terça-feira, 6 de agosto de 2013

8° capitulo-This kiss

''This kiss is something I can't resist
Your lips are undeniable''-Carly Rae Jepsen


´´- Posso... – seu hálito quente fez com que a minha bochecha se arrepiasse inteira – Tentar... – foi deslizando o rosto devagar pelo meu. Fui parando de dançar aos poucos, sentindo minhas pernas bambearem e o ritmo me escapar – Só... – parou a testa na minha. Meu coração pulsava depressa – Uma coisa? – minha respiração acelerou.
Seu olhar começou a alternar do meu para os meus lábios. Meus olhos fizeram o mesmo, percorrendo o caminho dos dele tão ternos, passando pelo nariz, até chegar à sua boca.
- Posso...? – tornou a perguntar, sussurrado devagar.
Novamente, os músculos dos meus braços se contraíram involuntariamente, puxando o Harry para mais perto ainda (se isso fosse possível). Meu corpo contornou o dele, enquanto nossos narizes se tocavam. Firmou a mão na minha cintura.
- P... – comecei a falar, apesar da tremedeira repentina do meu queixo – P-pode.
Deixou transparecer um sorriso leve no canto da boca, enquanto aproximava seus lábios dos meus, como se isso fizesse parte de algum magnetismo.
Magnetismo... Era isso! O que eu sentia pelo Justin era magnético, como uma atração incontrolável entre dois imãs. Eu sabia que era isso o que ele estava sentindo também. Eu tinha necessidade dele.´´
Pousou seus lábios sobre os meus, fazendo as borboletas geladas fazerem uma baladinha no meu estômago. Eu mal conseguia me sustentar em pé.
A princípio foi um selinho leve, como que só para sentir um ao outro. Depois, ele comprimiu sua boca na minha, fazendo-as tomar o mesmo formato e pressionando mais ainda o seu quadril contra o meu. Por mais que fosse uma vontade quase indomável, eu não queria permitir que o Justin  aprofundasse mais ainda aquele beijo. Não queria que as nossas línguas se tocassem, porque se isso acontecesse, eu sabia que não o tiraria de dentro de mim, sabia que eu ia me deixar levar por um sentimento do qual não conseguiria me livrar.
Senti-o abrir a boca devagar e contornar meus lábios com a língua. Eu não ia abrir a boca. Minha razão lutava contra a vontade, até chegar a um ponto tão insuportável que senti que tinha que partir o beijo.
Soho, minha casa, 4 de outubro. Alguma hora da tarde.
- Vá depressa ,Justin! Deixe de ser lerdo! – gritei para o garoto de bicicleta atrás de mim. Ele era um pouco magrelo e tinha os joelhos ossudos.
- Não estou sendo lerdo – respondeu irritado – Você é que está indo rápido demais.
- Não estou, não – pedalei mais depressa, adquirindo mais velocidade.
- Vá mais devagar,Madson! – sua voz ia se distanciando. Achei ótimo. Era como se eu fosse mais veloz e mais resistente. Aquele Justin era mesmo um fracote.
-Madson! – alcançou-me – Por que você não me espera?
- Porque quero ser mais rápida.
- Pra quê? – perguntou confuso. Dei uma cambaleada, vendo que não tinha resposta.
- Não sei.
- Por que não podemos andar lado a lado? – aquelas palavras me tocaram de uma forma diferente. Eram suaves.
Imaginei-nos andando lado a lado sempre.
De repente, a bicicleta deu uma topada numa pedra e fui arremessada ao chão.
- Ouch! – resmunguei, levantando minhas costas do chão frio. Tinha caído da cama. Droga.
Abri os olhos devagar, dando uma examinada no quarto vazio. Meu cabelo devia estar lindamente penteado, igual feno. Balbuciei qualquer coisa sem sentido.
Uns flashes da noite passada vieram à minha cabeça, mesmo que embaçados. Comecei a tentar me lembrar de tudo: lindos olhos verdes de dar vertigens... Chad Stweart. É, eu tinha ficado com ele. O que mais?
- Eu não deveria sentir o que estou sentindo agora...
Meu coração disparando... Sim, aconteceu alguma coisa assim... Lembre-se, Madson! Teve uma coisa importante... Uma coisa...
- Dança comigo?
Isso. Foi isso. Fui dançar com o Justin, e...?
- Você é minha utopia...
Ok, coração disparou de novo.
Comecei a bater na minha cabeça de leve. As lembranças estavam vindo como um tsunami. Dessa vez, estavam nítidas.
- Posso...?
Senti um frio imenso na barriga. Eu tinha beijado o Justin. B-E-I-J-A-D-O.
Peguei meu cobertor branco e cobri minha boca com a vergonha. Isso era estranho. Não o fato de eu ter beijado o meu melhor amigo, mas o de eu ter gostado, o de ter sido a melhor coisa que já fiz com relação a ele. Deu-me uma vontade súbita de gritar, enquanto minhas bochechas coravam.
O garoto nem devia estar falando coisa com coisa. Jurava para mim mesma que tinha sido tudo obra do álcool. Só podia...
Por mais idiota que isso fosse, meus olhos começaram a ficar marejados. Senti um medo repentino de perdê-lo. Acho que não de perdê-lo em si, mas de eu ter me... Não, por ele não... Bobagem...
Manhattan's High School, 19 de outubro, três e quarenta e cinco da tarde.
As aulas já tinham terminado fazia... Quarenta e cinco minutos, exatamente. Ninguém mais estava vagando pelos corredores quando resolvi colocar minha cara para fora da sala do zelador. Podia parecer idiota, mas era lá onde eu me escondia quando as coisas não estavam indo bem. E elas, certamente, não estavam.
