segunda-feira, 26 de agosto de 2013

16 ° capitulo- i love Justin


Midtown's Inn, Miami, 18 de março. Sete horas da noite.
- Desculpem o atraso, gente – eu disse, chegando à mesa de jantar.
Tinha passado a tarde inteira chorando no quarto, mas esperava que o lápis de olho tivesse escondido um pouco meus olhos inchados.
- Onde você ficou o dia todo? – Liv perguntou preocupada.
- Estava com um pouco de cólica. Só isso – menti. Todos me olhavam, menos o Justin, que nem desviou o olhar de seu prato enquanto eu estava lá.
- Você podia ter me avisado – Megan falou – Eu tinha um remédio ótimo para isso na mala.
- É, eu devia mesmo ter avisado você – suspirei, puxando a cadeira para mim mesma e me sentando.
Emma desviava o olhar de mim para o garoto aparentemente irritado a algumas cadeiras dela.
- Princesa! - Chaz disse animado – Você não sabe o que fizemos hoje!
- O quê?
- Fomos àquele lago. Sabe? Que tem aqui perto – começou a explicar – Fomos pescar.
- A pesca foi boa? – perguntei, apesar de minha voz transparecer chateação.
- Foi ótima! O anzol do Chris arrebentou – e disse, apontando para o amigo e rindo baixo.
- O que posso fazer se fisguei o maior peixe?! – Chris disse, estufando o peito.
- Ainda continuo com a teoria de que você fisgou um tronco – Lively disse, fazendo quase todos rirem. Minha risada foi murcha e o Justin nem riu.
Midtown's Inn, Miami, 19 de março. Oito e meia da noite.
O dia tinha sido sem graça, na minha perspectiva. Para todos os outros tinha sido um dia normal, menos para o Justin e a Megan, que pareceram se divertir como nunca. Talvez fosse para me fazer raiva. Emma também parecia um pouco mais quieta, como se analisasse alguma coisa.
Tínhamos jantado ao ar livre e agora estávamos apenas sentados e conversando. Justin estava sentado ao lado de Megan, que ria de qualquer bobagem que ele falava só para ela.
- Princesa – Chaz cochichou para mim.
- Oi – respondi no mesmo tom.
Os outros nem perceberam.
- Posso lhe fazer uma pergunta?
- Diga.
- Você acha... – ele aproximou os lábios do meu ouvido – Que a Meg ficaria com o Justin?
Fiquei ereta, um pouco assustada com a pergunta. Se ele estava perguntando isso, devia ser porque o Justin pretendia... Ficar com a Megan?
Olhei para os dois com um olhar um tanto ferido. Ele falava coisas no ouvido dela e ela parecia gostar. Por fim, o menino pediu licença para todos e se levantou, segurando a mão da minha prima. Meu estômago embrulhou. Megan se levantou também e os dois começaram a andar para fora do restaurante.
- Isso aí, hein, Justin – Chris gritou, desviava seus olhos do casal para mim, como se estivesse entendendo nada.
Eles pararam de andar próximo à entrada do hotel, ainda à vista de todos. Megan se encostou à parede e o Justin colocou seus braços em volta dela, juntando seus lábios e fazendo minha prima o abraçar pelos ombros. A sensação que eu tinha era de que alguém estava socando o meu estômago. Mas ao invés de alguma coisa querer passar pela minha garganta e sair pela minha boca, ameaçava sair pelos meus olhos. Segurei o choro, sem conseguir tirar meus olhos da cena.
- Mad... – Emma disse, olhando-me com olhos compreensivos.
- Emm, eu... – tentei falar algo, mas não quis completar a frase.
Os dois ainda se beijavam e meu coração ainda estava apertado.
Levantei-me da mesa, sem dar satisfações ou pensar duas vezes, e fui para o quarto apressada, enterrando minha cara no travesseiro e soltando o choro que eu tanto tentava prender.
Midtown's Inn, Miami, 20 de março. Dez e meia da manhã.
Nem sei que horas eu tinha ido dormir no dia anterior. Nem sei que horas minhas colegas entraram no quarto. Só sei que chorei por um tempo e acho que foi aí que fui embalada no sono. Um sono pesado e sem sonhos.
Estávamos na praia. Coloquei minha saída de praia verde, um chapéu de praia e novamente fiz uso do lápis escuro para esconder o inchaço dos meus olhos. Justin não tinha dirigido nem uma palavra a mim desde aquele incidente no quarto. Mentira. Ele tinha dito: "passe a manteiga" no café da manhã.
Todos pareceram estranhar um pouco, menos Megan, que estava extasiada, e Emma, que parecia estranhar muito, e não pouco.
- ''Jus'' – Megan chamou – Passa o protetor nas minhas costas?
- Claro, Meg – ele sorriu, apresentando-se prontamente e pegando o filtro solar.
Soltei um suspiro e olhei para o lado, enquanto ele fazia isso.
- Quer que eu passe nas suas também? – ela perguntou, virando-se para ele.
- Não tenho costume de passar protetor... Mas já que é você – o garoto alargou o sorriso.
Quase enjoei. Ele tinha concordado, sem chamá-la de fresca e nem nada.
- Alguém está sentindo o cheiro de tinta? – Chris disse em tom de brincadeira – Porque está pintando um clima – fez um "U" com o polegar e o dedo indicador e girou o pulso, como se perguntasse "entenderam?".
Revirei os olhos. Megan riu.
- Venha, Justin – ela disse, segurando a sua mão – Vamos nadar – o rapaz correspondeu, segurando a mão dela e andando em direção ao mar. Encolhi os ombros.
- Até que eles formam um casal bonito – Lively disse, observando os dois entrando na água.
- Não acho – Emma disse com o semblante sério.
Midtown's Inn, Miami, 20 de março, sete e quinze da noite.
- Boa noite – Justin disse, chegando à mesa de jantar de mãos dadas com a Megan.
Olhei os dois rapidamente e depois desviei meu olhar para o garçom (como se fosse mais interessante).
- Explique uma coisa – Lively disse, virando-se para o casal – Vocês estão namorando, ficando, ou o quê?
- Ficando – Justin respondeu, dando de ombros.
- Por enquanto – Megan completou, desentrelaçando suas mãos e abraçando-o pela cintura.
O garoto colocou o braço por cima de seus ombros, dando um sorriso satisfeito. Olhei prara baixo.
- Você é linda, sabia? – ele murmurou, fazendo Meg gemer um "hm". não olhei, mas eu sabia que eles estavam se beijando nessa hora.
Depois do jantar, como de costume, ficamos conversando na mesa. Eu tinha ido ao banheiro por alguns instantes. quando voltei, notei a cadeira do lado de Megan vazia.
- Aonde o Justin foi? – perguntei automaticamente.
- Ele está na varanda do restaurante – Emma disse, apontando.
