quarta-feira, 7 de agosto de 2013

10°capitulo-everything about you


''It's everything about you, you, you Everything that you do, do do From the way that we touch, baby''

Delegacia de polícia, agora dia primeiro de novembro. Uma e meia da manhã.
- Está bom – o policial disse depois de um longo interrogatório – Agora vocês estão liberados, mas proibidos de entrar naquela boate novamente no período de dois meses – decretou – Agora pode levar sua namorada para casa.
- Muito obrigado – Justin respondeu simpático, abraçando-me pelos ombros e me conduzindo para a saída da delegacia.
Lá fora estava frio e escuro. Eu sabia disso, apesar das imagens ainda estarem confusas.
- Você está bem? – perguntei com a voz falha, enquanto nos dirigíamos para o Starfire Holiday.
- Estou – deu de ombros.– Mas o que, diabos, você estava fazendo daquele lado da boate? E ainda bêbada desse jeito...? – sua voz era calma, porém repreensiva.
- A culpa é sua.
- Minha? – perguntou surpreso – Mas o que eu fiz?
- Você foi um idiota, Justin. Isso é que você fez.
- O quê? – ainda me abraçava pelos ombros – O que fiz?
- Não venha se fazer de bobo aqui, não – dei uma cambaleada e ele me apertou mais forte – Eu bem vi você se agarrando com aquela loira azeda.
- Loira a... – dizia interrogativo – A Britany?
- Britany – repeti, fazendo voz de nojo.
- Qual o problema com ela? – ainda confuso.
- O problema... - parei de andar e virei-me em sua direção com raiva. Eu estava enxergando dois Justin's –... É que você não tinha o direito de beijá-la.
- Por que não?
- Por que... - pensei um pouco - Por que não!
- Madson, melhor parar com isso... Antes que eu ache que você está com ciúmes – deixou um sorriso desafiador escapar.
- Com ciúmes, eu? – fiz barulho de deboche com a boca e em seguida dei uma risada um pouco histérica. Não tinha mais o controle sobre o que eu falava.
- Se não é ciúmes, é o quê? – ainda matinha a voz controlada.
- Está bom – dei de ombros – E se for ciúmes? O que você vai fazer?
Ele se aproximou de mim devagar, colocando os braços em volta da minha cintura e me puxando para perto, de modo que o meu nariz quase encostasse ao seu pescoço quente.
- O que eu iria fazer? – repetiu a pergunta, colocando a boca perto do meu ouvido e sussurrando – Eu a compensaria.
- Então me compense – disse decidida, colocando os braços em volta de seu pescoço.
- Não.
- Por que não?
- Porque não é isso o que você realmente quer.
- E é isso o que você quer?
- Isso o quê?
- Não me compensar...? – olhava-o com olhos pidões.
- Não estamos falando de mim – desenrolou os braços da minha cintura e começou a se afastar – Você não quer isso.
Colocou as duas mãos no bolso, olhando-me cabisbaixo e continuando a andar na direção do carro. Fiquei parada por um momento, encarando o vazio.
Era aquilo que eu realmente queria. Eu queria ser compensada.
- Justin! – disse alto, com o mesmo já a alguns passos de mim.
Quando ele se virou para trás, minha vontade tomou conta do meu corpo. Era como uma corrente elétrica começando na minha cabeça e terminando nas minhas pernas que avançaram rapidamente na sua direção.
Corri até ele, espalmando minha mão na sua nuca e juntando nossos lábios rapidamente. Contornei a sua boca com a língua e ele, diferentemente de mim, abriu-a sem questionar. Nosso beijo estava selado, nossas línguas se tocavam e se movimentavam quase em sincronia. Era como se o meu beijo tivesse sido feito para o dele.
Justin colocou as mãos firmes na minha cintura, me puxando mais para perto. Apertei minha mão entre os seus cabelos. Era ali, e daquele jeito, que eu queria ficar para o resto dos meus dias.
Oldsmobille Starfire Holiday, Harlem, porta da casa doHarry. Duas e meia da manhã.
- Madson... – ele disse com a voz sufocada graças aos beijos que eu lhe dava na bochecha.
- Hm?
- Você está fora de si – respondeu, tirando minha mão do seu rosto.
Apesar de estar bêbada, eu sabia perfeitamente bem o que eu estava fazendo, certo?
- Não estou, não – respondi, continuando a beijar sua bochecha e seu pescoço.
