- Obrigada, Justin – eu dizia, entrando no apartamento. Meu nariz estava entupido.
- Tudo bem. Eu já não pretendia dormir essa noite mesmo – deu de ombros.
- Por que não?
- Tinha maratona dos Simpsons... – notei que a roupa dele estava amassada.
- Seu nariz está sangrando? – perguntei preocupada.
- Quê? – ele colocou a mão no nariz, depois a abaixando e a observando manchada de sangue – Ah, droga!
- Cadê o seu pai?
- Já deve estar dormindo. Passou o dia todo tentando fazer a faxina na casa – ficou um pouco sem graça – Em especial, no meu quarto.
- Realmente. Nunca se sabe o que podemos encontrar lá - dei uma risada fraca.
Seu nariz ainda sangrava. Dirigi-me para a cozinha sem pensar duas vezes.
- O que você está fazendo?
- Deve ter gelo em algum lugar por aqui – abri o freezer.
Algum tempo depois, eu e o Justin estávamos sentados no sofá. Ele tentava não se mexer, enquanto eu limpava o sangue do seu nariz com uma toalha.
- Pronto – coloquei a toalha em cima de uma mesinha que estava em frente a mim, dando um bocejo.
- Obrigado – apertou o nariz de leve duas vezes.
- Que horas são? – escorei minha cabeça em seu peito.
Ele me abraçou pelo ombro.
- Devem ser quase onze horas... Por quê? Quer ir embora?
- Não – falava um pouco mais baixo – Não quero ir embora hoje.
Ele ficou em silêncio por um momento e depois foi deixando devagar que seu corpo caísse ao longo do sofá, me levando junto.
Não me importei.
Ele me abraçava pelo ombro e eu tinha a cabeça e a mão em seu peito.
Fiquei deitada no sofá, quieta, só sentindo o calor do corpo dele e sua respiração quente em meus cabelos. Eu mantinha os olhos fechados.
Fiquei deitada no sofá, quieta, só sentindo o calor do corpo dele e sua respiração quente em meus cabelos. Eu mantinha os olhos fechados.
- Justin...
- Hm?
- Como sabia que o Conor...?
- Ele passou no restaurante – falava baixo – E percebi que já devia ser nove horas e você estaria sozinha, esperando por ele.
- E o que você fez?
- Vamos dizer que perdi um freguês... – olhei-o com os olhos confusos. Ele sorriu – Depois disso, peguei o carro e fui atrás de você – voltei a fechar os olhos, me acomodando em seus braços.
- Vai comigo no baile do meu pai?
- Vai ser uma honra – eu não o via, mas sabia que ele estava sorrindo.
- Justin...? – falei, sussurrado. Já devia ser meia-noite. Ainda estávamos abraçados.
- Mad? Pensei que já estivesse dormindo... – no mesmo tom.
- Não consegui.
- Já experimentou contar carneirinhos?
- Isso não me dá sono – fiz bico – Deixa-me entediada.
- O que você quer fazer? – pensei um pouco.
- Canta para mim? – sussurrei.
- Sem chance – ele disse, dando uma risada de deboche.
- Cante para mim, Justin – insisti novamente, me acomodando em seu peito.
- Não, Madson – respondeu contrariado – Você sabe que eu não canto.
- Não sei, não – respondi, juntando as sobrancelhas –Todo mundo já o ouviu cantar... Menos eu – isso era um fato e me incomodava.
- Já me ouviram cantar onde? – ele parece ter arregalado os olhos.
- Festa da Primavera.
- Cantei nessa festa? – a voz dele espelhava confusão.
- Em cima da mesa, ainda por cima.
- Em cima da mesa? – a voz dele até esganiçou com a surpresa.
- Ninguém mandou ser um pé-de-cana – dei risada.
- Não respondo pelos meus atos quando estou bêbado – ele se defendeu. Ainda falávamos baixinho. Estava fresco e ele usava uma blusa de manga comprida cinza que me aquecia um pouco.
- Justin...? – murmurei.
- O quê, Mad? – ele disse calmo.
- Estou com frio nas pernas.
- Avisei a você que esse vestido era muito curto – sorriu satisfeito.
- Onde tem um cobertor? – perguntei, me levantando, apesar de sentir um pouco de má vontade da minha parte de me levantar de cima dele. O mesmo dele em me soltar.