- Foi ligar para o pai dele – Megan completou secamente.
- Ah... – eu ainda estava em pé, segurando no encosto da cadeira – Com licença.
Soltei o encosto, dirigindo-me para a suposta varanda. Sabia que a Megan não tinha gostado da minha atitude, mas Emma tinha impedido-a de se levantar.
- Sei, pai – Justin respondia ao celular de costas para mim. Apenas nós estávamos no local – Claro que não! O que você acha que estou fazendo aqui? – deu uma gargalhada – E o senhor? Está se cuidando? Tomou todos os remédios...? É, pai. Acho que vou ter que desligar agora – fez uma pequena pausa e deu um sorriso leve – Também amo o senhor – desligou o celular.
- Justin...? – chamei, aproximando-me.
- Ah, é você – respondeu, sem me olhar nos olhos.
- É, sou eu. Preciso falar com você.
- Sou todo ouvidos – cruzou os braços atrás da cabeça.
- Eu... – ok, eu não sabia por onde começar – Quero que pare – disse por fim.
Ele levantou as sobrancelhas.
- Quer que eu pare com o que, exatamente?
- Quero que pare de ficar com a Megan – disse baixo e devagar para que ficasse nenhuma dúvida do que eu tinha dito. Apesar de que eu não fazia idéia do porquê eu estava dizendo isso.
- Uau – ele disse simplesmente, olhando-me nos olhos (até que enfim) e descruzando os braços – Por que está me pedindo isso?
- Não sei.
- Então não – deu de ombros.
- 'Ta, calma – respondi depressa.
- Dê-me um bom motivo.
- Acho injusto com ela – disse a primeira coisa que me veio à cabeça.
- Acha injusto o quê? – juntou as sobrancelhas.
- Acho injusto que você fique com ela depois de me falar aquelas coi...
- Ei, calma lá – interrompeu-me, levantando as duas mãos - Você mesma disse que não sentia o mesmo.
- Eu disse, mas... – engoli a própria fala.
Ele relaxou as sobrancelhas.
- Mas o que, Mad? – disse falho.
- Mas... – meu queixo tremeu – Mas é injusto com ela que você só esteja fazendo isso para me passar raiva – falei de uma vez, sem antes parar para pensar.
Só queria arrumar um motivo para eles pararem. Só isso.
- QUÊ?! – sua voz ficou até um pouco aguda quando disse isso – Passar raiva em você? Madson... – suspirou impaciente – Não vou parar a minha vida por sua causa – deixou-me sem reação e depois foi andando em direção à mesa. Fiquei sozinha, apenas sentindo o frio do vento no meu rosto e o mesmo efeito daquelas palavras em meu coração.
SoHo, Manhattan, minha casa, 31 de março. Sete horas da noite.
Era quarta-feira. Já fazia um tempo que tínhamos voltado da viagem, mas eu não conseguia tirar o acontecido da cabeça. Talvez fosse porque a minha prima...
- MAD! – ela gritou do quarto ao lado.
Depois que tinha começado a ficar com o Justin na viagem, Megan tinha decidido dar uma desculpa esfarrapada para a sua universidade para que pudesse ficar duas semanas em Manhattan sem ninguém estranhar.
- QUE É?! – devolvi no mesmo tom.
Estava tentando fazer algum cálculo matemático no exercício, jogada na cadeira em frente à escrivaninha no meu quarto.
- Onde você guarda a sua chapinha? – ela apareceu na porta com os cabelos molhados.
- Aonde você vai? – levantei uma sobrancelha.
- Na boate do Harlem – revirou os olhos como se fosse óbvio.
- Vai com o Justin? – perguntei baixo.
- O que você acha? – entrou no meu quarto com um vestido verde, já se dirigindo para abrir o armário – Onde está?
- No banheiro – respondi, voltando a olhar as minhas folhas de fichário – Que horas volta? – perguntei, tentando não parecer tão interessada.
- Não sei – respondeu sincera – Talvez não volte hoje... – sério. Se eu estivesse bebendo alguma coisa, com certeza teria engasgado.
- Não volta hoje? – praticamente soletrei a frase.
- É – ela respondeu tranqüila – Mas eu não sei. O Justin é um pouco devagar para essas coisas – adentrou o meu banheiro, dando uma pequena pausa na fala – Você me empresta o seu relógio?
- Todo seu – suspirei derrotada.
Ouvi duas buzinas que eu conhecia bem do lado de fora da minha casa. Meus pais estavam até um pouco felizes da Megan estar com o Justin. Gostavam dele e achavam bom que a Meg ficasse com um menino assim. Larguei meu lápis, indo em direção à janela e olhando o carro estacionado. O bom e velho Starfire.
Justin olhou para casa, avistando-me na janela e fazendo com que nosso olhar se cruzasse por um breve momento, até que Megan abriu a porta e caminhou decidida até o carro. Ela usava um vestido verde e salto alto. Detesto admitir, mas minha prima estava mais linda do que nunca. Assim que ela entrou no Starfire, ele a beijou, fazendo-me colocar a cabeça para dentro de casa e parar de olhar.
Apesar de já ter se passado um tempo que eles estavam assim, não conseguia me acostumar. Sempre que eu os via juntos, era como se eu estivesse sendo ferida e meus olhos começavam a arder. Talvez ele estivesse mesmo gostando da Megan. Também... Por que não gostaria? Ela era linda, maravilhosa, "gostosona". Tinha tudo para encantá-lo. Aliás, qualquer um.
Joguei-me na cama, sem pensar mais no exercício de matemática. Antes que eu pudesse deixar qualquer lágrima rolar, peguei o telefone na minha cabeceira.
Washington Square Park, Manhattan, 2 de abril. Duas da tarde.
- Mad! – Emma gritou, vindo apressada em minha direção. Eu estava sentada num banco de madeira, segurando minhas mãos e devia parecer desconfortável, o que eu, de fato, estava – Desculpe-me por não ter podido me encontrar com você ontem. Minha família tem uma tradição de festas no primeiro de abril. Mas então... O que foi?Você me ligou. Parecia tão urgente...
- Não é tão urgente assim, Emm – sorri leve para ela.
- E aí? – ela se sentou ao meu lado – Sobre o que quer falar?
- Não sei – respondi sincera.
- Tudo bem – falou paciente, dando uma pequena pausa em seguida – Mas acho que esse "não sei" tem nome e sobrenome...
- Emm, é só que... – tentei achar palavras para falar o que eu queria – Tenho uma amiga... – comecei.
- Compreendo.
- O nome dela não importa agora. Essa minha amiga... – dei ênfase na palavra. Não era o meu jeito favorito de contar as coisas, mas era o que eu estava conseguindo na hora – Tem um amigo.
- Hm, entendo – Emma disse, fingindo estar pensativa – Essa sua amiga, que não é você, tem um amigo – rolei os olhos.
