer que eu pare com o que, exatamente?
- Quero que pare de ficar com a Megan – disse baixo e devagar para que ficasse nenhuma dúvida do que eu tinha dito. Apesar de que eu não fazia idéia do porquê eu estava dizendo isso.
- Uau – ele disse simplesmente, olhando-me nos olhos (até que enfim) e descruzando os braços – Por que está me pedindo isso?
- Não sei.
- Então não – deu de ombros.
- 'Ta, calma – respondi depressa.
- Dê-me um bom motivo.
- Acho injusto com ela – disse a primeira coisa que me veio à cabeça.
- Acha injusto o quê? – juntou as sobrancelhas.
- Acho injusto que você fique com ela depois de me falar aquelas coi...
- Ei, calma lá – interrompeu-me, levantando as duas mãos - Você mesma disse que não sentia o mesmo.
- Eu disse, mas... – engoli a própria fala.
Ele relaxou as sobrancelhas.
- Mas o que, Mad? – disse falho.
- Mas... – meu queixo tremeu – Mas é injusto com ela que você só esteja fazendo isso para me passar raiva – falei de uma vez, sem antes parar para pensar.
Só queria arrumar um motivo para eles pararem. Só isso.
- QUÊ?! – sua voz ficou até um pouco aguda quando disse isso – Passar raiva em você? Madson... – suspirou impaciente – Não vou parar a minha vida por sua causa – deixou-me sem reação e depois foi andando em direção à mesa. Fiquei sozinha, apenas sentindo o frio do vento no meu rosto e o mesmo efeito daquelas palavras em meu coração.
SoHo, Manhattan, minha casa, 31 de março. Sete horas da noite.
Era quarta-feira. Já fazia um tempo que tínhamos voltado da viagem, mas eu não conseguia tirar o acontecido da cabeça. Talvez fosse porque a minha prima...
- MAD! – ela gritou do quarto ao lado.
Depois que tinha começado a ficar com o Justin na viagem, Megan tinha decidido dar uma desculpa esfarrapada para a sua universidade para que pudesse ficar duas semanas em Manhattan sem ninguém estranhar.
- QUE É?! – devolvi no mesmo tom.
Estava tentando fazer algum cálculo matemático no exercício, jogada na cadeira em frente à escrivaninha no meu quarto.
- Onde você guarda a sua chapinha? – ela apareceu na porta com os cabelos molhados.
- Aonde você vai? – levantei uma sobrancelha.
- Na boate do Harlem – revirou os olhos como se fosse óbvio.
- Vai com o Justin? – perguntei baixo.
- O que você acha? – entrou no meu quarto com um vestido verde, já se dirigindo para abrir o armário – Onde está?
- No banheiro – respondi, voltando a olhar as minhas folhas de fichário – Que horas volta? – perguntei, tentando não parecer tão interessada.
- Não sei – respondeu sincera – Talvez não volte hoje... – sério. Se eu estivesse bebendo alguma coisa, com certeza teria engasgado.
- Não volta hoje? – praticamente soletrei a frase.
- É – ela respondeu tranqüila – Mas eu não sei. O Justin é um pouco devagar para essas coisas – adentrou o meu banheiro, dando uma pequena pausa na fala – Você me empresta o seu relógio?
- Todo seu – suspirei derrotada.
Ouvi duas buzinas que eu conhecia bem do lado de fora da minha casa. Meus pais estavam até um pouco felizes da Megan estar com o Justin. Gostavam dele e achavam bom que a Meg ficasse com um menino assim. Larguei meu lápis, indo em direção à janela e olhando o carro estacionado. O bom e velho Starfire.
Justin olhou para casa, avistando-me na janela e fazendo com que nosso olhar se cruzasse por um breve momento, até que Megan abriu a porta e caminhou decidida até o carro. Ela usava um vestido verde e salto alto. Detesto admitir, mas minha prima estava mais linda do que nunca. Assim que ela entrou no Starfire, ele a beijou, fazendo-me colocar a cabeça para dentro de casa e parar de olhar.
