SoHo, minha casa, 1 de março. Oito e meia da noite.
- Madson! – minha mãe gritou do corredor.
Eu estava no meu quarto, tentando fazer os exercícios de literatura.
- Oi – respondi no mesmo tom.
- Megan no telefone!
- Pode deixar – peguei o telefone apoiado na mesa de cabeceira da cama. Um telefonema da Megan era incomum, já que eu não recebia um desses desde a oitava série. Perguntei-me sobre do que se trataria – Alô?
- Mad! – disse empolgada do outro lado da linha.
- Meg.
- Você não vai acreditar. Ganhei um concurso de beleza aqui na Califórnia!
- Nisso acredito – disse sincera.
- Não estou falando disso, sua boba – ela riu baixo – Estou dizendo que o prêmio foi uma viagem com mais quatro amigos para o Midtown's Inn em Miami.
- SÉRIO?!
- Uhum. Eu estava pensando no quanto gostei daquela viagem para a pousada da tia Joanne – imagino – E decidi chamar as mesmas pessoas que foram.
- Mas, Megan... - pensei um pouco – Somos mais do que quatro.
- Eu sei – ela disse simplesmente – Por isso pensei em todos pagarem uma parte para os outros dois irem – fez uma pequena pausa – Cassie e Andrew visitarão os parentes dela no Mississípi.
- Como você...?
- E aí, topa? É no dia dezessete, bem no feriado.
- Claro – respondi depressa – Vou ligar para o Justin para avisar.
- Não precisa – falou tranquila – Já fiz isso.
Dentro do avião, sobrevoando não sei onde, 17 de março. Onze e meia da manhã.
Eram duas horas de viagem de Manhattan até Miami. Estava sentada perto da janela, ao lado do Justin. Megan e Chaz estavam sentados juntos e Liv também. Emma estava sentada ao lado de um senhor de idade. Estava me sentindo mareada.
- Mad... – Justin me chamou. Olhei para o lado – Está tudo bem? Você está me parecendo meio verde...
- Estou bem, Justin – respondi – Talvez só um pouco enjoada.
- Vai passar – tentou me acalmar – Qualquer coisa é só pegar o saquinho – pegou a pequena sacola de plástico que estava na frente de sua cadeira e simulou que vomitava, fazendo-me rir.
- Sempre enjoei quando entrava em aviões – lembrei-me – Meu pai me colocava no colo para o enjoo passar – sorri levemente - O carinho me fazia esquecer de que eu estava passando mal.
Justin mordeu o lábio inferior, enquanto pousava a mão devagar sobre a minha e entrelaçava nossos dedos. Meu coração descompassou um pouco ao vê-lo fazer isso, mas firmei nossas mãos, fazendo-o segurar um sorriso.
- Sinto muito... Não posso colocar você no colo.
- Seria meio esquisito mesmo – ri baixo – Mas assim está bom – encostei a cabeça ao seu ombro e ele tombou a sua por cima da minha.
- É... Está bom. – concordou em meio a um suspiro.
- Acorde, casal maravilha! – Chris disse, fazendo-me abrir os olhos com dificuldade.
- Droga, Chris – Justin disse mal humorado, passando a mão no rosto. Ainda estávamos com os dedos entrelaçados e todos os outros passageiros do avião (com exceção de nossos amigos) já tinham saído.
Quando percebi que estávamos sendo observados por todos, recolhi minha mão depressa, deixando a dele ainda parada no assento.
- Já chegamos? – perguntei, situando-me no local.
- O que você acha? – Megan revirou os olhos.
- Vamos sair logo – Justin levantou-se, pegando a sua mala e a minha, sendo observado por minha prima em seus movimentos.
Saindo do avião, fomos pegos na porta do aeroporto pela van fretada pelo concurso de beleza e levados até o hotel Midtown's Inn. O hotel não era extraordinário, mas bonito. Tinha piscina e vista para o mar (tudo o que nós precisávamos). A divisão do quarto seria feita de forma que os meninos ficassem em um quarto e as meninas em outro.
- São dois quartos com duas camas de casal cada – Megan explicou.
- Durmo na cama de casal com o Justin – Chaz disse, abraçando o amigo de uma forma meio gay (mesmo que de brincadeira).