- Exatamente. Eles são amigos desde muito tempo. Desde a infância... – fez sinal para que eu prosseguisse – Mas ultimamente têm acontecido umas coisas...
- Umas coisas tipo...?
- Eles se beijaram – eu disse por fim – O que foi muito ruim porque podia estragar uma amizade que eles levaram muito tempo para construir.
- Ah, mas se eles se beijaram só uma vez, acho que...
- Várias vezes – suspirei.
- 'Ta, aí já muda as coisas – agora ela ficou pensativa de verdade – Quando foi a primeira vez?
- No baile da empresa do meu... Quer dizer, do pai dela – eu olhava para as crianças correndo no parque alguns metros à nossa frente.
Contar as coisas para Emma assim era muito mais fácil.
- E então... O que a sua amiga... – ela também deu ênfase - Quer, exatamente?
- Eles viajaram... – continuei.
- Hm.
- Para o Mississipi – completei – E esse amigo da minha amiga acabou falando umas coisas para ela.
- Que coisas? – ela juntou as sobrancelhas, surpresa.
- Que ele... Bem... Não foi com essas palavras, mas acho que deu a entender que ele gostava dela.
- E ela?
- Ficou sem reação – semicerrei os lábios. Meus olhos ameaçaram a arder, pouco antes que eu continuasse – Tinha muito medo de estragar a amizade. Então ele pediu para ela dizer olhando nos olhos dele que não sentia o mesmo – tinha certeza que meus olhos ficaram vermelhos, lembrando-me disso.
- E o que ela respondeu? – Emma estava ansiosa pelo resto da história.
- Que não sentia. Mais por medo de estragar a amizade – suspirei novamente – E ele começou a ficar com uma conhecida dela – observava minha vista ficar embaçada.
- E no final das contas... Ela sente o mesmo? – Emma me perguntou com olhos serenos.
- Não – minha voz saiu embolada – Ela não é capaz de sentir o mesmo – olhou-me como se estivesse espantada – Ela sente muito mais – deixei uma lágrima rolar, apesar do sorriso disfarçado – Acho que... – solucei – Acho que ela o ama... Tanto que dá até medo – Emma me abraçou pelos ombros – Ela o ama,Emm. Talvez mais do que qualquer outra pessoa no mundo – minhas lágrimas já escorriam sem o meu controle – E ele está com a conhecida dela. O que eu... Minha amiga deveria fazer? - ela ficou um momento em silêncio, apenas ponderando os fatos.
- Antes de mais nada, acho que o Justin precisa ficar sabendo dessa história – a garota deu de ombros.
Desencostei minha cabeça do seu ombro e a olhei.
- Não – respondi fraco – Acho que ele não curte histórias de romance.
- Acho que ele curte – sorriu – Mais do que você imagina...
- Mas e a Megan, Emm? – fiz bico.
- Ufa, até que enfim vamos começar a usar nomes! – ela disse, parecendo aliviada. Ri baixo – O que tem ela? Ela é só um peão nessa história toda. Tenho certeza de que se você conversar com ele direito e disser o que me disse, ele a larga sem pensar duas vezes.
- Mas também nem sei se quero isso. Ela está tão feliz.
- E ela lá ligou de jogar areia nessa sua fogueira? – parecia um pouco irritada, apesar de ter razão – E também... É isso que você quer para a sua prima? Que ela fique com um cara que não gosta dela?
- Não – disse sincera – Apesar de tudo, amo a Megan e quero o bem dela. Mas também não posso garantir que o Justin me ame...
- Há! – Emma gargalhou – Só você então. Porque todo mundo sabe desde a sexta série que ele é louco por você.
- Sabem? – perguntei perplexa – Como não vi isso?
- Talvez estivesse ocupada demais procurando o amor em outras pessoas.
- Mas e agora, Emm? – aumentei o tom da voz – Isso está me dando medo. Eu nunca tinha amado ninguém na vida e eu o amoMuito.
- Eu já sabia – sorriu vitoriosa. Fiz minha cara de confusa, como se dissesse "se nem eu sabia como você...?" – Percebi naquela brincadeira da garrafa. Sua cara de quem ia matar dois vendo o Justin e a Megan se agarrarem. Depois eu confirmei a minha hipótese quando fui buscar minha máquina fotográfica no segundo dia de viagem... – minha bochecha ficou rubra.
- O que você viu? – perguntei devagar e quase de modo robótico.
- Muita coisa – ela estreitou os olhos – Pode ter certeza. Mas tranqüilo. Ouvi nada.
- Você ficou lá por quanto tempo? – meu queixo caiu. Não acreditava que tínhamos sido flagrados.
- Ih, minha filha. Calma. A ordem dos acontecimentos foi a seguinte: entrei, vi, vazei. Só isso.
- E por que não veio falar comigo depois?
- Porque eu confiava que você ia me procurar – seu sorriso me contagiou.
- Aqui estou eu – ri baixo – Você pode procurar saber para mim se as coisas entre eles estão ficando sérias? Porque se estiverem, nem me meto...
- Claro que não estão ficando sérias – revirou os olhos – É só o passatempo dele. Mas ainda assim, procuro me informar.
- Ótimo – senti como se tivesse tirado um peso de cima de mim. Eu amava o Justin. Mais que tudo. E isso não cabia apenas dentro de mim. Precisava compartilhar com alguém.
- Mas e o papinho de: "aí vai estragar a amizade" – ela fez voz afetada.
- Nossa amizade nunca mais seria a mesma mesmo – balancei os ombros – E acho que eu não permitiria que fosse.
SoHo, Manhattan, minha casa, 4 de abril. Nove e meia da manhã.
"Say ain't so. I will not go.
Turn the lights off. Carry me home.
Na, na, na, na, na, na, na, na, na!"
Meu celular tocava e eu ainda tentava persistir no meu sono. Acabei me dando por vencida e segurando o aparelho situado no meu criado-mudo.
"Emma."
- Alô? – murmurei.
- Mad! – ela disse bem humorada – Adivinhe!
- Diga.
- Vou interrogar o Justin hoje – parecia animada – Mas nada escancarado. Vou fazer de tudo para que pareça uma abordagem casual.
- O que vai perguntar a ele?
- "E aí, como andam as coisas com a Megan? Parece que está ficando sério, hein..." – rolei os olhos.
- Acha que isso vai dar certo?
- Certeza. Vou fingir que fui ao restaurante do pai dele no único dia que ele trabalha lá por acaso. Fingir que eu nem sabia – fez uma pequena pausa – Sou uma gênia.
- Obrigada.
- Mais tarde retorno e conto como foi. Ok?
- Ok

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

15° capitulo-Eu te quero



SoHo, minha casa, 1 de março. Oito e meia da noite.
- Madson! – minha mãe gritou do corredor.
Eu estava no meu quarto, tentando fazer os exercícios de literatura.