- Acho que tem um no outro sofá – ele apontou e avistei o cobertor preto, já me esticando para pegá-lo e voltando rapidamente a sentar.
- Pronto – disse, colocando o cobertor por cima de nós, enquanto eu sentia a mão do Justin me segurar novamente pelo ombro e eu pousava minha cabeça em seu peito – E agora? Canta para mim?
- Não sei cantar – disse.
- Por favor? – fiz voz manhosa e ele ficou um momento em silêncio.
- Que música quer que eu cante? – suspirou derrotado.
- Qualquer música que vier à sua cabeça, para mim, está boa – sorri largamente.
- O que não faço por você? – deu outro suspiro.
Ouvi o coração do Justin acelerar ligeiramente. Gostei disso. Eu me aproximaria mais dele, se isso fosse possível. Percebi-o tomar ar para começar a minha música.
- "I could stay awake, just to hear you breathing". (Eu ficaria acordado apenas para te ouvir respirar)
"Watch you smile while you are sleeping". (Observar seu sorriso, enquanto você dorme)
"While you're far away and dreaming". (Enquanto está distante e sonhando)
"Watch you smile while you are sleeping". (Observar seu sorriso, enquanto você dorme)
"While you're far away and dreaming". (Enquanto está distante e sonhando)
Meu coração parecia reagir à sua voz que estava rouca e baixa.
"I could spend my life in this sweet surrender". (Eu poderia passar a minha vida nesta doce entrega)
"I could stay lost in this moment forever". (Eu ficaria perdido nesse momento para sempre)
"Every moment spent with you". (Todo momento que passo com você)
"Is a moment I treasure". (É um momento que valorizo)
"Don't wanna close my eyes". (Não quero fechar os meus olhos)
"I don't wanna fall asleep". (Não quero pegar no sono)
"'Cause I'd miss you, baby". (Porque eu sentiria sua falta, baby)
"And I don't wanna miss a thing". (E não quero perder coisa alguma)
"'Cause even when I dream of you". (Porque mesmo quando sonho com você)
"The sweetest dream would never do". (O sonho mais doce nunca seria o suficiente)
"I'd still miss you, baby". (Eu ainda sentiria sua falta, baby)
"And I don't wanna miss a thing". (E não quero perder coisa alguma)
"I could stay lost in this moment forever". (Eu ficaria perdido nesse momento para sempre)
"Every moment spent with you". (Todo momento que passo com você)
"Is a moment I treasure". (É um momento que valorizo)
"Don't wanna close my eyes". (Não quero fechar os meus olhos)
"I don't wanna fall asleep". (Não quero pegar no sono)
"'Cause I'd miss you, baby". (Porque eu sentiria sua falta, baby)
"And I don't wanna miss a thing". (E não quero perder coisa alguma)
"'Cause even when I dream of you". (Porque mesmo quando sonho com você)
"The sweetest dream would never do". (O sonho mais doce nunca seria o suficiente)
"I'd still miss you, baby". (Eu ainda sentiria sua falta, baby)
"And I don't wanna miss a thing". (E não quero perder coisa alguma)
- Justin... – gaguejei baixo. Meu coração estava a mil. Acho que eu ia pedir pra que ele parasse antes que eu tivesse um ataque cardíaco. Meus olhos começaram a arder de novo. Sentia as lágrimas brotando. Ele me apertou ainda mais contra seu corpo.
- "Laying close to you". (Deitado perto de você)
"Feeling your heart beating". (Sentindo o seu coração bater)
"And I'm wondering what you're dreaming". (E me perguntando o que você está sonhando)
"Wondering if it's me you're seeing". (Imaginando se sou eu quem você está vendo)
"Then I kiss your eyes and thank God we're together". (Então beijo os seus olhos e agradeço a Deus por estarmos juntos)
"I just want to stay with you". (Só quero ficar com você)
"In this moment forever, forever and ever". (Nesse momento para sempre, sempre e sempre)
"Feeling your heart beating". (Sentindo o seu coração bater)
"And I'm wondering what you're dreaming". (E me perguntando o que você está sonhando)
"Wondering if it's me you're seeing". (Imaginando se sou eu quem você está vendo)
"Then I kiss your eyes and thank God we're together". (Então beijo os seus olhos e agradeço a Deus por estarmos juntos)
"I just want to stay with you". (Só quero ficar com você)
"In this moment forever, forever and ever". (Nesse momento para sempre, sempre e sempre)
Eu ouvia a voz do Justin cada vez mais distante. Eu queria ficar acordada, mas minha consciência já estava entrando no embalo da melodia e da sua voz.