- Saia fora – Justin deteve-o pelas bochechas, já que fazia biquinho para "beijá-lo" – Durmo sozinho em uma cama de casal – declarou.
- Acho justo que fizéssemos um sorteio – Chris propôs abraçado com Liv – Também não quero dormir com algum de vocês dois.
- Tem medo de se envolver demais, Christian? – Chaz fez uma voz feminina, fazendo todos gargalharem. Inclusive ele mesmo.
- Nada disso, seu gay – Chris disse de brincadeira, rolando os olhos.
- E que sorteio a gente faz? – Justin perguntou, suspirando.
- Dois ou um? – Christian sugeriu.
- Só se for agora.
Os meninos jogaram e acabou que o Christian se livrou de uma noite a dois.
- 'Ta – Liv disse, virando-se para as meninas que olhavam aquilo tudo com cara de paisagem – Quem vai dormir com quem?
- Mad – Emma abraçou-me.
Dei risada.
- Ok, Meg – Liv olhou-a – Eu e você então.
- Por mim, tudo bem.
Midtown's Inn, Miami, 17 de março. Duas da tarde.
Deixamos a bagagem no quarto e nos dirigimos para a piscina, logo em seguida. Tínhamos decidido comer alguma coisa por lá enquanto aproveitávamos o sol que ainda tinha. Estava muito quente.
Eu usava uma saída de praia azul por cima do biquíni e saía do quarto um pouco encolhida junto com a Emma.
- Vou fingir que não vi – ela disse para mim.
Liv e Megan já estavam na piscina, no andar de baixo, com os meninos.
- Vai fingir que não viu o quê?
- Você e o Justin no avião – sorriu leve e seguiu, andando na minha frente.
- Pule na piscina, princesa! – Chaz gritou de dentro da água assim que me viu.
Abracei meu corpo, sem graça.
Chaz, Justin, Chris e Liv já estavam na piscina. Megan estava com um chapéu de praia grande e óculos escuros, sentada na espreguiçadeira e passando protetor solar.
- Alguém já pediu batata frita? – Emma perguntou, jogando as coisas dela na espreguiçadeira ao lado da de Megan.
- Pensei que você estivesse fazendo dieta – Chris disse.
- Obrigada por ser tão direto – ela revirou os olhos e Liv riu – Eu estava, mas a graça da dieta é que quando se consegue um corpo maravilhoso você pode estragá-lo – balançou os ombros.
- Você já conseguiu o corpo maravilhoso, Mad? – Justin perguntou, fazendo referência à minha dieta.
- Claro que não. Você sabe que estraguei minha dieta várias e várias vezes com o Burger King – coloquei as mãos na cintura.
- Ah, é.
- Mas você não engordou – Liv fez a observação.
- É de ruim mesmo – Justin completou, fazendo-me chegar perto da piscina e mandar água nele com o pé. O garoto riu – E por que você não entra?
- Tenho vergonha.
- De quê?
- É, Mas – Chris concordou – Se é do seu corpo, fique tranquila. A Liv tem essa barriguinha aqui e nem por isso deixei de achá-la linda – Liv deu um tapa de leve em seu braço, fazendo-o rir.
- Você está brincando com o perigo, amor – ela ameaçou – Sério.
- Medo – Chris, Justin e Chaz disseram em coro.
Eu e Emma gargalhamos.
- Bem, se você não vai entrar, Mad... – Emma disse – Eu vou.
Tirou sua saída de praia, já se jogando na água.
- Venha, Mad – ela berrou para mim – A água está ótima!
- Não, Emm – falei, sentando-me na espreguiçadeira. Megan mandava mensagem pra alguém pelo celular – Tenho vergonha – besteira? Não acho. De todas ali, eu era a menos "desenvolvida".
- Se você não vier... – Justin disse, apoiando o corpo nas mãos e colocando o joelho para fora da piscina – Vou aí buscar.
- Você não teria coragem – falei em meio a uma risada, levantando-me apressada da espreguiçadeira. Megan levantou os óculos como se para analisar o Justin de short.
- Então você não me conhece.
Justin começou a correr atrás de mim. Dei um grito curto e esganiçado antes de começar a correr em volta da piscina também, fazendo todos os outros hóspedes notarem a nossa presença.
- Pare, Justin! – gritei, rindo e correndo.