- Oi – respondi no mesmo tom.
- Megan no telefone!
- Pode deixar – peguei o telefone apoiado na mesa de cabeceira da cama. Um telefonema da Megan era incomum, já que eu não recebia um desses desde a oitava série. Perguntei-me sobre do que se trataria – Alô?
- Mad! – disse empolgada do outro lado da linha.
- Meg.
- Você não vai acreditar. Ganhei um concurso de beleza aqui na Califórnia!
- Nisso acredito – disse sincera.
- Não estou falando disso, sua boba – ela riu baixo – Estou dizendo que o prêmio foi uma viagem com mais quatro amigos para o Midtown's Inn em Miami.
- SÉRIO?!
- Uhum. Eu estava pensando no quanto gostei daquela viagem para a pousada da tia Joanne – imagino – E decidi chamar as mesmas pessoas que foram.
- Mas, Megan... - pensei um pouco – Somos mais do que quatro.
- Eu sei – ela disse simplesmente – Por isso pensei em todos pagarem uma parte para os outros dois irem – fez uma pequena pausa – Cassie e Andrew visitarão os parentes dela no Mississípi.
- Como você...?
- E aí, topa? É no dia dezessete, bem no feriado.
- Claro – respondi depressa – Vou ligar para o Justin para avisar.
- Não precisa – falou tranquila – Já fiz isso.
Dentro do avião, sobrevoando não sei onde, 17 de março. Onze e meia da manhã.
Eram duas horas de viagem de Manhattan até Miami. Estava sentada perto da janela, ao lado do Justin. Megan e Chaz estavam sentados juntos e Liv também. Emma estava sentada ao lado de um senhor de idade. Estava me sentindo mareada.
- Mad... – Justin me chamou. Olhei para o lado – Está tudo bem? Você está me parecendo meio verde...
- Estou bem, Justin – respondi – Talvez só um pouco enjoada.
- Vai passar – tentou me acalmar – Qualquer coisa é só pegar o saquinho – pegou a pequena sacola de plástico que estava na frente de sua cadeira e simulou que vomitava, fazendo-me rir.
- Sempre enjoei quando entrava em aviões – lembrei-me – Meu pai me colocava no colo para o enjoo passar – sorri levemente - O carinho me fazia esquecer de que eu estava passando mal.
Justin mordeu o lábio inferior, enquanto pousava a mão devagar sobre a minha e entrelaçava nossos dedos. Meu coração descompassou um pouco ao vê-lo fazer isso, mas firmei nossas mãos, fazendo-o segurar um sorriso.
- Sinto muito... Não posso colocar você no colo.
- Seria meio esquisito mesmo – ri baixo – Mas assim está bom – encostei a cabeça ao seu ombro e ele tombou a sua por cima da minha.
- É... Está bom. – concordou em meio a um suspiro.
- Acorde, casal maravilha! – Chris disse, fazendo-me abrir os olhos com dificuldade.
- Droga, Chris – Justin disse mal humorado, passando a mão no rosto. Ainda estávamos com os dedos entrelaçados e todos os outros passageiros do avião (com exceção de nossos amigos) já tinham saído.
Quando percebi que estávamos sendo observados por todos, recolhi minha mão depressa, deixando a dele ainda parada no assento.
- Já chegamos? – perguntei, situando-me no local.
- O que você acha? – Megan revirou os olhos.
- Vamos sair logo – Justin levantou-se, pegando a sua mala e a minha, sendo observado por minha prima em seus movimentos.
Saindo do avião, fomos pegos na porta do aeroporto pela van fretada pelo concurso de beleza e levados até o hotel Midtown's Inn. O hotel não era extraordinário, mas bonito. Tinha piscina e vista para o mar (tudo o que nós precisávamos). A divisão do quarto seria feita de forma que os meninos ficassem em um quarto e as meninas em outro.
- São dois quartos com duas camas de casal cada – Megan explicou.
- Durmo na cama de casal com o Justin – Chaz disse, abraçando o amigo de uma forma meio gay (mesmo que de brincadeira).
- Saia fora – Justin deteve-o pelas bochechas, já que fazia biquinho para "beijá-lo" – Durmo sozinho em uma cama de casal – declarou.
- Acho justo que fizéssemos um sorteio – Chris propôs abraçado com Liv – Também não quero dormir com algum de vocês dois.
- Tem medo de se envolver demais, Christian? – Chaz fez uma voz feminina, fazendo todos gargalharem. Inclusive ele mesmo.
- Nada disso, seu gay – Chris disse de brincadeira, rolando os olhos.
- E que sorteio a gente faz? – Justin perguntou, suspirando.
- Dois ou um? – Christian sugeriu.
- Só se for agora.
Os meninos jogaram e acabou que o Christian se livrou de uma noite a dois.
- 'Ta – Liv disse, virando-se para as meninas que olhavam aquilo tudo com cara de paisagem – Quem vai dormir com quem?
- Mad – Emma abraçou-me.
Dei risada.
- Ok, Meg – Liv olhou-a – Eu e você então.
- Por mim, tudo bem.
Midtown's Inn, Miami, 17 de março. Duas da tarde.
Deixamos a bagagem no quarto e nos dirigimos para a piscina, logo em seguida. Tínhamos decidido comer alguma coisa por lá enquanto aproveitávamos o sol que ainda tinha. Estava muito quente.
Eu usava uma saída de praia azul por cima do biquíni e saía do quarto um pouco encolhida junto com a Emma.
- Vou fingir que não vi – ela disse para mim.
Liv e Megan já estavam na piscina, no andar de baixo, com os meninos.
- Vai fingir que não viu o quê?
- Você e o Justin no avião – sorriu leve e seguiu, andando na minha frente.
- Pule na piscina, princesa! – Chaz gritou de dentro da água assim que me viu.
Abracei meu corpo, sem graça.
Chaz, Justin, Chris e Liv já estavam na piscina. Megan estava com um chapéu de praia grande e óculos escuros, sentada na espreguiçadeira e passando protetor solar.
- Alguém já pediu batata frita? – Emma perguntou, jogando as coisas dela na espreguiçadeira ao lado da de Megan.
- Pensei que você estivesse fazendo dieta – Chris disse.
- Obrigada por ser tão direto – ela revirou os olhos e Liv riu – Eu estava, mas a graça da dieta é que quando se consegue um corpo maravilhoso você pode estragá-lo – balançou os ombros.
- Você já conseguiu o corpo maravilhoso, Mad? – Justin perguntou, fazendo referência à minha dieta.
- Claro que não. Você sabe que estraguei minha dieta várias e várias vezes com o Burger King – coloquei as mãos na cintura.
- Ah, é.
- Mas você não engordou – Liv fez a observação.
- É de ruim mesmo – Justin completou, fazendo-me chegar perto da piscina e mandar água nele com o pé. O garoto riu – E por que você não entra?