Apesar de já ter se passado um tempo que eles estavam assim, não conseguia me acostumar. Sempre que eu os via juntos, era como se eu estivesse sendo ferida e meus olhos começavam a arder. Talvez ele estivesse mesmo gostando da Megan. Também... Por que não gostaria? Ela era linda, maravilhosa, "gostosona". Tinha tudo para encantá-lo. Aliás, qualquer um.
Joguei-me na cama, sem pensar mais no exercício de matemática. Antes que eu pudesse deixar qualquer lágrima rolar, peguei o telefone na minha cabeceira.
Washington Square Park, Manhattan, 2 de abril. Duas da tarde.
- Mad! – Emma gritou, vindo apressada em minha direção. Eu estava sentada num banco de madeira, segurando minhas mãos e devia parecer desconfortável, o que eu, de fato, estava – Desculpe-me por não ter podido me encontrar com você ontem. Minha família tem uma tradição de festas no primeiro de abril. Mas então... O que foi?Você me ligou. Parecia tão urgente...
- Não é tão urgente assim, Emm – sorri leve para ela.
- E aí? – ela se sentou ao meu lado – Sobre o que quer falar?
- Não sei – respondi sincera.
- Tudo bem – falou paciente, dando uma pequena pausa em seguida – Mas acho que esse "não sei" tem nome e sobrenome...
- Emm, é só que... – tentei achar palavras para falar o que eu queria – Tenho uma amiga... – comecei.
- Compreendo.
- O nome dela não importa agora. Essa minha amiga... – dei ênfase na palavra. Não era o meu jeito favorito de contar as coisas, mas era o que eu estava conseguindo na hora – Tem um amigo.
- Hm, entendo – Emma disse, fingindo estar pensativa – Essa sua amiga, que não é você, tem um amigo – rolei os olhos.
- Exatamente. Eles são amigos desde muito tempo. Desde a infância... – fez sinal para que eu prosseguisse – Mas ultimamente têm acontecido umas coisas...
- Umas coisas tipo...?
- Eles se beijaram – eu disse por fim – O que foi muito ruim porque podia estragar uma amizade que eles levaram muito tempo para construir.
- Ah, mas se eles se beijaram só uma vez, acho que...
- Várias vezes – suspirei.
- 'Ta, aí já muda as coisas – agora ela ficou pensativa de verdade – Quando foi a primeira vez?
- No baile da empresa do meu... Quer dizer, do pai dela – eu olhava para as crianças correndo no parque alguns metros à nossa frente.
Contar as coisas para Emma assim era muito mais fácil.
- E então... O que a sua amiga... – ela também deu ênfase - Quer, exatamente?
- Eles viajaram... – continuei.
- Hm.
- Para o Mississipi – completei – E esse amigo da minha amiga acabou falando umas coisas para ela.
- Que coisas? – ela juntou as sobrancelhas, surpresa.
- Que ele... Bem... Não foi com essas palavras, mas acho que deu a entender que ele gostava dela.
- E ela?
- Ficou sem reação – semicerrei os lábios. Meus olhos ameaçaram a arder, pouco antes que eu continuasse – Tinha muito medo de estragar a amizade. Então ele pediu para ela dizer olhando nos olhos dele que não sentia o mesmo – tinha certeza que meus olhos ficaram vermelhos, lembrando-me disso.
- E o que ela respondeu? – Emma estava ansiosa pelo resto da história.
- Que não sentia. Mais por medo de estragar a amizade – suspirei novamente – E ele começou a ficar com uma conhecida dela – observava minha vista ficar embaçada.
- E no final das contas... Ela sente o mesmo? – Emma me perguntou com olhos serenos.
- Não – minha voz saiu embolada – Ela não é capaz de sentir o mesmo – olhou-me como se estivesse espantada – Ela sente muito mais – deixei uma lágrima rolar, apesar do sorriso disfarçado – Acho que... – solucei – Acho que ela o ama... Tanto que dá até medo – Emma me abraçou pelos ombros – Ela o ama,Emm. Talvez mais do que qualquer outra pessoa no mundo – minhas lágrimas já escorriam sem o meu controle – E ele está com a conhecida dela. O que eu... Minha amiga deveria fazer? - ela ficou um momento em silêncio, apenas ponderando os fatos.
- Antes de mais nada, acho que o Justin precisa ficar sabendo dessa história – a garota deu de ombros.