Adormeci.
Harlem, 19 de setembro. Oito e dez da manhã.
Abri meus olhos devagar. Eu sabia que tinha dormido feito uma pedra. Apesar de um vento fresco bater no meu rosto, eu estava aquecida. Encontrava-me assim porque estava nos braços dele.
- Justin...? – perguntei com a voz rouca.
- Mad... – ele respondeu baixo.
- Ah, você já está acordado. Pensei que... – apoiei-me no seu peito. Seus olhos ainda estavam fechados. Ele dormia.
Fiquei feliz.
Fiquei feliz por ele ter sussurrado o meu nome, fiquei feliz por ser eu quem ele estava vendo.
Essa era a primeira vez que eu dormia fora de casa. Quer dizer, com um menino. Minha mãe ia querer saber os detalhes da minha noite maravilhosa com o Conor (supostamente, eu deveria estar com ele). Meu pai ia me condenar. Acho que eu ia acabar inventando uma desculpa. Que eu tinha encontrado a Lively no caminho e acabei indo dormir na casa dela. Não sei.
Essa era a primeira vez que eu dormia fora de casa. Quer dizer, com um menino. Minha mãe ia querer saber os detalhes da minha noite maravilhosa com o Conor (supostamente, eu deveria estar com ele). Meu pai ia me condenar. Acho que eu ia acabar inventando uma desculpa. Que eu tinha encontrado a Lively no caminho e acabei indo dormir na casa dela. Não sei.
Comecei a analisar o rosto dele, tão calmo, tão liso. Entendi o porquê da expressão "dormir feito um bebê". Não existia cena melhor para ilustrar. Meus olhos foram saindo da sua testa, descendo pelo seu nariz até chegar aos seus lábios. Eu os observava com atenção. Carnudos, rosinhas e um pouco abertos. Pareceram-me mais atraentes do que nunca.
- Depois vou querer saber disso com detalhes – disse o Jeremy, entrando na sala e me dando um susto.
Levantei-me de cima do Justin depressa. Ele permaneceu dormindo.
- Ah! Bom dia, senhor Bieber – não havia lugar pra eu esconder a minha vergonha.
Coloquei uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. A gominha devia ter ficado em algum lugar do sofá. Meu cabelo estava solto e desgrenhado.
- Bom dia, Madson – ele sorriu. O Jeremy parecia bastante abatido.
- O senhor já está melhor?
- Claro. Tenho que estar – ele levantou o braço, mostrando o "muque".
Dei uma risada.
- O senhor é uma peça.
- Quer alguma coisa de café da manhã? – ele disse, entrando na cozinha – Venha. Vamos olhar alguma coisa para você comer.
Eu o segui.
Estava descalça e sentia o frio do ladrilho no chão. Eu sentia frio nas pernas. Talvez Justin estivesse certo... O vestido era muito curto.
- Temos pouca coisa, comparado ao que você deve estar acostumada a comer, mas deve ser o sufi... – ele estava abrindo o armário.
De repente, começou a tossir como se tivesse engasgado, segurando a garganta com os olhos fechados.
Corri em sua direção, fazendo com que se apoiasse no meu braço esquerdo, enquanto com o direito eu segurava seus ombros. Ele ainda tossia.
- O senhor precisa de alguma coisa? – está bom, eu definitivamente não sei lidar com esse tipo de situações.
O desespero já estava me alcançando.
- Não – tosse – Estou bem – outra tosse.
- Espere, vou chamar o... – eu já estava me impulsionando para a porta que dava para a sala, quando o Jeremy apertou meu braço para que eu não fosse.
- Por favor, não conte para o Justin – ele me olhou suplicante.
Eu estava confusa.
- Por que não? Ele é o único que pode ajudar o senhor... – "obviamente, eu não, já que sou uma desesperada chorona que não sabe lidar com pessoas doentes", pensei.
- Ele não pode passar por isso de novo – o olhar dele ainda era de súplica.
- Isso o quê?
- Ele não pode me ver doente – os olhos dele se enchiam de lágrimas – Não pode ver que estou mal.