- Tenho vergonha.
- De quê?
- É, Mas – Chris concordou – Se é do seu corpo, fique tranquila. A Liv tem essa barriguinha aqui e nem por isso deixei de achá-la linda – Liv deu um tapa de leve em seu braço, fazendo-o rir.
- Você está brincando com o perigo, amor – ela ameaçou – Sério.
- Medo – Chris, Justin e Chaz disseram em coro.
Eu e Emma gargalhamos.
- Bem, se você não vai entrar, Mad... – Emma disse – Eu vou.
Tirou sua saída de praia, já se jogando na água.
- Venha, Mad – ela berrou para mim – A água está ótima!
- Não, Emm – falei, sentando-me na espreguiçadeira. Megan mandava mensagem pra alguém pelo celular – Tenho vergonha – besteira? Não acho. De todas ali, eu era a menos "desenvolvida".
- Se você não vier... – Justin disse, apoiando o corpo nas mãos e colocando o joelho para fora da piscina – Vou aí buscar.
- Você não teria coragem – falei em meio a uma risada, levantando-me apressada da espreguiçadeira. Megan levantou os óculos como se para analisar o Justin de short.
- Então você não me conhece.
Justin começou a correr atrás de mim. Dei um grito curto e esganiçado antes de começar a correr em volta da piscina também, fazendo todos os outros hóspedes notarem a nossa presença.
- Pare, Justin! – gritei, rindo e correndo.
- Não. Eu disse que ia buscar você – sua voz estava cada vez mais próxima.
Eu sempre tinha sido mais rápida na infância, mas alguma coisa tinha mudado, já que ele estava cada vez mais perto e eu, conseguindo correr menos. Talvez tivéssemos apenas amadurecido.
- Pare, Justin! – gritei novamente, sentindo-o me agarrar pela cintura e me puxar para perto. Eu ria, enquanto ele segurava meus braços por trás e molhava as minhas costas.
- Venha cá – estava se divertindo.
- Não – debatia-me, tentando sair dos seus braços.
- Então 'ta – colocou a mão esquerda rapidamente por baixo das minhas pernas, carregando-me.
- Justin, por favor, não! – eu ria, enquanto batia as minhas pernas, apesar de no fundo não fazer questão de ser solta. Ele andava na direção de onde nossos amigos estavam.
- Tampe o nariz – avisou, chegando perto de Chaz e pulando na piscina comigo no colo.
- Droga, Justin – tirei o meu cabelo molhado do rosto.
- Eu disse que eu ia buscar você – sorriu vitorioso, colocando-me de pé.
- Acho que também vou entrar – Megan anunciou, tirando seu roupão e fazendo todos (menos a Lively e o Christian, que tinham coisas mais interessantes a fazer) olharem. Ela tinha as curvas perfeitas e claro que o Chaz e o Justin não puderam deixar de notar.
Ficamos o dia inteiro na piscina, brincando de coisas inúteis - aquelas que animam todo mundo, como briga de galo, vôlei... Só mais à noite que saímos para jantar.
Os dias podiam ser sempre assim: divertidos.
Midtown's Inn, Miami, 18 de março. Três e quinze da tarde, aproximadamente.
Eu e o Justin estávamos sentados com as pernas esticadas ao longo da minha cama na pousada, olhando o álbum de fotografias da sétima série que eu, acidentalmente, tinha trazido junto com as minhas coisas da viagem. A proximidade entre nós dois era estranha. Eu sentia o calor do corpo do Justin e isso me fazia ter vontade de tocá-lo, mesmo que fosse uma atitude idiota. Logo, eu me continha.
Todos os outros deviam estar na praia ou aproveitando os recursos do hotel, como, por exemplo, a piscina. Enquanto isso, eu e o Justin tínhamos preferido ficar no quarto e olhar as fotos.
- Você se lembra disso, Mad? – ele disse animado, olhando para uma das fotos em que estava com um anzol na mão e eu ao lado, com cara de nojo.
- Lembro – dei uma risada baixa – A pescaria de verão. Você arrancou o olho do peixe – o garoto riu.
- Você quase teve um ataque de nervos – ainda estava rindo.
- Foi uma das coisas mais nojentas que já vi na vida.
- E o dia em que você foi parar no banheiro masculino por aciden...
- Esse também entra na lista – falei rápido antes que continuasse. Ele soltou a gargalhada, seguido por mim.
- Tantas lembranças boas... – disse, parando de rir.
- É. Muitas – concordei, olhando para a parede em frente – Lembra-se de que você tinha a sua manta da sorte? – ri baixo.
Ele levantou as sobrancelhas.
- Lembra-se de que eu disse... – virou-se para mim devagar – Que se você se lembrasse disso eu ia matá-la? – fez as mãos ficarem como garras.
- Ah, não, Justin – ri, prevendo direitinho o que ele ia fazer.
Aliás, o que ele sempre fazia quando fazia aquele gesto.
- Ah, sim, Madson – fez cara de mau, começando a fazer cócegas na minha barriga.
- Pare, Justin! – gritei em vão. Ele continuava me fazendo cócegas, enquanto eu ria escandalosamente.
- Não, Mad – também ria – Isso é o que você ganha por se lembrar de coisas que já enterrei.
- Não, Justin! – pedia quase sem fôlego, tentando segurar as mãos dele.
- Você não vai conseguir segurar minhas mãos. Desista – debatia-me.
- Pare!
Por fim, como que num ato quase involuntário para me livrar das cócegas, empurrei o Justin. Não previa que ele ia cair entre a cama e o criado-mudo e nem que ia gritar uma palavra tão malcriada, mas foi o que aconteceu.
- Justin! – chamei-o preocupada, ajoelhando-me na cama e olhando baixo para ver o que tinha acontecido.
- Mad... – murmurou, olhando para cima e fazendo careta – Lembre-me de nunca mais mexer com você – dei risada.
- Pode deixar. Acho que você vai se lembrar – sorri – Você se machucou?
- Não – assentou-se no chão, fazendo-me sentar na cama também – Só meu ombro que está ardendo um pouco, mas acho que não foi... – olhou o ombro direito que provavelmente tinha batido na quina do criado-mudo. Segui o seu olhar. Tinha uma mancha escura por baixo da blusa azul – Droga – ficou de pé – Sangue?
- Deixe-me v... – antes que eu terminasse minha frase "prestativa", Justin segurou a camisa por baixo e a tirou, fazendo minha barriga esfriar discretamente e eu me esquecer do que ia falar.
- Ah – voltou a olhar o ombro – Foi só um arranhão.
- Deixe-me ver – suspirei, lembrando-me do que ia falar pouco antes de ser interrompida. Ajoelhei-me na cama novamente para ficar mais alta. Justin virou o lugar machucado para mim.