Desencostei minha cabeça do seu ombro e a olhei.
- Não – respondi fraco – Acho que ele não curte histórias de romance.
- Acho que ele curte – sorriu – Mais do que você imagina...
- Mas e a Megan, Emm? – fiz bico.
- Ufa, até que enfim vamos começar a usar nomes! – ela disse, parecendo aliviada. Ri baixo – O que tem ela? Ela é só um peão nessa história toda. Tenho certeza de que se você conversar com ele direito e disser o que me disse, ele a larga sem pensar duas vezes.
- Mas também nem sei se quero isso. Ela está tão feliz.
- E ela lá ligou de jogar areia nessa sua fogueira? – parecia um pouco irritada, apesar de ter razão – E também... É isso que você quer para a sua prima? Que ela fique com um cara que não gosta dela?
- Não – disse sincera – Apesar de tudo, amo a Megan e quero o bem dela. Mas também não posso garantir que o Justin me ame...
- Há! – Emma gargalhou – Só você então. Porque todo mundo sabe desde a sexta série que ele é louco por você.
- Sabem? – perguntei perplexa – Como não vi isso?
- Talvez estivesse ocupada demais procurando o amor em outras pessoas.
- Mas e agora, Emm? – aumentei o tom da voz – Isso está me dando medo. Eu nunca tinha amado ninguém na vida e eu o amoMuito.
- Eu já sabia – sorriu vitoriosa. Fiz minha cara de confusa, como se dissesse "se nem eu sabia como você...?" – Percebi naquela brincadeira da garrafa. Sua cara de quem ia matar dois vendo o Justin e a Megan se agarrarem. Depois eu confirmei a minha hipótese quando fui buscar minha máquina fotográfica no segundo dia de viagem... – minha bochecha ficou rubra.
- O que você viu? – perguntei devagar e quase de modo robótico.
- Muita coisa – ela estreitou os olhos – Pode ter certeza. Mas tranqüilo. Ouvi nada.
- Você ficou lá por quanto tempo? – meu queixo caiu. Não acreditava que tínhamos sido flagrados.
- Ih, minha filha. Calma. A ordem dos acontecimentos foi a seguinte: entrei, vi, vazei. Só isso.
- E por que não veio falar comigo depois?
- Porque eu confiava que você ia me procurar – seu sorriso me contagiou.
- Aqui estou eu – ri baixo – Você pode procurar saber para mim se as coisas entre eles estão ficando sérias? Porque se estiverem, nem me meto...
- Claro que não estão ficando sérias – revirou os olhos – É só o passatempo dele. Mas ainda assim, procuro me informar.
- Ótimo – senti como se tivesse tirado um peso de cima de mim. Eu amava o Justin. Mais que tudo. E isso não cabia apenas dentro de mim. Precisava compartilhar com alguém.
- Mas e o papinho de: "aí vai estragar a amizade" – ela fez voz afetada.
- Nossa amizade nunca mais seria a mesma mesmo – balancei os ombros – E acho que eu não permitiria que fosse.
SoHo, Manhattan, minha casa, 4 de abril. Nove e meia da manhã.
"Say ain't so. I will not go.
Turn the lights off. Carry me home.
Na, na, na, na, na, na, na, na, na!"
Meu celular tocava e eu ainda tentava persistir no meu sono. Acabei me dando por vencida e segurando o aparelho situado no meu criado-mudo.
"Emma."
- Alô? – murmurei.
- Mad! – ela disse bem humorada – Adivinhe!
- Diga.
- Vou interrogar o Justin hoje – parecia animada – Mas nada escancarado. Vou fazer de tudo para que pareça uma abordagem casual.
- O que vai perguntar a ele?
- "E aí, como andam as coisas com a Megan? Parece que está ficando sério, hein..." – rolei os olhos.
- Acha que isso vai dar certo?
- Certeza. Vou fingir que fui ao restaurante do pai dele no único dia que ele trabalha lá por acaso. Fingir que eu nem sabia – fez uma pequena pausa – Sou uma gênia.
- Obrigada.
- Mais tarde retorno e conto como foi. Ok?
- Ok

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

15° capitulo-Eu te quero



SoHo, minha casa, 1 de março. Oito e meia da noite.