- Não. Eu disse que ia buscar você – sua voz estava cada vez mais próxima.
Eu sempre tinha sido mais rápida na infância, mas alguma coisa tinha mudado, já que ele estava cada vez mais perto e eu, conseguindo correr menos. Talvez tivéssemos apenas amadurecido.
- Pare, Justin! – gritei novamente, sentindo-o me agarrar pela cintura e me puxar para perto. Eu ria, enquanto ele segurava meus braços por trás e molhava as minhas costas.
- Venha cá – estava se divertindo.
- Não – debatia-me, tentando sair dos seus braços.
- Então 'ta – colocou a mão esquerda rapidamente por baixo das minhas pernas, carregando-me.
- Justin, por favor, não! – eu ria, enquanto batia as minhas pernas, apesar de no fundo não fazer questão de ser solta. Ele andava na direção de onde nossos amigos estavam.
- Tampe o nariz – avisou, chegando perto de Chaz e pulando na piscina comigo no colo.
- Droga, Justin – tirei o meu cabelo molhado do rosto.
- Eu disse que eu ia buscar você – sorriu vitorioso, colocando-me de pé.
- Acho que também vou entrar – Megan anunciou, tirando seu roupão e fazendo todos (menos a Lively e o Christian, que tinham coisas mais interessantes a fazer) olharem. Ela tinha as curvas perfeitas e claro que o Chaz e o Justin não puderam deixar de notar.
Ficamos o dia inteiro na piscina, brincando de coisas inúteis - aquelas que animam todo mundo, como briga de galo, vôlei... Só mais à noite que saímos para jantar.
Os dias podiam ser sempre assim: divertidos.
Midtown's Inn, Miami, 18 de março. Três e quinze da tarde, aproximadamente.
Eu e o Justin estávamos sentados com as pernas esticadas ao longo da minha cama na pousada, olhando o álbum de fotografias da sétima série que eu, acidentalmente, tinha trazido junto com as minhas coisas da viagem. A proximidade entre nós dois era estranha. Eu sentia o calor do corpo do Justin e isso me fazia ter vontade de tocá-lo, mesmo que fosse uma atitude idiota. Logo, eu me continha.
Todos os outros deviam estar na praia ou aproveitando os recursos do hotel, como, por exemplo, a piscina. Enquanto isso, eu e o Justin tínhamos preferido ficar no quarto e olhar as fotos.
- Você se lembra disso, Mad? – ele disse animado, olhando para uma das fotos em que estava com um anzol na mão e eu ao lado, com cara de nojo.
- Lembro – dei uma risada baixa – A pescaria de verão. Você arrancou o olho do peixe – o garoto riu.
- Você quase teve um ataque de nervos – ainda estava rindo.
- Foi uma das coisas mais nojentas que já vi na vida.
- E o dia em que você foi parar no banheiro masculino por aciden...
- Esse também entra na lista – falei rápido antes que continuasse. Ele soltou a gargalhada, seguido por mim.
- Tantas lembranças boas... – disse, parando de rir.
- É. Muitas – concordei, olhando para a parede em frente – Lembra-se de que você tinha a sua manta da sorte? – ri baixo.
Ele levantou as sobrancelhas.
- Lembra-se de que eu disse... – virou-se para mim devagar – Que se você se lembrasse disso eu ia matá-la? – fez as mãos ficarem como garras.
- Ah, não, Justin – ri, prevendo direitinho o que ele ia fazer.
Aliás, o que ele sempre fazia quando fazia aquele gesto.
- Ah, sim, Madson – fez cara de mau, começando a fazer cócegas na minha barriga.
- Pare, Justin! – gritei em vão. Ele continuava me fazendo cócegas, enquanto eu ria escandalosamente.
- Não, Mad – também ria – Isso é o que você ganha por se lembrar de coisas que já enterrei.
- Não, Justin! – pedia quase sem fôlego, tentando segurar as mãos dele.
- Você não vai conseguir segurar minhas mãos. Desista – debatia-me.
- Pare!
Por fim, como que num ato quase involuntário para me livrar das cócegas, empurrei o Justin. Não previa que ele ia cair entre a cama e o criado-mudo e nem que ia gritar uma palavra tão malcriada, mas foi o que aconteceu.