Claro que olhar para o ombro dele enquanto o menino estava sem camisa era uma tarefa um pouco mais difícil, mas nada que tenha me impedido. Tinha feito um corte longo, apesar de superficial, que agora sangrava.
- É só lavar – deu de ombros.
- Enquanto você lava, eu pego o anti-séptico – levantei-me, ficando de frente para ele.
- Anti quem? – juntou as sobrancelhas.
- Anti-séptico, Justin – expliquei – É o que as pessoas usam para evitar que uma ferida inflame.
- Que frescura, Madson – falou impaciente – Isso aqui foi só um arranhão.
- Melhor prevenir do que remediar.
- Nunca inflamei nada. Não vai ser agora que isso vai acontecer – olhava-me como se me chamasse de "patética" ou simplesmente "fresca".
- Estou me sentindo culpada pelo arranhão – esbocei minha cara manhosa – Deixe-me cuidar de você – fiz biquinho.
Ele riu.
- Vá lá – rolou os olhos.
- Obrigada – sorri, indo em direção ao armário na frente da cama, enquanto o via virar de costas e ir até o banheiro.
Antes que eu pudesse chegar às gavetas, tropecei na mala de couro marrom de Emma. Topar meu dedão com uma coisa dura lá dentro me fez deduzir que ela tinha esquecido a máquina fotográfica no quarto. Avoada como sempre...
Remexi nas primeiras gavetas, só tendo sinais das maquiagens da Megan (maioria ali eu não tinha nem ideia de como se usava). Puxei por fim a terceira gaveta, ouvindo um barulho por trás de mim. Provavelmente o Justin voltando do banheiro.
O anti-séptico estava jogado no fundo. Estiquei minha mão, ainda dando uma olhada na embalagem para me certificar de que era o produto certo. De repente, senti calor nas minhas costas, como se tivesse alguém parado atrás de mim.
- Olhe, peguei o... – falei, virando-me com o remédio nas mãos.
Não tive tempo para perceber muita coisa. Virei-me, dando de cara com os olhos do Justin bem atrás de mim, que apoiou as mãos no armário à minha volta e pressionou seu quadril contra o meu, encostando nossas testas e me fazendo prender o ar por um momento.
- Justin, mas o que vo...? – fui interrompida por ele juntando nossos lábios rapidamente duas vezes – Justin! – exclamei, expirando – O que você está fazendo.
Ele olhava fixamente para a minha boca, como se nem tivesse ouvido o que eu tinha acabado de falar.
- Shiu... – sussurrou, encostando o peito nu bem definido ao meu.
- O que você está fazendo? – segui seu tom, olhando-o nos olhos. 
- Cale a boca, Madson – encostou nossos narizes.
- Por quê? – olhei para os lados, deixando claro que eu estava entendendo nada.
- Porque senão você estraga – pressionou mais ainda nossos corpos, fazendo com que eu perdesse o ar.
- Estrago o quê...? – voltou a colocar a boca na minha, dessa vez permitindo o contanto das nossas línguas e fazendo com que eu soltasse o remédio, pousando minhas mãos devagar em seus ombros.
Justin deslizou as mãos no armário de gavetas até minha cintura e subi a minha mão esquerda até a sua nuca. Eu estava permitindo que aquele beijo acontecesse. Aquele que começou sendo devagar, mas ia adquirindo cada vez mais velocidade e intensidade. Isso me dava medo, apesar de que eu não era capaz de impedi-lo. Apertou as mãos na minha cintura e enrosquei as minhas em seus cabelos, fazendo-o expirar mais depressa.
Depois que meu coração já estava acelerado o bastante e minha boca formigando, resolvi partir o beijo.
- Mad... – sussurrou, tentando voltar a encostar a boca na minha. Puxei-o para trás pelos cabelos de leve. Estávamos ofegantes – Que foi? – olhou-me, tentando se situar no local.
- O que você está fazendo? – perguntei baixo, olhando-o nos olhos. Voltou a encostar nossas testas.
- Mad... - disse no mesmo tom que eu – Eu te quero.
- Quê? – estava confusa, sem saber se tinha ouvido direito – Você não está falando coisa com... – colocou o indicador em cima dos meus lábios, impedindo-me de continuar a fala.
- Eu estou... – deu ênfase –Falando coisa com coisa.
- Mas... – tentei falar alguma coisa, mas não continuei a frase.
- Chega de fingir que não aconteceu o que aconteceu - tirou o dedo da minha boca, pousando a mão direita suavemente no meu rosto – Estou aqui. Certo? - consenti – O mesmo palhaço de sempre, o mesmo medroso de sempre, que pelo menos uma vez na vida gostaria de ter a coragem para dizer à garota mais maravilhosa que já conheceu o quanto ele a quer – voltou a encostar os nossos narizes – Por isso repito: eu quero você,Madson.
- Justin, eu... – minhas pernas estavam bambas. Não sabia o que responder. Pelo menos uma vez na vida eu gostaria de ser sincera sobre o que eu sentia, mas aí vinham as imagens da minha amizade com o Justin desde a infância e tudo se misturava na minha cabeça.
- Sei que você sente o mesmo – falou baixo – Então para que fingir? – juntou os nossos lábios novamente e, dessa vez, separei-nos.
- Pare, Justin – sussurrei quase como uma súplica.
Meus olhos estavam começando a arder e meu medo de acabar com a nossa amizade só aumentava.
- Sei que você gostou – ele disse, passando o nariz no meu devagar.
- Pare, Justin... – pedi novamente. Minha vista estava começando a ficar embaçada.
- Por favor, Madson – afastou um pouco nossos rostos, olhando-me nos olhos – Não faça isso – a súplica agora foi dele.
- Justin... – tentei voltar a falar – Eu não... – parei.
- Você não sente o mesmo, Mad? É isso? – seus olhos transpareceram mágoa.
Olhei rapidamente para baixo para não ter que encará-lo, deixando uma lágrima escorrer.
- É... – deixei mais duas rolarem.
- Então fale isso olhando nos meus olhos – sua voz falhou e afrouxou a mão na minha cintura – Fale, Mad – pediu novamente – Quero ouvir – eu estava um pouco mole, ainda sem conseguir olhar para o seu rosto, e rezando para que ele desistisse desse pedido – Quero ouvir porque aí sim vou saber que fiz tudo que pude.
- Justin... – encarei seus olhos tristes. Minha boca estava tremendo – Eu não... – não acreditava no que eu estava prestes a falar, mas talvez fosse a única maneira de salvar a amizade que levamos tanto tempo para construir – Não sinto o mesmo – olhou-me por mais um momento, deixando uma lágrima solitária escapar, mas logo em seguida tirando a mão da minha cintura e a enxugando com o braço.
- Então 'ta - disse simplesmente - Melhor eu ir embora.
