terça-feira, 13 de agosto de 2013

14° capitulo- mistletoe

´´I don't wanna miss out on the holiday
But i can't stop staring at your face
I should be playing in the winter snow
But Imma be under the mistletoe´´



SoHo, minha casa, 22 de dezembro. Sete e quarenta da noite.
- Vou tomar banho no seu banheiro de novo – Megan disse, colocando a cara para dentro do meu quarto, enquanto eu mexia em alguns sites da internet pelo notebook – Pode?
- Pode, Megan. O banheiro é seu – ela começou a andar devagar na direção do banheiro.
- Seguinte, Mad... – parou e se virou pra mim – O Justin vai nessa viagem?
- Viagem...? – olhei-a interrogativa.
- É – cruzou – Para a pousada da tia Joanne.
- Vai...? – respondi, sem saber ao certo aonde ela queria chegar com isso – E...?
- Só estava pensando, priminha... – sentou-se na minha cama – Que o Justin ficou muito gato de uns anos pra cá, hein – ela mordeu o lábio inferior.
Meu coração apertou.
- E eu só estava pensando... – disse um pouco irônica – Que alguém se esqueceu de que é dois anos mais velha.
- Idade nunca significou algo para mim, meu bem – mandou-me um beijo no ar – Além do mais, o Justin pode muito bem se passar por um cara dois anos mais velho.
- Ah, faça o que quiser, Megan – estava irritada. – Não é problema meu.
- Que bom que sabe – ela piscou e se levantou da minha cama, indo em direção ao banheiro, finalmente.
Pousada da tia Joanne, 24 de dezembro. Nove e alguma coisa da noite.
O Chaz tinha vindo junto e estava se dando muito bem com todos.
Já tínhamos ficado um tempo conversando na varanda. Tínhamos pedido pizza, visto dois filmes que alugamos e agora encontrávamos na sala, com os pés para cima e três garrafas de cerveja vazias na mesinha de madeira.
Andrew e Cassie tinham ficado abraçados a viagem inteira. Liv e Chris, aos beijos. Claro que Emma não pôde deixar de se estranhar com a minha prima.
Megan não pôde tirar os olhos do Justin, Chaz não pôde tirar os olhos da Megan, eu não pude tirar os olhos de todos e Justin não pôde parar de observar isso.
- Uma hora para o natal! – disse Cassie, descendo as escadas.
Estávamos sentados, vendo um programa qualquer na televisão.
- FELIZ NATAL! –Chaz gritou já alterado, abraçado com a Emma, que ria de tudo com um copo de champanhe na mão.
Apesar de já ter passado quase uma hora após a meia-noite, o álcool tinha feito maioria das pessoas presentes perder a noção do tempo.
Enquanto todos estavam sentados a mesa, rindo de qualquer bobagem, eu estava na varanda, respirando um pouco do ar gelado.
- Passar a virada do natal sozinha faz bem a ninguém – ouvi a voz que eu mais gostava vinda de trás de mim.
- Acontece, Justin - virei-me, sorrindo – Que a virada do natal foi há uma hora.
- Ah, foi? – juntou as sobrancelhas, se debruçando no muro da varanda no qual eu também estava debruçada – Então estou atrasado.
- Para quê?
- Para lhe desejar um feliz natal – puxou-me para perto em um abraço – Feliz natal, Mad – ele sussurrou – Sei que você não acredita muito em nenhuma religião...
- E acha que o natal é só uma data comercial – completei.
- É. Isso também – riu por cima do meu ombro – Mas quero que quem quer que esteja lá em cima... - olhou para cima essa hora – Faça você ser muito feliz.
- Também lhe desejo, Justin - sorri de leve, apertando meus braços em volta dele – Toda a felicidade possível do mundo.
- E mais uma coisa – disse, afastando-se de mim e enfiando a mão em um dos bolsos do casaco grosso.
- O quê?
- Comprei uma coisa para você – tirou um pequeno saquinho de dentro do bolso.
- Ah... – disse sem graça – Desculpe-me, Justin. Pensei que o combinado fosse não comprar presentes, então comprei nada para você...
- Eu sei – ainda sorria – Não tem problema. Comprei isso porque achei a sua cara – estiquei a minha mão e segurei o saquinho de pano.
Em seguida, abri-o com cuidado.
- Uma tornozeleira de prata?! – sorri, admirando a tornozeleira fina com algumas estrelas enfeitando.
- Desculpe - colocou as mãos no bolso, como se estivesse sem jeito - Queria que fosse de ouro.