- Madson! – minha mãe gritou do corredor.
Eu estava no meu quarto, tentando fazer os exercícios de literatura.
- Oi – respondi no mesmo tom.
- Megan no telefone!
- Pode deixar – peguei o telefone apoiado na mesa de cabeceira da cama. Um telefonema da Megan era incomum, já que eu não recebia um desses desde a oitava série. Perguntei-me sobre do que se trataria – Alô?
- Mad! – disse empolgada do outro lado da linha.
- Meg.
- Você não vai acreditar. Ganhei um concurso de beleza aqui na Califórnia!
- Nisso acredito – disse sincera.
- Não estou falando disso, sua boba – ela riu baixo – Estou dizendo que o prêmio foi uma viagem com mais quatro amigos para o Midtown's Inn em Miami.
- SÉRIO?!
- Uhum. Eu estava pensando no quanto gostei daquela viagem para a pousada da tia Joanne – imagino – E decidi chamar as mesmas pessoas que foram.
- Mas, Megan... - pensei um pouco – Somos mais do que quatro.
- Eu sei – ela disse simplesmente – Por isso pensei em todos pagarem uma parte para os outros dois irem – fez uma pequena pausa – Cassie e Andrew visitarão os parentes dela no Mississípi.
- Como você...?
- E aí, topa? É no dia dezessete, bem no feriado.
- Claro – respondi depressa – Vou ligar para o Justin para avisar.
- Não precisa – falou tranquila – Já fiz isso.
Dentro do avião, sobrevoando não sei onde, 17 de março. Onze e meia da manhã.
Eram duas horas de viagem de Manhattan até Miami. Estava sentada perto da janela, ao lado do Justin. Megan e Chaz estavam sentados juntos e Liv também. Emma estava sentada ao lado de um senhor de idade. Estava me sentindo mareada.
- Mad... – Justin me chamou. Olhei para o lado – Está tudo bem? Você está me parecendo meio verde...
- Estou bem, Justin – respondi – Talvez só um pouco enjoada.
- Vai passar – tentou me acalmar – Qualquer coisa é só pegar o saquinho – pegou a pequena sacola de plástico que estava na frente de sua cadeira e simulou que vomitava, fazendo-me rir.
- Sempre enjoei quando entrava em aviões – lembrei-me – Meu pai me colocava no colo para o enjoo passar – sorri levemente - O carinho me fazia esquecer de que eu estava passando mal.
Justin mordeu o lábio inferior, enquanto pousava a mão devagar sobre a minha e entrelaçava nossos dedos. Meu coração descompassou um pouco ao vê-lo fazer isso, mas firmei nossas mãos, fazendo-o segurar um sorriso.
- Sinto muito... Não posso colocar você no colo.
- Seria meio esquisito mesmo – ri baixo – Mas assim está bom – encostei a cabeça ao seu ombro e ele tombou a sua por cima da minha.
- É... Está bom. – concordou em meio a um suspiro.
- Acorde, casal maravilha! – Chris disse, fazendo-me abrir os olhos com dificuldade.
- Droga, Chris – Justin disse mal humorado, passando a mão no rosto. Ainda estávamos com os dedos entrelaçados e todos os outros passageiros do avião (com exceção de nossos amigos) já tinham saído.
Quando percebi que estávamos sendo observados por todos, recolhi minha mão depressa, deixando a dele ainda parada no assento.
- Já chegamos? – perguntei, situando-me no local.
- O que você acha? – Megan revirou os olhos.
- Vamos sair logo – Justin levantou-se, pegando a sua mala e a minha, sendo observado por minha prima em seus movimentos.
Saindo do avião, fomos pegos na porta do aeroporto pela van fretada pelo concurso de beleza e levados até o hotel Midtown's Inn. O hotel não era extraordinário, mas bonito. Tinha piscina e vista para o mar (tudo o que nós precisávamos). A divisão do quarto seria feita de forma que os meninos ficassem em um quarto e as meninas em outro.
- São dois quartos com duas camas de casal cada – Megan explicou.
- Durmo na cama de casal com o Justin – Chaz disse, abraçando o amigo de uma forma meio gay (mesmo que de brincadeira).
