Midtown's Inn, Miami, 18 de março. Sete horas da noite.
- Desculpem o atraso, gente – eu disse, chegando à mesa de jantar.
Tinha passado a tarde inteira chorando no quarto, mas esperava que o lápis de olho tivesse escondido um pouco meus olhos inchados.
- Onde você ficou o dia todo? – Liv perguntou preocupada.
- Estava com um pouco de cólica. Só isso – menti. Todos me olhavam, menos o Justin, que nem desviou o olhar de seu prato enquanto eu estava lá.
- Você podia ter me avisado – Megan falou – Eu tinha um remédio ótimo para isso na mala.
- É, eu devia mesmo ter avisado você – suspirei, puxando a cadeira para mim mesma e me sentando.
Emma desviava o olhar de mim para o garoto aparentemente irritado a algumas cadeiras dela.
- Princesa! - Chaz disse animado – Você não sabe o que fizemos hoje!
- O quê?
- Fomos àquele lago. Sabe? Que tem aqui perto – começou a explicar – Fomos pescar.
- A pesca foi boa? – perguntei, apesar de minha voz transparecer chateação.
- Foi ótima! O anzol do Chris arrebentou – e disse, apontando para o amigo e rindo baixo.
- O que posso fazer se fisguei o maior peixe?! – Chris disse, estufando o peito.
- Ainda continuo com a teoria de que você fisgou um tronco – Lively disse, fazendo quase todos rirem. Minha risada foi murcha e o Justin nem riu.
Midtown's Inn, Miami, 19 de março. Oito e meia da noite.
O dia tinha sido sem graça, na minha perspectiva. Para todos os outros tinha sido um dia normal, menos para o Justin e a Megan, que pareceram se divertir como nunca. Talvez fosse para me fazer raiva. Emma também parecia um pouco mais quieta, como se analisasse alguma coisa.
Tínhamos jantado ao ar livre e agora estávamos apenas sentados e conversando. Justin estava sentado ao lado de Megan, que ria de qualquer bobagem que ele falava só para ela.
- Princesa – Chaz cochichou para mim.
- Oi – respondi no mesmo tom.
Os outros nem perceberam.
- Posso lhe fazer uma pergunta?
- Diga.
- Você acha... – ele aproximou os lábios do meu ouvido – Que a Meg ficaria com o Justin?
Fiquei ereta, um pouco assustada com a pergunta. Se ele estava perguntando isso, devia ser porque o Justin pretendia... Ficar com a Megan?
Olhei para os dois com um olhar um tanto ferido. Ele falava coisas no ouvido dela e ela parecia gostar. Por fim, o menino pediu licença para todos e se levantou, segurando a mão da minha prima. Meu estômago embrulhou. Megan se levantou também e os dois começaram a andar para fora do restaurante.
- Isso aí, hein, Justin – Chris gritou, desviava seus olhos do casal para mim, como se estivesse entendendo nada.
Eles pararam de andar próximo à entrada do hotel, ainda à vista de todos. Megan se encostou à parede e o Justin colocou seus braços em volta dela, juntando seus lábios e fazendo minha prima o abraçar pelos ombros. A sensação que eu tinha era de que alguém estava socando o meu estômago. Mas ao invés de alguma coisa querer passar pela minha garganta e sair pela minha boca, ameaçava sair pelos meus olhos. Segurei o choro, sem conseguir tirar meus olhos da cena.
- Mad... – Emma disse, olhando-me com olhos compreensivos.
- Emm, eu... – tentei falar algo, mas não quis completar a frase.
Os dois ainda se beijavam e meu coração ainda estava apertado.
Levantei-me da mesa, sem dar satisfações ou pensar duas vezes, e fui para o quarto apressada, enterrando minha cara no travesseiro e soltando o choro que eu tanto tentava prender.
Levantei-me da mesa, sem dar satisfações ou pensar duas vezes, e fui para o quarto apressada, enterrando minha cara no travesseiro e soltando o choro que eu tanto tentava prender.
Midtown's Inn, Miami, 20 de março. Dez e meia da manhã.