- Está brincando, Justin? – olhei-o ainda com um sorriso bobo na cara – É linda!
- Sério?
- Sério – meus olhos ameaçaram marejar – Ela é linda – olhei o presente novamente – Sabe de uma coisa, Justin?
- Hum? - passou a mão pelos meus ombros.
Escorei a cabeça em seu peito, sentindo-me aquecida.
- Você é o melhor.
- Eu sei...
[...]
Mahnattan's High School, 1 de fevereiro. Sete e cinqüenta da manhã.
- Ano novo, vida nova! – disse Emma, abraçando-me pelo pescoço – Bem-vinda ao último ano do colégio, gatinha.
- Ai, nem me lembre – juntei meus olhos no nariz, fazendo cara de "Meu Deus, o que é isso".
- Já sabe que faculdade vai cursar? – perguntou interessada.
- Não faço a menor ideia – disse sincera – Mas nada que envolva cálculos, de preferência.
- Tente psicologia.
- Já até tinha pensado nisso – olhei para baixo.
- Até...?
- Até ficar ouvindo os problemas da minha tia-avó Rosie o dia inteiro – suspirei – Daí desisti – Emma riu.
- Se você não descobrir até o final do ano o que quer ser - estava pensativa – Preste vestibular comigo. Vai ser legal.
- Ah, é? – até que essa ideia não me parecia tão ruim – Você vai prestar vestibular para quê?
- Jornalismo – abriu um sorriso e depois o fechou devagar, estreitando os olhos – Mas se você preferir... – tinha tom um pouco insinuante na fala – Pode prestar vestibular para o que quer que o Justin faça.
- Não sei se o Justin vai prestar vestibular.
- Por que não? – pareceu se surpreender. Andávamos em direção à sala de química.
- Acho que ele vai querer ajudar o senhor Bieber com o restaurante – fiz uma pequena pausa – Ele tem medo que o pai dele se desgaste muito com esse trabalho.
- O Justin é um bom filho – concluiu.
- Também acho.
- E a "Megan-oi-sou-gata"? – disse irônica e dei risada.
- Voltou para a Califórnia.
- Até que enfim.
- Mas ela volta no meio do ano – disse, fazendo Emma fechar o sorriso.
- Ai, pelo amor de Deus – ela girou os olhos impaciente.
- Ela nem foi tão ruim assim...
- Ah, fale sério – Emma disse, parando de andar e olhando para mim como se eu fosse alguma alienígena – Você é que deveria ser a principal incomodada.
- Eu? – fingi debochar – Por quê?
- Pense bem. Chaz chama você de princesa e ela, de rainha. Justin da uma atençãozinha a mais para ela...
- 'Ta. Já entendi – interrompi.
- Pois é, amiga. Fique de olho.
Entramos na sala de química junto com a Cher e o Conor. Eles voltaram das férias juntos (provavelmente ele ainda achava que podia fazer algum tipo de vingança contra o Justin. A Cher, o mesmo).
Porta da Manhattan's High School, primeiro de fevereiro. Três e sete da tarde, exatamente.
Ouvi duas buzinas quando pisei pra fora da escola. Um som que eu conhecia bem. Justin estava dentro do Starfire, sorrindo para mim. Meu coração sorria também, enquanto dirigia-me até o carro.
- Bom dia, princesa – piscou. Gargalhei, sentando-me ao seu lado.
- Deu para dar uma de Chaz agora?
- Não posso? – levantou uma sobrancelha.
- Claro que pode – fechei a porta, colocando minha pasta para dentro – Mas é só que...
- O quê?
- É mais a sua cara me chamar de Mad – sorri leve.
- Ok, Mad – deu partida no carro – Coloque o cinto.
- Sim, senhor – fiz continência.
Blink tocava no rádio e o Justin acompanhava a música, batendo de leve o indicador no volante.
-... Justin?
- Pois não? – perguntou bem humorado.
- Posso lhe pedir um favor? – mordi meu lábio inferior um pouco envergonhada.
- Diga.
- Será que incomodaria muito...
- Incomodaria muito...? – incentivou.
- Será que você pode me... – suspirei – Ensinar a dirigir? – ele abaixou os olhos, um pouco chateado.
- Não quer mais que eu lhe dê carona?
- Não é isso – disse devagar – Claro que adoro quando você me dá carona, mas pelo menos nisso eu gostaria de me tornar independente de você – fato.
- Gosto quando você depende de mim.
- Dependo de você para aprender a dirigir.