Deu as costas devagar, sem nem voltar a me olhar. Abriu a porta do quarto bruscamente e a bateu, deixando-me sozinha. Olhei para os móveis do quarto um por um antes de me permitir escorregar as costas no armário, abraçar os joelhos e começar a chorar.
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cara essa Madson é mesmo uma boba, como ela pode ter dito não á ele cara? ai to morrendo kk continuo?

terça-feira, 13 de agosto de 2013

14° capitulo- mistletoe

´´I don't wanna miss out on the holiday
But i can't stop staring at your face
I should be playing in the winter snow
But Imma be under the mistletoe´´



SoHo, minha casa, 22 de dezembro. Sete e quarenta da noite.
- Vou tomar banho no seu banheiro de novo – Megan disse, colocando a cara para dentro do meu quarto, enquanto eu mexia em alguns sites da internet pelo notebook – Pode?
- Pode, Megan. O banheiro é seu – ela começou a andar devagar na direção do banheiro.
- Seguinte, Mad... – parou e se virou pra mim – O Justin vai nessa viagem?
- Viagem...? – olhei-a interrogativa.
- É – cruzou – Para a pousada da tia Joanne.
- Vai...? – respondi, sem saber ao certo aonde ela queria chegar com isso – E...?
- Só estava pensando, priminha... – sentou-se na minha cama – Que o Justin ficou muito gato de uns anos pra cá, hein – ela mordeu o lábio inferior.
Meu coração apertou.
- E eu só estava pensando... – disse um pouco irônica – Que alguém se esqueceu de que é dois anos mais velha.
- Idade nunca significou algo para mim, meu bem – mandou-me um beijo no ar – Além do mais, o Justin pode muito bem se passar por um cara dois anos mais velho.
- Ah, faça o que quiser, Megan – estava irritada. – Não é problema meu.
- Que bom que sabe – ela piscou e se levantou da minha cama, indo em direção ao banheiro, finalmente.
Pousada da tia Joanne, 24 de dezembro. Nove e alguma coisa da noite.
O Chaz tinha vindo junto e estava se dando muito bem com todos.
Já tínhamos ficado um tempo conversando na varanda. Tínhamos pedido pizza, visto dois filmes que alugamos e agora encontrávamos na sala, com os pés para cima e três garrafas de cerveja vazias na mesinha de madeira.
Andrew e Cassie tinham ficado abraçados a viagem inteira. Liv e Chris, aos beijos. Claro que Emma não pôde deixar de se estranhar com a minha prima.
Megan não pôde tirar os olhos do Justin, Chaz não pôde tirar os olhos da Megan, eu não pude tirar os olhos de todos e Justin não pôde parar de observar isso.
- Uma hora para o natal! – disse Cassie, descendo as escadas.
Estávamos sentados, vendo um programa qualquer na televisão.
- FELIZ NATAL! –Chaz gritou já alterado, abraçado com a Emma, que ria de tudo com um copo de champanhe na mão.
Apesar de já ter passado quase uma hora após a meia-noite, o álcool tinha feito maioria das pessoas presentes perder a noção do tempo.
Enquanto todos estavam sentados a mesa, rindo de qualquer bobagem, eu estava na varanda, respirando um pouco do ar gelado.
- Passar a virada do natal sozinha faz bem a ninguém – ouvi a voz que eu mais gostava vinda de trás de mim.
- Acontece, Justin - virei-me, sorrindo – Que a virada do natal foi há uma hora.
- Ah, foi? – juntou as sobrancelhas, se debruçando no muro da varanda no qual eu também estava debruçada – Então estou atrasado.
- Para quê?
- Para lhe desejar um feliz natal – puxou-me para perto em um abraço – Feliz natal, Mad – ele sussurrou – Sei que você não acredita muito em nenhuma religião...
- E acha que o natal é só uma data comercial – completei.
- É. Isso também – riu por cima do meu ombro – Mas quero que quem quer que esteja lá em cima... - olhou para cima essa hora – Faça você ser muito feliz.
- Também lhe desejo, Justin - sorri de leve, apertando meus braços em volta dele – Toda a felicidade possível do mundo.
- E mais uma coisa – disse, afastando-se de mim e enfiando a mão em um dos bolsos do casaco grosso.
- O quê?
- Comprei uma coisa para você – tirou um pequeno saquinho de dentro do bolso.
- Ah... – disse sem graça – Desculpe-me, Justin. Pensei que o combinado fosse não comprar presentes, então comprei nada para você...
- Eu sei – ainda sorria – Não tem problema. Comprei isso porque achei a sua cara – estiquei a minha mão e segurei o saquinho de pano.
Em seguida, abri-o com cuidado.
- Uma tornozeleira de prata?! – sorri, admirando a tornozeleira fina com algumas estrelas enfeitando.
- Desculpe - colocou as mãos no bolso, como se estivesse sem jeito - Queria que fosse de ouro.
- Está brincando, Justin? – olhei-o ainda com um sorriso bobo na cara – É linda!
- Sério?
- Sério – meus olhos ameaçaram marejar – Ela é linda – olhei o presente novamente – Sabe de uma coisa, Justin?
- Hum? - passou a mão pelos meus ombros.
Escorei a cabeça em seu peito, sentindo-me aquecida.
- Você é o melhor.
- Eu sei...
[...]
Mahnattan's High School, 1 de fevereiro. Sete e cinqüenta da manhã.
- Ano novo, vida nova! – disse Emma, abraçando-me pelo pescoço – Bem-vinda ao último ano do colégio, gatinha.
- Ai, nem me lembre – juntei meus olhos no nariz, fazendo cara de "Meu Deus, o que é isso".
- Já sabe que faculdade vai cursar? – perguntou interessada.
- Não faço a menor ideia – disse sincera – Mas nada que envolva cálculos, de preferência.
- Tente psicologia.
- Já até tinha pensado nisso – olhei para baixo.
- Até...?
- Até ficar ouvindo os problemas da minha tia-avó Rosie o dia inteiro – suspirei – Daí desisti – Emma riu.
- Se você não descobrir até o final do ano o que quer ser - estava pensativa – Preste vestibular comigo. Vai ser legal.
- Ah, é? – até que essa ideia não me parecia tão ruim – Você vai prestar vestibular para quê?
- Jornalismo – abriu um sorriso e depois o fechou devagar, estreitando os olhos – Mas se você preferir... – tinha tom um pouco insinuante na fala – Pode prestar vestibular para o que quer que o Justin faça.
- Não sei se o Justin vai prestar vestibular.
- Por que não? – pareceu se surpreender. Andávamos em direção à sala de química.
- Acho que ele vai querer ajudar o senhor Bieber com o restaurante – fiz uma pequena pausa – Ele tem medo que o pai dele se desgaste muito com esse trabalho.
- O Justin é um bom filho – concluiu.
- Também acho.
- E a "Megan-oi-sou-gata"? – disse irônica e dei risada.
- Voltou para a Califórnia.