- Saia fora – Justin deteve-o pelas bochechas, já que fazia biquinho para "beijá-lo" – Durmo sozinho em uma cama de casal – declarou.
- Acho justo que fizéssemos um sorteio – Chris propôs abraçado com Liv – Também não quero dormir com algum de vocês dois.
- Tem medo de se envolver demais, Christian? – Chaz fez uma voz feminina, fazendo todos gargalharem. Inclusive ele mesmo.
- Nada disso, seu gay – Chris disse de brincadeira, rolando os olhos.
- E que sorteio a gente faz? – Justin perguntou, suspirando.
- Dois ou um? – Christian sugeriu.
- Só se for agora.
Os meninos jogaram e acabou que o Christian se livrou de uma noite a dois.
- 'Ta – Liv disse, virando-se para as meninas que olhavam aquilo tudo com cara de paisagem – Quem vai dormir com quem?
- Mad – Emma abraçou-me.
Dei risada.
- Ok, Meg – Liv olhou-a – Eu e você então.
- Por mim, tudo bem.
Midtown's Inn, Miami, 17 de março. Duas da tarde.
Deixamos a bagagem no quarto e nos dirigimos para a piscina, logo em seguida. Tínhamos decidido comer alguma coisa por lá enquanto aproveitávamos o sol que ainda tinha. Estava muito quente.
Eu usava uma saída de praia azul por cima do biquíni e saía do quarto um pouco encolhida junto com a Emma.
- Vou fingir que não vi – ela disse para mim.
Liv e Megan já estavam na piscina, no andar de baixo, com os meninos.
- Vai fingir que não viu o quê?
- Você e o Justin no avião – sorriu leve e seguiu, andando na minha frente.
- Pule na piscina, princesa! – Chaz gritou de dentro da água assim que me viu.
Abracei meu corpo, sem graça.
Chaz, Justin, Chris e Liv já estavam na piscina. Megan estava com um chapéu de praia grande e óculos escuros, sentada na espreguiçadeira e passando protetor solar.
- Alguém já pediu batata frita? – Emma perguntou, jogando as coisas dela na espreguiçadeira ao lado da de Megan.
- Pensei que você estivesse fazendo dieta – Chris disse.
- Obrigada por ser tão direto – ela revirou os olhos e Liv riu – Eu estava, mas a graça da dieta é que quando se consegue um corpo maravilhoso você pode estragá-lo – balançou os ombros.
- Você já conseguiu o corpo maravilhoso, Mad? – Justin perguntou, fazendo referência à minha dieta.
- Claro que não. Você sabe que estraguei minha dieta várias e várias vezes com o Burger King – coloquei as mãos na cintura.
- Ah, é.
- Mas você não engordou – Liv fez a observação.
- É de ruim mesmo – Justin completou, fazendo-me chegar perto da piscina e mandar água nele com o pé. O garoto riu – E por que você não entra?
- Tenho vergonha.
- De quê?
- É, Mas – Chris concordou – Se é do seu corpo, fique tranquila. A Liv tem essa barriguinha aqui e nem por isso deixei de achá-la linda – Liv deu um tapa de leve em seu braço, fazendo-o rir.
- Você está brincando com o perigo, amor – ela ameaçou – Sério.
- Medo – Chris, Justin e Chaz disseram em coro.
Eu e Emma gargalhamos.
- Bem, se você não vai entrar, Mad... – Emma disse – Eu vou.
Tirou sua saída de praia, já se jogando na água.
- Venha, Mad – ela berrou para mim – A água está ótima!
- Não, Emm – falei, sentando-me na espreguiçadeira. Megan mandava mensagem pra alguém pelo celular – Tenho vergonha – besteira? Não acho. De todas ali, eu era a menos "desenvolvida".
- Se você não vier... – Justin disse, apoiando o corpo nas mãos e colocando o joelho para fora da piscina – Vou aí buscar.
- Você não teria coragem – falei em meio a uma risada, levantando-me apressada da espreguiçadeira. Megan levantou os óculos como se para analisar o Justin de short.
- Então você não me conhece.
Justin começou a correr atrás de mim. Dei um grito curto e esganiçado antes de começar a correr em volta da piscina também, fazendo todos os outros hóspedes notarem a nossa presença.
- Pare, Justin! – gritei, rindo e correndo.