- Vou lhe ensinar – ele sorriu. Eu também.
Harlem, 3 de fevereiro. Seis e meia da tarde.
- Gire a chave – Justin apontou para a chave na ignição.
Girei e o carro começou a fazer barulho.
- E agora? – olhei-o entusiasmada. Estávamos dentro do Starfire. Chaz assistia a tudo, sentado nos degraus do prédio.
- Olha se está no ponto neutro – olhei a marcha. Sim. O Starfire tinha marcha.
- Ponto neutro... Aham. Confere – disse confiante.
- Pise na embreagem...
- Qual deles é a embreagem? – perguntei confusa e ele apontou para um dos pedais - Ok.
- Puxe a primeira marcha – obedeci – Acelere.
Pisei fundo no acelerador, arrancando o carro rapidamente e fazendo com que o Justin se encostasse à cadeira com os olhos espremidos e eu desse um grito.
- PISE NO FREIO! – gritou.
- QUAL DELES? – berrei desesperada.
- O ÚNICO QUE SOBROU! – obedeci novamente, descarregando toda a força do meu pé no freio, sendo impulsionada para frente (apesar de segurada pelo cinto) e fazendo o carro catar pneus no final da rua.
- Desculpe – falei descabelada, voltando para o meu lugar.
Minha mão tinha gelado.
- Tudo bem – Justin deu um suspiro de alívio – É a sua primeira vez. Você tem esse desconto.
- Na sua primeira vez você também foi assim? – olhei-o esperançosa.
- Próxima tentativa! – declarou, mudando de assunto e me fazendo girar os olhos.
Depois de algumas (várias) tentativas fracassadas e algumas (várias) gargalhadas do Chaz, finalmente consegui assumir o controle do Starfire, fazendo o Justin relaxar um pouco no banco do carona.
- Pronto – ele disse – Quer tentar dirigir até a sua casa agora?
- Não. Quero ir a um lugar bonito.
- Acho melhor agora não – olhou o relógio – São dez horas da noite e amanhã tem aula.
- Gastei esse tempo todo para aprender a dirigir? – deixei o queixo cair. Ele consentiu – Droga.
- Talvez você ainda precise de algumas aulas...
- Ok – suspirei derrotada – Vou me esforçar mais.
- Sei que vai – deu-me um beijo na bochecha, o que me fez ficar um pouco mais rosada.
SoHo, minha casa, 13 de fevereiro. Duas da tarde.
- Mad – meu pai bateu na porta do meu quarto, enquanto eu assistia a Friends na televisão.
- Oi?
- Posso falar uma coisa com você? - falou sério. Quando meu pai queria falar algo comigo nesse tom, não podia ser coisa boa.
- Já vou – levantei-me, colocando as minhas pantufas de coelho e abrindo a porta, dando de cara com meu pai e o Justin olhando para minha cara – Pai! - falei irritada – Se você tivesse me avisado que o Justin estava aqui, eu com certeza não estaria dentro desse pijama amarelo e nem com essa pantufa – os dois riram e se entreolharam – Qual é a ocasião?
- Queremos mostrar uma coisa para você – Justin disse, abraçando os braços atrás do corpo.
Levantei uma sobrancelha, desconfiada.
- É uma surpresa – papai completou empolgado.
- 'Ta. O que é?
- Venha ver – ele disse, indo em direção às escadas.
- Só para deixar claro... - Justin murmurou – Não gostei muito da ideia.
Meu pai abriu a porta da casa. Mamãe já estava lá fora. Justin desceu as escadas atrás de mim. Tia Rosie devia estar no quarto dela, lendo algum livro de espiritismo. Ela ainda morava conosco. Na porta da minha casa, estava estacionado um modelo de Volkswagen preto e novinho.
- Um carro? – juntei as sobrancelhas, descendo as escadinhas.
- Novinho – papai sorriu.
- E seu – Justin completou.
- SÉRIO? – falei animada, correndo na direção do veículo – Não acredito!
- A chave está na ignição – minha mãe disse terna, enquanto assistia à minha pessoa abrir a porta rapidamente.
- Muito obrigada! – meus pais sorriram - Quer dar uma volta, Justin? – pisquei para ele de brincadeira. Ele revirou os olhos, mas ainda assim entrou no automóvel.
- Só tente não nos matar. Ok? – alertou.
Dei um soco de leve em seu ombro.
- Para onde?
- Você quem sabe.
- Então está bem – girei a chave e pisei no acelerador devagar.
- O velho Starfire vai sentir sua falta... – ele suspirou.

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