Nem sei que horas eu tinha ido dormir no dia anterior. Nem sei que horas minhas colegas entraram no quarto. Só sei que chorei por um tempo e acho que foi aí que fui embalada no sono. Um sono pesado e sem sonhos.
Estávamos na praia. Coloquei minha saída de praia verde, um chapéu de praia e novamente fiz uso do lápis escuro para esconder o inchaço dos meus olhos. Justin não tinha dirigido nem uma palavra a mim desde aquele incidente no quarto. Mentira. Ele tinha dito: "passe a manteiga" no café da manhã.
Todos pareceram estranhar um pouco, menos Megan, que estava extasiada, e Emma, que parecia estranhar muito, e não pouco.
- ''Jus'' – Megan chamou – Passa o protetor nas minhas costas?
- Claro, Meg – ele sorriu, apresentando-se prontamente e pegando o filtro solar.
Soltei um suspiro e olhei para o lado, enquanto ele fazia isso.
- Quer que eu passe nas suas também? – ela perguntou, virando-se para ele.
- Não tenho costume de passar protetor... Mas já que é você – o garoto alargou o sorriso.
Quase enjoei. Ele tinha concordado, sem chamá-la de fresca e nem nada.
- Alguém está sentindo o cheiro de tinta? – Chris disse em tom de brincadeira – Porque está pintando um clima – fez um "U" com o polegar e o dedo indicador e girou o pulso, como se perguntasse "entenderam?".
Revirei os olhos. Megan riu.
- Venha, Justin – ela disse, segurando a sua mão – Vamos nadar – o rapaz correspondeu, segurando a mão dela e andando em direção ao mar. Encolhi os ombros.
- Até que eles formam um casal bonito – Lively disse, observando os dois entrando na água.
- Não acho – Emma disse com o semblante sério.
Midtown's Inn, Miami, 20 de março, sete e quinze da noite.
- Boa noite – Justin disse, chegando à mesa de jantar de mãos dadas com a Megan.
Olhei os dois rapidamente e depois desviei meu olhar para o garçom (como se fosse mais interessante).
- Explique uma coisa – Lively disse, virando-se para o casal – Vocês estão namorando, ficando, ou o quê?
- Ficando – Justin respondeu, dando de ombros.
- Por enquanto – Megan completou, desentrelaçando suas mãos e abraçando-o pela cintura.
O garoto colocou o braço por cima de seus ombros, dando um sorriso satisfeito. Olhei prara baixo.
- Você é linda, sabia? – ele murmurou, fazendo Meg gemer um "hm". não olhei, mas eu sabia que eles estavam se beijando nessa hora.
Depois do jantar, como de costume, ficamos conversando na mesa. Eu tinha ido ao banheiro por alguns instantes. quando voltei, notei a cadeira do lado de Megan vazia.
- Aonde o Justin foi? – perguntei automaticamente.
- Ele está na varanda do restaurante – Emma disse, apontando.
- Foi ligar para o pai dele – Megan completou secamente.
- Ah... – eu ainda estava em pé, segurando no encosto da cadeira – Com licença.
Soltei o encosto, dirigindo-me para a suposta varanda. Sabia que a Megan não tinha gostado da minha atitude, mas Emma tinha impedido-a de se levantar.
- Sei, pai – Justin respondia ao celular de costas para mim. Apenas nós estávamos no local – Claro que não! O que você acha que estou fazendo aqui? – deu uma gargalhada – E o senhor? Está se cuidando? Tomou todos os remédios...? É, pai. Acho que vou ter que desligar agora – fez uma pequena pausa e deu um sorriso leve – Também amo o senhor – desligou o celular.
- Justin...? – chamei, aproximando-me.
- Ah, é você – respondeu, sem me olhar nos olhos.
- É, sou eu. Preciso falar com você.
- Sou todo ouvidos – cruzou os braços atrás da cabeça.
- Eu... – ok, eu não sabia por onde começar – Quero que pare – disse por fim.
Ele levantou as sobrancelhas.
- Quer que eu pare com o que, exatamente?
- Quero que pare de ficar com a Megan – disse baixo e devagar para que ficasse nenhuma dúvida do que eu tinha dito. Apesar de que eu não fazia idéia do porquê eu estava dizendo isso.