- Não. Eu disse que ia buscar você – sua voz estava cada vez mais próxima.
Eu sempre tinha sido mais rápida na infância, mas alguma coisa tinha mudado, já que ele estava cada vez mais perto e eu, conseguindo correr menos. Talvez tivéssemos apenas amadurecido.
- Pare, Justin! – gritei novamente, sentindo-o me agarrar pela cintura e me puxar para perto. Eu ria, enquanto ele segurava meus braços por trás e molhava as minhas costas.
- Venha cá – estava se divertindo.
- Não – debatia-me, tentando sair dos seus braços.
- Então 'ta – colocou a mão esquerda rapidamente por baixo das minhas pernas, carregando-me.
- Justin, por favor, não! – eu ria, enquanto batia as minhas pernas, apesar de no fundo não fazer questão de ser solta. Ele andava na direção de onde nossos amigos estavam.
- Tampe o nariz – avisou, chegando perto de Chaz e pulando na piscina comigo no colo.
- Droga, Justin – tirei o meu cabelo molhado do rosto.
- Eu disse que eu ia buscar você – sorriu vitorioso, colocando-me de pé.
- Acho que também vou entrar – Megan anunciou, tirando seu roupão e fazendo todos (menos a Lively e o Christian, que tinham coisas mais interessantes a fazer) olharem. Ela tinha as curvas perfeitas e claro que o Chaz e o Justin não puderam deixar de notar.
Ficamos o dia inteiro na piscina, brincando de coisas inúteis - aquelas que animam todo mundo, como briga de galo, vôlei... Só mais à noite que saímos para jantar.
Os dias podiam ser sempre assim: divertidos.
Midtown's Inn, Miami, 18 de março. Três e quinze da tarde, aproximadamente.
Eu e o Justin estávamos sentados com as pernas esticadas ao longo da minha cama na pousada, olhando o álbum de fotografias da sétima série que eu, acidentalmente, tinha trazido junto com as minhas coisas da viagem. A proximidade entre nós dois era estranha. Eu sentia o calor do corpo do Justin e isso me fazia ter vontade de tocá-lo, mesmo que fosse uma atitude idiota. Logo, eu me continha.
Todos os outros deviam estar na praia ou aproveitando os recursos do hotel, como, por exemplo, a piscina. Enquanto isso, eu e o Justin tínhamos preferido ficar no quarto e olhar as fotos.
- Você se lembra disso, Mad? – ele disse animado, olhando para uma das fotos em que estava com um anzol na mão e eu ao lado, com cara de nojo.
- Lembro – dei uma risada baixa – A pescaria de verão. Você arrancou o olho do peixe – o garoto riu.
- Você quase teve um ataque de nervos – ainda estava rindo.
- Foi uma das coisas mais nojentas que já vi na vida.
- E o dia em que você foi parar no banheiro masculino por aciden...
- Esse também entra na lista – falei rápido antes que continuasse. Ele soltou a gargalhada, seguido por mim.
- Tantas lembranças boas... – disse, parando de rir.
- É. Muitas – concordei, olhando para a parede em frente – Lembra-se de que você tinha a sua manta da sorte? – ri baixo.
Ele levantou as sobrancelhas.
- Lembra-se de que eu disse... – virou-se para mim devagar – Que se você se lembrasse disso eu ia matá-la? – fez as mãos ficarem como garras.
- Ah, não, Justin – ri, prevendo direitinho o que ele ia fazer.
Aliás, o que ele sempre fazia quando fazia aquele gesto.
- Ah, sim, Madson – fez cara de mau, começando a fazer cócegas na minha barriga.
- Pare, Justin! – gritei em vão. Ele continuava me fazendo cócegas, enquanto eu ria escandalosamente.
- Não, Mad – também ria – Isso é o que você ganha por se lembrar de coisas que já enterrei.
- Não, Justin! – pedia quase sem fôlego, tentando segurar as mãos dele.
- Você não vai conseguir segurar minhas mãos. Desista – debatia-me.
- Pare!
Por fim, como que num ato quase involuntário para me livrar das cócegas, empurrei o Justin. Não previa que ele ia cair entre a cama e o criado-mudo e nem que ia gritar uma palavra tão malcriada, mas foi o que aconteceu.