- Até que enfim.
- Mas ela volta no meio do ano – disse, fazendo Emma fechar o sorriso.
- Ai, pelo amor de Deus – ela girou os olhos impaciente.
- Ela nem foi tão ruim assim...
- Ah, fale sério – Emma disse, parando de andar e olhando para mim como se eu fosse alguma alienígena – Você é que deveria ser a principal incomodada.
- Eu? – fingi debochar – Por quê?
- Pense bem. Chaz chama você de princesa e ela, de rainha. Justin da uma atençãozinha a mais para ela...
- 'Ta. Já entendi – interrompi.
- Pois é, amiga. Fique de olho.
Entramos na sala de química junto com a Cher e o Conor. Eles voltaram das férias juntos (provavelmente ele ainda achava que podia fazer algum tipo de vingança contra o Justin. A Cher, o mesmo).
Porta da Manhattan's High School, primeiro de fevereiro. Três e sete da tarde, exatamente.
Ouvi duas buzinas quando pisei pra fora da escola. Um som que eu conhecia bem. Justin estava dentro do Starfire, sorrindo para mim. Meu coração sorria também, enquanto dirigia-me até o carro.
- Bom dia, princesa – piscou. Gargalhei, sentando-me ao seu lado.
- Deu para dar uma de Chaz agora?
- Não posso? – levantou uma sobrancelha.
- Claro que pode – fechei a porta, colocando minha pasta para dentro – Mas é só que...
- O quê?
- É mais a sua cara me chamar de Mad – sorri leve.
- Ok, Mad – deu partida no carro – Coloque o cinto.
- Sim, senhor – fiz continência.
Blink tocava no rádio e o Justin acompanhava a música, batendo de leve o indicador no volante.
-... Justin?
- Pois não? – perguntou bem humorado.
- Posso lhe pedir um favor? – mordi meu lábio inferior um pouco envergonhada.
- Diga.
- Será que incomodaria muito...
- Incomodaria muito...? – incentivou.
- Será que você pode me... – suspirei – Ensinar a dirigir? – ele abaixou os olhos, um pouco chateado.
- Não quer mais que eu lhe dê carona?
- Não é isso – disse devagar – Claro que adoro quando você me dá carona, mas pelo menos nisso eu gostaria de me tornar independente de você – fato.
- Gosto quando você depende de mim.
- Dependo de você para aprender a dirigir.
- Vou lhe ensinar – ele sorriu. Eu também.
Harlem, 3 de fevereiro. Seis e meia da tarde.
- Gire a chave – Justin apontou para a chave na ignição.
Girei e o carro começou a fazer barulho.
- E agora? – olhei-o entusiasmada. Estávamos dentro do Starfire. Chaz assistia a tudo, sentado nos degraus do prédio.
- Olha se está no ponto neutro – olhei a marcha. Sim. O Starfire tinha marcha.
- Ponto neutro... Aham. Confere – disse confiante.
- Pise na embreagem...
- Qual deles é a embreagem? – perguntei confusa e ele apontou para um dos pedais - Ok.
- Puxe a primeira marcha – obedeci – Acelere.
Pisei fundo no acelerador, arrancando o carro rapidamente e fazendo com que o Justin se encostasse à cadeira com os olhos espremidos e eu desse um grito.
- PISE NO FREIO! – gritou.
- QUAL DELES? – berrei desesperada.
- O ÚNICO QUE SOBROU! – obedeci novamente, descarregando toda a força do meu pé no freio, sendo impulsionada para frente (apesar de segurada pelo cinto) e fazendo o carro catar pneus no final da rua.
- Desculpe – falei descabelada, voltando para o meu lugar.
Minha mão tinha gelado.
- Tudo bem – Justin deu um suspiro de alívio – É a sua primeira vez. Você tem esse desconto.
- Na sua primeira vez você também foi assim? – olhei-o esperançosa.
- Próxima tentativa! – declarou, mudando de assunto e me fazendo girar os olhos.
Depois de algumas (várias) tentativas fracassadas e algumas (várias) gargalhadas do Chaz, finalmente consegui assumir o controle do Starfire, fazendo o Justin relaxar um pouco no banco do carona.
- Pronto – ele disse – Quer tentar dirigir até a sua casa agora?
- Não. Quero ir a um lugar bonito.
- Acho melhor agora não – olhou o relógio – São dez horas da noite e amanhã tem aula.
- Gastei esse tempo todo para aprender a dirigir? – deixei o queixo cair. Ele consentiu – Droga.
- Talvez você ainda precise de algumas aulas...
- Ok – suspirei derrotada – Vou me esforçar mais.
- Sei que vai – deu-me um beijo na bochecha, o que me fez ficar um pouco mais rosada.
SoHo, minha casa, 13 de fevereiro. Duas da tarde.
- Mad – meu pai bateu na porta do meu quarto, enquanto eu assistia a Friends na televisão.
- Oi?
- Posso falar uma coisa com você? - falou sério. Quando meu pai queria falar algo comigo nesse tom, não podia ser coisa boa.
- Já vou – levantei-me, colocando as minhas pantufas de coelho e abrindo a porta, dando de cara com meu pai e o Justin olhando para minha cara – Pai! - falei irritada – Se você tivesse me avisado que o Justin estava aqui, eu com certeza não estaria dentro desse pijama amarelo e nem com essa pantufa – os dois riram e se entreolharam – Qual é a ocasião?
- Queremos mostrar uma coisa para você – Justin disse, abraçando os braços atrás do corpo.
Levantei uma sobrancelha, desconfiada.
- É uma surpresa – papai completou empolgado.
- 'Ta. O que é?
- Venha ver – ele disse, indo em direção às escadas.
- Só para deixar claro... - Justin murmurou – Não gostei muito da ideia.
Meu pai abriu a porta da casa. Mamãe já estava lá fora. Justin desceu as escadas atrás de mim. Tia Rosie devia estar no quarto dela, lendo algum livro de espiritismo. Ela ainda morava conosco. Na porta da minha casa, estava estacionado um modelo de Volkswagen preto e novinho.
- Um carro? – juntei as sobrancelhas, descendo as escadinhas.
- Novinho – papai sorriu.
- E seu – Justin completou.
- SÉRIO? – falei animada, correndo na direção do veículo – Não acredito!
- A chave está na ignição – minha mãe disse terna, enquanto assistia à minha pessoa abrir a porta rapidamente.
- Muito obrigada! – meus pais sorriram - Quer dar uma volta, Justin? – pisquei para ele de brincadeira. Ele revirou os olhos, mas ainda assim entrou no automóvel.
- Só tente não nos matar. Ok? – alertou.
Dei um soco de leve em seu ombro.
- Para onde?
- Você quem sabe.
- Então está bem – girei a chave e pisei no acelerador devagar.
- O velho Starfire vai sentir sua falta... – ele suspirou.