- Justin! – chamei-o preocupada, ajoelhando-me na cama e olhando baixo para ver o que tinha acontecido.
- Mad... – murmurou, olhando para cima e fazendo careta – Lembre-me de nunca mais mexer com você – dei risada.
- Pode deixar. Acho que você vai se lembrar – sorri – Você se machucou?
- Não – assentou-se no chão, fazendo-me sentar na cama também – Só meu ombro que está ardendo um pouco, mas acho que não foi... – olhou o ombro direito que provavelmente tinha batido na quina do criado-mudo. Segui o seu olhar. Tinha uma mancha escura por baixo da blusa azul – Droga – ficou de pé – Sangue?
- Deixe-me v... – antes que eu terminasse minha frase "prestativa", Justin segurou a camisa por baixo e a tirou, fazendo minha barriga esfriar discretamente e eu me esquecer do que ia falar.
- Ah – voltou a olhar o ombro – Foi só um arranhão.
- Deixe-me ver – suspirei, lembrando-me do que ia falar pouco antes de ser interrompida. Ajoelhei-me na cama novamente para ficar mais alta. Justin virou o lugar machucado para mim.
Claro que olhar para o ombro dele enquanto o menino estava sem camisa era uma tarefa um pouco mais difícil, mas nada que tenha me impedido. Tinha feito um corte longo, apesar de superficial, que agora sangrava.
- É só lavar – deu de ombros.
- Enquanto você lava, eu pego o anti-séptico – levantei-me, ficando de frente para ele.
- Anti quem? – juntou as sobrancelhas.
- Anti-séptico, Justin – expliquei – É o que as pessoas usam para evitar que uma ferida inflame.
- Que frescura, Madson – falou impaciente – Isso aqui foi só um arranhão.
- Melhor prevenir do que remediar.
- Nunca inflamei nada. Não vai ser agora que isso vai acontecer – olhava-me como se me chamasse de "patética" ou simplesmente "fresca".
- Estou me sentindo culpada pelo arranhão – esbocei minha cara manhosa – Deixe-me cuidar de você – fiz biquinho.
Ele riu.
- Vá lá – rolou os olhos.
- Obrigada – sorri, indo em direção ao armário na frente da cama, enquanto o via virar de costas e ir até o banheiro.
Antes que eu pudesse chegar às gavetas, tropecei na mala de couro marrom de Emma. Topar meu dedão com uma coisa dura lá dentro me fez deduzir que ela tinha esquecido a máquina fotográfica no quarto. Avoada como sempre...
Remexi nas primeiras gavetas, só tendo sinais das maquiagens da Megan (maioria ali eu não tinha nem ideia de como se usava). Puxei por fim a terceira gaveta, ouvindo um barulho por trás de mim. Provavelmente o Justin voltando do banheiro.
O anti-séptico estava jogado no fundo. Estiquei minha mão, ainda dando uma olhada na embalagem para me certificar de que era o produto certo. De repente, senti calor nas minhas costas, como se tivesse alguém parado atrás de mim.
- Olhe, peguei o... – falei, virando-me com o remédio nas mãos.
Não tive tempo para perceber muita coisa. Virei-me, dando de cara com os olhos do Justin bem atrás de mim, que apoiou as mãos no armário à minha volta e pressionou seu quadril contra o meu, encostando nossas testas e me fazendo prender o ar por um momento.
- Justin, mas o que vo...? – fui interrompida por ele juntando nossos lábios rapidamente duas vezes – Justin! – exclamei, expirando – O que você está fazendo.
Ele olhava fixamente para a minha boca, como se nem tivesse ouvido o que eu tinha acabado de falar.
- Shiu... – sussurrou, encostando o peito nu bem definido ao meu.
- O que você está fazendo? – segui seu tom, olhando-o nos olhos.
- Cale a boca, Madson – encostou nossos narizes.
- Por quê? – olhei para os lados, deixando claro que eu estava entendendo nada.
- Porque senão você estraga – pressionou mais ainda nossos corpos, fazendo com que eu perdesse o ar.
- Estrago o quê...? – voltou a colocar a boca na minha, dessa vez permitindo o contanto das nossas línguas e fazendo com que eu soltasse o remédio, pousando minhas mãos devagar em seus ombros.