- Uau – ele disse simplesmente, olhando-me nos olhos (até que enfim) e descruzando os braços – Por que está me pedindo isso?
- Não sei.
- Então não – deu de ombros.
- 'Ta, calma – respondi depressa.
- Dê-me um bom motivo.
- Acho injusto com ela – disse a primeira coisa que me veio à cabeça.
- Acha injusto o quê? – juntou as sobrancelhas.
- Acho injusto que você fique com ela depois de me falar aquelas coi...
- Ei, calma lá – interrompeu-me, levantando as duas mãos - Você mesma disse que não sentia o mesmo.
- Eu disse, mas... – engoli a própria fala.
Ele relaxou as sobrancelhas.
- Mas o que, Mad? – disse falho.
- Mas... – meu queixo tremeu – Mas é injusto com ela que você só esteja fazendo isso para me passar raiva – falei de uma vez, sem antes parar para pensar.
Só queria arrumar um motivo para eles pararem. Só isso.
- QUÊ?! – sua voz ficou até um pouco aguda quando disse isso – Passar raiva em você? Madson... – suspirou impaciente – Não vou parar a minha vida por sua causa – deixou-me sem reação e depois foi andando em direção à mesa. Fiquei sozinha, apenas sentindo o frio do vento no meu rosto e o mesmo efeito daquelas palavras em meu coração.
SoHo, Manhattan, minha casa, 31 de março. Sete horas da noite.
Era quarta-feira. Já fazia um tempo que tínhamos voltado da viagem, mas eu não conseguia tirar o acontecido da cabeça. Talvez fosse porque a minha prima...
- MAD! – ela gritou do quarto ao lado.
Depois que tinha começado a ficar com o Justin na viagem, Megan tinha decidido dar uma desculpa esfarrapada para a sua universidade para que pudesse ficar duas semanas em Manhattan sem ninguém estranhar.
- QUE É?! – devolvi no mesmo tom.
Estava tentando fazer algum cálculo matemático no exercício, jogada na cadeira em frente à escrivaninha no meu quarto.
- Onde você guarda a sua chapinha? – ela apareceu na porta com os cabelos molhados.
- Aonde você vai? – levantei uma sobrancelha.
- Na boate do Harlem – revirou os olhos como se fosse óbvio.
- Vai com o Justin? – perguntei baixo.
- O que você acha? – entrou no meu quarto com um vestido verde, já se dirigindo para abrir o armário – Onde está?
- No banheiro – respondi, voltando a olhar as minhas folhas de fichário – Que horas volta? – perguntei, tentando não parecer tão interessada.
- Não sei – respondeu sincera – Talvez não volte hoje... – sério. Se eu estivesse bebendo alguma coisa, com certeza teria engasgado.
- Não volta hoje? – praticamente soletrei a frase.
- É – ela respondeu tranqüila – Mas eu não sei. O Justin é um pouco devagar para essas coisas – adentrou o meu banheiro, dando uma pequena pausa na fala – Você me empresta o seu relógio?
- Todo seu – suspirei derrotada.
Ouvi duas buzinas que eu conhecia bem do lado de fora da minha casa. Meus pais estavam até um pouco felizes da Megan estar com o Justin. Gostavam dele e achavam bom que a Meg ficasse com um menino assim. Larguei meu lápis, indo em direção à janela e olhando o carro estacionado. O bom e velho Starfire.
Justin olhou para casa, avistando-me na janela e fazendo com que nosso olhar se cruzasse por um breve momento, até que Megan abriu a porta e caminhou decidida até o carro. Ela usava um vestido verde e salto alto. Detesto admitir, mas minha prima estava mais linda do que nunca. Assim que ela entrou no Starfire, ele a beijou, fazendo-me colocar a cabeça para dentro de casa e parar de olhar.
Apesar de já ter se passado um tempo que eles estavam assim, não conseguia me acostumar. Sempre que eu os via juntos, era como se eu estivesse sendo ferida e meus olhos começavam a arder. Talvez ele estivesse mesmo gostando da Megan. Também... Por que não gostaria? Ela era linda, maravilhosa, "gostosona". Tinha tudo para encantá-lo. Aliás, qualquer um.