- O senhor pode explicar direito? – eu estava preocupada. Por que o Justin não podia saber? E se o pai dele piorasse? Eu ia manter em segredo?
- A última vez quase o destruiu – ele disse simplesmente.
Meu coração gelou.
- A última vez... – eu ainda estava confusa - Você quer dizer quando a mãe dele estava doente?
- Ele passava o dia todo por conta dela - ele ainda falava baixo, provavelmente com medo de acordar o filho – Quando ela morreu, ele entrou em depressão. Não comia, não dormia... Nunca mais sorriu do mesmo jeito.
- Mas o senhor não vai... – engoli a seco.
- Só tenho medo que ele fique por minha conta. Não quero que ele deixe de andar com os amigos ou de ir à aula para me ajudar a recuperar. Quando Pattie, minha esposa, foi parar no hospital, ele deixou a vida para trás. Não quero que ele repita esse erro – ele me olhava, ainda suplicante – Você pode me fazer esse favor e manter isso em segredo?
Eu já ia abrir a boca para responder alguma coisa, quando alguém entrou na cozinha.
- Santa mãe do guarda! – disse Chaz, passando pela porta e dando de cara comigo – Eu sabia que uma hora ou outra você e o Justin iam assumir, mas vocês podiam ter me prevenido! – rolei os olhos.
Starfire Holiday, 19 de setembro. Indo pra minha casa, dez e quinze da manhã.
-Justin? – perguntei abraçada aos joelhos, no banco o carona. Não tive resposta –Justin? – perguntei de novo.
Ele olhava para a direção, quase pegando no sono. O cabelo dele também estava todo bagunçado e ele tinha olheiras.
- Ah, oi? – disse, acordando.
- Você tem certeza que está em condições de dirigir?
- Tenho. Estou bem – tinha a voz rouca.
- Tem mesmo certeza?
- Tenho. Melhor impossível.
- Que horas foi dormir ontem?
- Lá pelas quatro. Não estou certo.
- Incomodei você tanto assim?
- Não – ele respondeu rápido – Você não me incomodou. Quer dizer... – as bochechas dele estavam vermelhas – Ontem à noite foi... – parou.
- Se não incomodei... O que você ficou fazendo?
- Só... Pensando.
- Em quê?
- Coisas da vida, Madson. Não tem como eu me lembrar.
- Ainda vai ao baile do meu pai? – olhei-o.
- Não posso.
- Por que não? – perguntei boquiaberta.
- Não tenho roupa para ir.
- Você não tem algum terno? – juntei as sobrancelhas.
- Eu até tinha – ainda estava sem graça – Mas a última vez que o usei foi no enterro do meu tio avô... Há dois anos. Acho que eu já cresci alguns centímetros desde então – ele deu uma pequena pausa e depois apertou a mão no volante – Se você quiser, pode chamar outro menino. Vou entender.
- Não, Justin. Eu queria que fosse você – fui sincera.
- Mas você sabe que não vou ter condição de... – juntou as sobrancelhas – Ser um par à altura.
- À altura de quê, Justin? – perguntei, soltando um suspiro – Você sabe que seria perfeito, mesmo se fosse com um terno todo remendado ou com uma gravata vermelha de bolinhas amarelas – fez careta e ri – Você é perfeito só sendo você.
Justin continuou olhando para a direção.
Ficamos um tempo em silêncio, até ele estacionar á porta da minha casa. Meu pai já devia estar se descabelando.
Ficamos um tempo em silêncio, até ele estacionar á porta da minha casa. Meu pai já devia estar se descabelando.
- Mas... – começou a falar sem olhar pra mim.
- Hm?
- Não sou perfeito para você, Madson – eu já ia abrir a boca para retrucar, mas ele me interrompeu – Não de verdade.
Olhei para a porta da minha casa. Meu pai estava lá, na varanda, com um celular na mão. Do jeito super protetor que ele é, provavelmente devia estar ligando pra polícia. Fiquei desconfortável por ter que inventar uma mentira, mas era uma coisa que eu precisaria enfrentar.
Abri a porta do Starfire, sendo observada em cada movimento pelo Justin. Eu ia me virar para agradecer, quando me lembrei de uma coisa importante.
- A propósito - fiquei de frente pra ele – Você canta muito bem.
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