- Justin! – chamei-o preocupada, ajoelhando-me na cama e olhando baixo para ver o que tinha acontecido.
- Mad... – murmurou, olhando para cima e fazendo careta – Lembre-me de nunca mais mexer com você – dei risada.
- Pode deixar. Acho que você vai se lembrar – sorri – Você se machucou?
- Não – assentou-se no chão, fazendo-me sentar na cama também – Só meu ombro que está ardendo um pouco, mas acho que não foi... – olhou o ombro direito que provavelmente tinha batido na quina do criado-mudo. Segui o seu olhar. Tinha uma mancha escura por baixo da blusa azul – Droga – ficou de pé – Sangue?
- Deixe-me v... – antes que eu terminasse minha frase "prestativa", Justin segurou a camisa por baixo e a tirou, fazendo minha barriga esfriar discretamente e eu me esquecer do que ia falar.
- Ah – voltou a olhar o ombro – Foi só um arranhão.
- Deixe-me ver – suspirei, lembrando-me do que ia falar pouco antes de ser interrompida. Ajoelhei-me na cama novamente para ficar mais alta. Justin virou o lugar machucado para mim.
Claro que olhar para o ombro dele enquanto o menino estava sem camisa era uma tarefa um pouco mais difícil, mas nada que tenha me impedido. Tinha feito um corte longo, apesar de superficial, que agora sangrava.
- É só lavar – deu de ombros.
- Enquanto você lava, eu pego o anti-séptico – levantei-me, ficando de frente para ele.
- Anti quem? – juntou as sobrancelhas.
- Anti-séptico, Justin – expliquei – É o que as pessoas usam para evitar que uma ferida inflame.
- Que frescura, Madson – falou impaciente – Isso aqui foi só um arranhão.
- Melhor prevenir do que remediar.
- Nunca inflamei nada. Não vai ser agora que isso vai acontecer – olhava-me como se me chamasse de "patética" ou simplesmente "fresca".
- Estou me sentindo culpada pelo arranhão – esbocei minha cara manhosa – Deixe-me cuidar de você – fiz biquinho.
Ele riu.
- Vá lá – rolou os olhos.
- Obrigada – sorri, indo em direção ao armário na frente da cama, enquanto o via virar de costas e ir até o banheiro.
Antes que eu pudesse chegar às gavetas, tropecei na mala de couro marrom de Emma. Topar meu dedão com uma coisa dura lá dentro me fez deduzir que ela tinha esquecido a máquina fotográfica no quarto. Avoada como sempre...
Remexi nas primeiras gavetas, só tendo sinais das maquiagens da Megan (maioria ali eu não tinha nem ideia de como se usava). Puxei por fim a terceira gaveta, ouvindo um barulho por trás de mim. Provavelmente o Justin voltando do banheiro.
O anti-séptico estava jogado no fundo. Estiquei minha mão, ainda dando uma olhada na embalagem para me certificar de que era o produto certo. De repente, senti calor nas minhas costas, como se tivesse alguém parado atrás de mim.
- Olhe, peguei o... – falei, virando-me com o remédio nas mãos.
Não tive tempo para perceber muita coisa. Virei-me, dando de cara com os olhos do Justin bem atrás de mim, que apoiou as mãos no armário à minha volta e pressionou seu quadril contra o meu, encostando nossas testas e me fazendo prender o ar por um momento.
- Justin, mas o que vo...? – fui interrompida por ele juntando nossos lábios rapidamente duas vezes – Justin! – exclamei, expirando – O que você está fazendo.
Ele olhava fixamente para a minha boca, como se nem tivesse ouvido o que eu tinha acabado de falar.
- Shiu... – sussurrou, encostando o peito nu bem definido ao meu.
- O que você está fazendo? – segui seu tom, olhando-o nos olhos. 
- Cale a boca, Madson – encostou nossos narizes.
- Por quê? – olhei para os lados, deixando claro que eu estava entendendo nada.
- Porque senão você estraga – pressionou mais ainda nossos corpos, fazendo com que eu perdesse o ar.
- Estrago o quê...? – voltou a colocar a boca na minha, dessa vez permitindo o contanto das nossas línguas e fazendo com que eu soltasse o remédio, pousando minhas mãos devagar em seus ombros.