Joguei-me na cama, sem pensar mais no exercício de matemática. Antes que eu pudesse deixar qualquer lágrima rolar, peguei o telefone na minha cabeceira.
Washington Square Park, Manhattan, 2 de abril. Duas da tarde.
- Mad! – Emma gritou, vindo apressada em minha direção. Eu estava sentada num banco de madeira, segurando minhas mãos e devia parecer desconfortável, o que eu, de fato, estava – Desculpe-me por não ter podido me encontrar com você ontem. Minha família tem uma tradição de festas no primeiro de abril. Mas então... O que foi?Você me ligou. Parecia tão urgente...
- Não é tão urgente assim, Emm – sorri leve para ela.
- E aí? – ela se sentou ao meu lado – Sobre o que quer falar?
- Não sei – respondi sincera.
- Tudo bem – falou paciente, dando uma pequena pausa em seguida – Mas acho que esse "não sei" tem nome e sobrenome...
- Emm, é só que... – tentei achar palavras para falar o que eu queria – Tenho uma amiga... – comecei.
- Compreendo.
- O nome dela não importa agora. Essa minha amiga... – dei ênfase na palavra. Não era o meu jeito favorito de contar as coisas, mas era o que eu estava conseguindo na hora – Tem um amigo.
- Hm, entendo – Emma disse, fingindo estar pensativa – Essa sua amiga, que não é você, tem um amigo – rolei os olhos.
- Exatamente. Eles são amigos desde muito tempo. Desde a infância... – fez sinal para que eu prosseguisse – Mas ultimamente têm acontecido umas coisas...
- Umas coisas tipo...?
- Eles se beijaram – eu disse por fim – O que foi muito ruim porque podia estragar uma amizade que eles levaram muito tempo para construir.
- Ah, mas se eles se beijaram só uma vez, acho que...
- Várias vezes – suspirei.
- 'Ta, aí já muda as coisas – agora ela ficou pensativa de verdade – Quando foi a primeira vez?
- No baile da empresa do meu... Quer dizer, do pai dela – eu olhava para as crianças correndo no parque alguns metros à nossa frente.
Contar as coisas para Emma assim era muito mais fácil.
- E então... O que a sua amiga... – ela também deu ênfase - Quer, exatamente?
- Eles viajaram... – continuei.
- Hm.
- Para o Mississipi – completei – E esse amigo da minha amiga acabou falando umas coisas para ela.
- Que coisas? – ela juntou as sobrancelhas, surpresa.
- Que ele... Bem... Não foi com essas palavras, mas acho que deu a entender que ele gostava dela.
- E ela?
- Ficou sem reação – semicerrei os lábios. Meus olhos ameaçaram a arder, pouco antes que eu continuasse – Tinha muito medo de estragar a amizade. Então ele pediu para ela dizer olhando nos olhos dele que não sentia o mesmo – tinha certeza que meus olhos ficaram vermelhos, lembrando-me disso.
- E o que ela respondeu? – Emma estava ansiosa pelo resto da história.
- Que não sentia. Mais por medo de estragar a amizade – suspirei novamente – E ele começou a ficar com uma conhecida dela – observava minha vista ficar embaçada.
- E no final das contas... Ela sente o mesmo? – Emma me perguntou com olhos serenos.
- Não – minha voz saiu embolada – Ela não é capaz de sentir o mesmo – olhou-me como se estivesse espantada – Ela sente muito mais – deixei uma lágrima rolar, apesar do sorriso disfarçado – Acho que... – solucei – Acho que ela o ama... Tanto que dá até medo – Emma me abraçou pelos ombros – Ela o ama,Emm. Talvez mais do que qualquer outra pessoa no mundo – minhas lágrimas já escorriam sem o meu controle – E ele está com a conhecida dela. O que eu... Minha amiga deveria fazer? - ela ficou um momento em silêncio, apenas ponderando os fatos.
- Antes de mais nada, acho que o Justin precisa ficar sabendo dessa história – a garota deu de ombros.
Desencostei minha cabeça do seu ombro e a olhei.