Enquanto eu andava apressada em direção ao meu armário (com a sensação desagradável de estar sendo observada), checava os mil e um recados no meu celular. Só tive paciência pra ler os dois primeiros:
"Por que você está me evitando?
Justin."
"Aconteceu alguma coisa que não estou sabendo?"
Como assim aconteceu alguma coisa que ele não estava sabendo? Será que ele não se lembrava do nosso... Beijo?
Bem, recapitulando: eu estava evitando o Justin desde a festa do meu pai. Nos meus pensamentos, se eu escutasse sua voz novamente, minha cabeça ia explodir. Ele não parava de encher minha caixa de mensagens do celular com recados como se não soubesse o que tinha acontecido. Quer dizer, como alguém não se lembra de ter beijado sua melhor amiga? O beijo significava muita coisa, ainda mais vindo dele.
Três e cinqüenta era o único horário seguro naquela escola. O único horário que eu sabia que ele não estaria mais lá. Girei a tranca do armário, soltando um suspiro. A solidão nunca tinha sido tão boa. Ouvi uma pancada em um dos armários logo ao meu lado, prendendo a respiração graças ao susto. Meus olhos vagaram por sua calça jeans e sua blusa até chegar ao rosto. Justo o rosto que eu não queria ver, com os olhos fixos em mim, estampando até um pouco de raiva. Minhas pernas estremeceram.
- Será que você poderia explicar... – minha cabeça não explodiu – Por que, raios, você está me evitando?
- Im... – comecei a falar baixo. Depois minha voz tomou força – Impressão sua.
- Não é, não – respondeu, dando risada de raiva – Já faz duas semanas que você está me evitando.
- Olhe! – fingi surpresa – Mas já faz isso tudo?
- Se foi por causa daquele beijo estúpido, pode se esquecer, se quiser. Não ligo.– ainda irritado. Meu queixo caiu. Então ele se lembrava?
– Como assim você chama meu beijo de estúpido?
- Não é o seu beijo – corrigiu-se – É o fato de você me ignorar por ele – ficou cabisbaixo por um momento e depois murmurou – Eu preferia não ter beijado.
- Ah... Também não precisa levar aos extremos, não é? - torci o nariz – Afinal de contas, você estava bêbado. Nem devia saber o que estava fazendo.
- Mas você não estava – deduziu, me olhando de um jeito doce, apesar de curioso – Por que me beijou?
- Ah... Eu estava confusa – engoli a seco – E você disse umas coisas... – meu tom de voz era mais baixo – Mas não se preocupe. Sei que foi tudo efeito do álcool – ri, batendo em seu ombro devagar. Ele não viu a graça.
Pela primeira vez em duas semanas, o Starfire Holiday me deixava na porta de casa depois da escola. Senti-me muito bem com isso. Quando me impulsionei para fora do carro, já segurando a porta para batê-la, pude ouvir o Justin dizer enquanto me encarava sereno.
- E se fosse verdade?
Soho, minha casa, 21 de outubro. Oito e alguma coisa da noite.
Estava deitada na cama, escutando qualquer música do James Blunt no iPod. Meu celular tocou e atendi, abaixando um pouco o volume.
- Alô?
- É do celular da dona Gertrudes? – ouvi uma voz conhecida perguntar.
- Justin – disse, rindo e girando os olhos.
- Madson – fez a mesma voz.
- Pois não? – sentei-me na minha cama.
- Pois não o quê?
- Para que me ligou?
- À toa – pareceu dar de ombros – Acho que foi para ouvir a sua voz – meu coração saiu do ritmo por um instante.
- Não. Sério.
- Ok, então. Digo pra que liguei para você.
- Para quê?
- Eu só estava me lembrando... – sua voz começou a ficar manhosa. Eu o achava a coisa mais fofa do mundo quando fazia isso – Que fiquei muito tempo sozinho em certa festa de riquinhos e merecia uma recompensa.
- Tocou no ponto fraco, Bieber – suspirei. Ainda me sentia muito culpada por isso – Pode falar. Faço tudo o que você quiser.
- Eu ia pedir uma coisa que nem exigiria tanto do seu esforço assim, mas já que você faz de tudo...
- Ei! – repreendi-o, me divertindo.
- Está certo, está certo.
- E então... O que era?
- O Chaz deu a ideia, ta? Não vá ficar brava – parecia sem jeito.
- Não vou. O que é?
- Você já se perguntou como seria ir a um baile de verdade?
- O baile do meu pai foi de verdade.
- Não quis dizer isso – fez um barulho com a boca– Eu estava perguntando se alguma vez você já se divertiu de verdade numa festa de verdade.
- Está bom. O que é uma festa de verdade, esperto? – sabia que ele tinha aberto um sorriso, apesar de não vê-lo.
- Que tal irmos à boate aqui do Harlem?
- Eu... – minha voz falhou. Eu não queria me imaginar sozinha com o ele de novo. Um medo sempre surgia no meu estômago (sim, essa era a origem dele). Medo de me beijá-lo novamente – Só eu e você?
- O Chaz também vai...
- Se é assim...
- Por quê? – tomava um tom de presunção – Queria ficar sozinha comigo?
- Nos seus sonhos, Bieber – brinquei.
- Depois daquele beijo, não sei mais se está tão nos meus sonhos assim... – cantarolou.
- Cale a boca, Justin. Eu já disse para esquecer!
- Deixe de estresse,Madson.
- Que dia?
- Sábado que vem, dia das Bruxas. O que acha? – a empolgação retornava ao seu tom de voz.
- Para mim, está ótimo.
- Então eu pego você aí na sua casa às oito, ok?
- Ok, estarei esperando então...
- Durma com os anjinhos... – fez voz fofa – E sonhe comigo.

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