Justin deslizou as mãos no armário de gavetas até minha cintura e subi a minha mão esquerda até a sua nuca. Eu estava permitindo que aquele beijo acontecesse. Aquele que começou sendo devagar, mas ia adquirindo cada vez mais velocidade e intensidade. Isso me dava medo, apesar de que eu não era capaz de impedi-lo. Apertou as mãos na minha cintura e enrosquei as minhas em seus cabelos, fazendo-o expirar mais depressa.
Depois que meu coração já estava acelerado o bastante e minha boca formigando, resolvi partir o beijo.
- Mad... – sussurrou, tentando voltar a encostar a boca na minha. Puxei-o para trás pelos cabelos de leve. Estávamos ofegantes – Que foi? – olhou-me, tentando se situar no local.
- O que você está fazendo? – perguntei baixo, olhando-o nos olhos. Voltou a encostar nossas testas.
- Mad... - disse no mesmo tom que eu – Eu te quero.
- Quê? – estava confusa, sem saber se tinha ouvido direito – Você não está falando coisa com... – colocou o indicador em cima dos meus lábios, impedindo-me de continuar a fala.
- Eu estou... – deu ênfase –Falando coisa com coisa.
- Mas... – tentei falar alguma coisa, mas não continuei a frase.
- Chega de fingir que não aconteceu o que aconteceu - tirou o dedo da minha boca, pousando a mão direita suavemente no meu rosto – Estou aqui. Certo? - consenti – O mesmo palhaço de sempre, o mesmo medroso de sempre, que pelo menos uma vez na vida gostaria de ter a coragem para dizer à garota mais maravilhosa que já conheceu o quanto ele a quer – voltou a encostar os nossos narizes – Por isso repito: eu quero você,Madson.
- Justin, eu... – minhas pernas estavam bambas. Não sabia o que responder. Pelo menos uma vez na vida eu gostaria de ser sincera sobre o que eu sentia, mas aí vinham as imagens da minha amizade com o Justin desde a infância e tudo se misturava na minha cabeça.
- Sei que você sente o mesmo – falou baixo – Então para que fingir? – juntou os nossos lábios novamente e, dessa vez, separei-nos.
- Pare, Justin – sussurrei quase como uma súplica.
Meus olhos estavam começando a arder e meu medo de acabar com a nossa amizade só aumentava.
- Sei que você gostou – ele disse, passando o nariz no meu devagar.
- Pare, Justin... – pedi novamente. Minha vista estava começando a ficar embaçada.
- Por favor, Madson – afastou um pouco nossos rostos, olhando-me nos olhos – Não faça isso – a súplica agora foi dele.
- Justin... – tentei voltar a falar – Eu não... – parei.
- Você não sente o mesmo, Mad? É isso? – seus olhos transpareceram mágoa.
Olhei rapidamente para baixo para não ter que encará-lo, deixando uma lágrima escorrer.
- É... – deixei mais duas rolarem.
- Então fale isso olhando nos meus olhos – sua voz falhou e afrouxou a mão na minha cintura – Fale, Mad – pediu novamente – Quero ouvir – eu estava um pouco mole, ainda sem conseguir olhar para o seu rosto, e rezando para que ele desistisse desse pedido – Quero ouvir porque aí sim vou saber que fiz tudo que pude.
- Justin... – encarei seus olhos tristes. Minha boca estava tremendo – Eu não... – não acreditava no que eu estava prestes a falar, mas talvez fosse a única maneira de salvar a amizade que levamos tanto tempo para construir – Não sinto o mesmo – olhou-me por mais um momento, deixando uma lágrima solitária escapar, mas logo em seguida tirando a mão da minha cintura e a enxugando com o braço.
- Então 'ta - disse simplesmente - Melhor eu ir embora.
Deu as costas devagar, sem nem voltar a me olhar. Abriu a porta do quarto bruscamente e a bateu, deixando-me sozinha. Olhei para os móveis do quarto um por um antes de me permitir escorregar as costas no armário, abraçar os joelhos e começar a chorar.
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cara essa Madson é mesmo uma boba, como ela pode ter dito não á ele cara? ai to morrendo kk continuo?
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cara essa Madson é mesmo uma boba, como ela pode ter dito não á ele cara? ai to morrendo kk continuo?
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