- Não – respondi fraco – Acho que ele não curte histórias de romance.
- Acho que ele curte – sorriu – Mais do que você imagina...
- Mas e a Megan, Emm? – fiz bico.
- Ufa, até que enfim vamos começar a usar nomes! – ela disse, parecendo aliviada. Ri baixo – O que tem ela? Ela é só um peão nessa história toda. Tenho certeza de que se você conversar com ele direito e disser o que me disse, ele a larga sem pensar duas vezes.
- Mas também nem sei se quero isso. Ela está tão feliz.
- E ela lá ligou de jogar areia nessa sua fogueira? – parecia um pouco irritada, apesar de ter razão – E também... É isso que você quer para a sua prima? Que ela fique com um cara que não gosta dela?
- Não – disse sincera – Apesar de tudo, amo a Megan e quero o bem dela. Mas também não posso garantir que o Justin me ame...
- Há! – Emma gargalhou – Só você então. Porque todo mundo sabe desde a sexta série que ele é louco por você.
- Sabem? – perguntei perplexa – Como não vi isso?
- Talvez estivesse ocupada demais procurando o amor em outras pessoas.
- Mas e agora, Emm? – aumentei o tom da voz – Isso está me dando medo. Eu nunca tinha amado ninguém na vida e eu o amo. Muito.
- Eu já sabia – sorriu vitoriosa. Fiz minha cara de confusa, como se dissesse "se nem eu sabia como você...?" – Percebi naquela brincadeira da garrafa. Sua cara de quem ia matar dois vendo o Justin e a Megan se agarrarem. Depois eu confirmei a minha hipótese quando fui buscar minha máquina fotográfica no segundo dia de viagem... – minha bochecha ficou rubra.
- O que você viu? – perguntei devagar e quase de modo robótico.
- Muita coisa – ela estreitou os olhos – Pode ter certeza. Mas tranqüilo. Ouvi nada.
- Você ficou lá por quanto tempo? – meu queixo caiu. Não acreditava que tínhamos sido flagrados.
- Ih, minha filha. Calma. A ordem dos acontecimentos foi a seguinte: entrei, vi, vazei. Só isso.
- E por que não veio falar comigo depois?
- Porque eu confiava que você ia me procurar – seu sorriso me contagiou.
- Aqui estou eu – ri baixo – Você pode procurar saber para mim se as coisas entre eles estão ficando sérias? Porque se estiverem, nem me meto...
- Claro que não estão ficando sérias – revirou os olhos – É só o passatempo dele. Mas ainda assim, procuro me informar.
- Ótimo – senti como se tivesse tirado um peso de cima de mim. Eu amava o Justin. Mais que tudo. E isso não cabia apenas dentro de mim. Precisava compartilhar com alguém.
- Mas e o papinho de: "aí vai estragar a amizade" – ela fez voz afetada.
- Nossa amizade nunca mais seria a mesma mesmo – balancei os ombros – E acho que eu não permitiria que fosse.
SoHo, Manhattan, minha casa, 4 de abril. Nove e meia da manhã.
"Say ain't so. I will not go.
Turn the lights off. Carry me home.
Na, na, na, na, na, na, na, na, na!"
Turn the lights off. Carry me home.
Na, na, na, na, na, na, na, na, na!"
Meu celular tocava e eu ainda tentava persistir no meu sono. Acabei me dando por vencida e segurando o aparelho situado no meu criado-mudo.
"Emma."
- Alô? – murmurei.
- Mad! – ela disse bem humorada – Adivinhe!
- Diga.
- Vou interrogar o Justin hoje – parecia animada – Mas nada escancarado. Vou fazer de tudo para que pareça uma abordagem casual.
- O que vai perguntar a ele?
- "E aí, como andam as coisas com a Megan? Parece que está ficando sério, hein..." – rolei os olhos.
- Acha que isso vai dar certo?
- Certeza. Vou fingir que fui ao restaurante do pai dele no único dia que ele trabalha lá por acaso. Fingir que eu nem sabia – fez uma pequena pausa – Sou uma gênia.
- Obrigada.
- Mais tarde retorno e conto como foi. Ok?
- Ok
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