Justin deslizou as mãos no armário de gavetas até minha cintura e subi a minha mão esquerda até a sua nuca. Eu estava permitindo que aquele beijo acontecesse. Aquele que começou sendo devagar, mas ia adquirindo cada vez mais velocidade e intensidade. Isso me dava medo, apesar de que eu não era capaz de impedi-lo. Apertou as mãos na minha cintura e enrosquei as minhas em seus cabelos, fazendo-o expirar mais depressa.
Depois que meu coração já estava acelerado o bastante e minha boca formigando, resolvi partir o beijo.
- Mad... – sussurrou, tentando voltar a encostar a boca na minha. Puxei-o para trás pelos cabelos de leve. Estávamos ofegantes – Que foi? – olhou-me, tentando se situar no local.
- O que você está fazendo? – perguntei baixo, olhando-o nos olhos. Voltou a encostar nossas testas.
- Mad... - disse no mesmo tom que eu – Eu te quero.
- Quê? – estava confusa, sem saber se tinha ouvido direito – Você não está falando coisa com... – colocou o indicador em cima dos meus lábios, impedindo-me de continuar a fala.
- Eu estou... – deu ênfase –Falando coisa com coisa.
- Mas... – tentei falar alguma coisa, mas não continuei a frase.
- Chega de fingir que não aconteceu o que aconteceu - tirou o dedo da minha boca, pousando a mão direita suavemente no meu rosto – Estou aqui. Certo? - consenti – O mesmo palhaço de sempre, o mesmo medroso de sempre, que pelo menos uma vez na vida gostaria de ter a coragem para dizer à garota mais maravilhosa que já conheceu o quanto ele a quer – voltou a encostar os nossos narizes – Por isso repito: eu quero você,Madson.
- Justin, eu... – minhas pernas estavam bambas. Não sabia o que responder. Pelo menos uma vez na vida eu gostaria de ser sincera sobre o que eu sentia, mas aí vinham as imagens da minha amizade com o Justin desde a infância e tudo se misturava na minha cabeça.
- Sei que você sente o mesmo – falou baixo – Então para que fingir? – juntou os nossos lábios novamente e, dessa vez, separei-nos.
- Pare, Justin – sussurrei quase como uma súplica.
Meus olhos estavam começando a arder e meu medo de acabar com a nossa amizade só aumentava.
- Sei que você gostou – ele disse, passando o nariz no meu devagar.
- Pare, Justin... – pedi novamente. Minha vista estava começando a ficar embaçada.
- Por favor, Madson – afastou um pouco nossos rostos, olhando-me nos olhos – Não faça isso – a súplica agora foi dele.
- Justin... – tentei voltar a falar – Eu não... – parei.
- Você não sente o mesmo, Mad? É isso? – seus olhos transpareceram mágoa.
Olhei rapidamente para baixo para não ter que encará-lo, deixando uma lágrima escorrer.
- É... – deixei mais duas rolarem.
- Então fale isso olhando nos meus olhos – sua voz falhou e afrouxou a mão na minha cintura – Fale, Mad – pediu novamente – Quero ouvir – eu estava um pouco mole, ainda sem conseguir olhar para o seu rosto, e rezando para que ele desistisse desse pedido – Quero ouvir porque aí sim vou saber que fiz tudo que pude.
- Justin... – encarei seus olhos tristes. Minha boca estava tremendo – Eu não... – não acreditava no que eu estava prestes a falar, mas talvez fosse a única maneira de salvar a amizade que levamos tanto tempo para construir – Não sinto o mesmo – olhou-me por mais um momento, deixando uma lágrima solitária escapar, mas logo em seguida tirando a mão da minha cintura e a enxugando com o braço.
- Então 'ta - disse simplesmente - Melhor eu ir embora.
Deu as costas devagar, sem nem voltar a me olhar. Abriu a porta do quarto bruscamente e a bateu, deixando-me sozinha. Olhei para os móveis do quarto um por um antes de me permitir escorregar as costas no armário, abraçar os joelhos e começar a chorar.
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cara essa Madson é mesmo uma boba, como ela pode ter dito não á ele cara? ai to morrendo kk continuo?