- Então depois não venha com aquele papo de que me aproveitei da sua tontura para... – afastei-me, fixando o olhar em seu rosto.
- Você não está se aproveitando de mim – disse calma e pausadamente.
- Eu sei, mas se tiver que rolar alguma coisa entre a gente, que seja quando você estiver sóbria – também me encarava, porém sério.
- Você não me quer? É isso? – cruzei os braços, encostando-me à porta ao meu lado do carro.
- Não é isso – suspirou – Claro que quero você.
- Também quero você – disse sincera. Olhou-me nos olhos, como se procurasse algum sinal de mentira – Muito. E quero beijá-lo – sorri devagar - Muito – parecia ter ficado arrepiado. Gostei do efeito que causei. Meus olhos ardiam levemente de sono – Se você me quer, então por que não me beija?
- Porque prefiro fazer isso quando você estiver sóbria e ciente do que está fazendo.
- Justin...?
- Hm?
- O que exatamente você sente por mim, então? – voltei a me escorar na cadeira, deixando meu corpo mais mole.
Meus olhos ficaram pesados.
- Você quer realmente saber disso, Madson?
- Quero – disse, embolando um pouco a língua.
O sono estava tomando conta de mim.
- Mesmo sabendo que isso pode estragar a nossa amizade?
- Isso vai estragar nada – deixei minha cabeça encostar à janela gelada.
- Então lá vai – deu-me um frio repentino na barriga – Mas só vou lhe falar porque você perguntou, 'ta?
- 'Ta.
- Por favor, não olhe para mim com uma cara esquisita amanhã...
- Não tenho a cara esquisita, Justin – falei em meio a um sussurro.
- Vai ser melhor se eu falar isso de uma vez... – respirou fundo.
- Fale.
- Madson, desde a primeira vez em que a vi, eu...
Adormeci.
Harlem, primeiro de novembro. Dez horas da manhã (por aí).
Abri meus olhos devagar. Eles ainda estavam bastante pesados. Minha cabeça parecia explodir e minha garganta ardia como se eu tivesse engolido areia.
Maldita ressaca.
Olhei para o quarto desconhecido e conhecido ao mesmo tempo à minha volta. Tinha dormido no quarto do Justin, usado seu travesseiro, seu cobertor... Agora eu estava com seu cheiro.
Isso era bom.
Levantei-me devagar, ainda a tempo de perceber que ele tinha colocado sua blusa verde-oliva por cima do meu vestido para me proteger do frio. Sorri, procurando qualquer sinal dele pelo quarto. Nada a vista, Então me dirigi para o corredor.
Lá estava.
Na sala, dormindo como uma pedra, como sempre fazia, com os cabelos jogados e com um cobertor que parecia não estar quente o suficiente. Isso me fez ir até seu quarto e pegar o edredom que tinha usado para me cobrir para jogar por cima dele. Seu olho ainda estava roxo, me fazendo lembrar dos acontecimentos da noite anterior.
"Como você é burra,Madson. Burra. Burra. Burra!", pensei comigo mesma. "Mas você tinha que beber mesmo, não é? Ficar lindamente bêbada para poder estragar tudo!". Dei-me um tapa na testa. Estava ajoelhada ao lado do sofá, onde o Justin dormia. "Agora ele vai achar que você é uma oferecida inconsequente. Droga!".
Observei seu rosto sereno. Olhar para o meu amigo me agradava... Fazia-me sentir um calor por dentro. Aliás, o que sobre ele não fazia?
Fiquei perdida em pensamentos tempo o suficiente para não perceber que ele tinha acordado e olhava para o meu rosto. Tampei a respiração imperceptivelmente, ficando ruborizada.
- Bom dia – ele disse um pouco rouco e dando um sorriso maroto. Involuntariamente sorri também.
Starfire Holiday, 13 de novembro, a caminho do aeroporto. Quatro e trinta da tarde.
"- Ouch! – disse, segurando meu dedo cortado. Eu e o Justin estávamos tentando partir legumes para algum prato que o pai dele faria na cozinha do restaurante.
Claro que nenhum freguês comeria aquela refeição. Era feriado e fazíamos aquilo para nós mesmos. O pai dele deveria estar trazendo mais ingredientes.
-Mad! – veio correndo ao meu encontro. Devíamos ter uns onze anos – Deixe-me ver.
- Não. Está doendo – deixei uma lágrima brotar.
- Deixe-me ver – segurou meu pulso de leve e não tive como não deixar. Meu dedo sangrava – Como você é desastrada.
- Vai ficar me xingando, é?
- Não – sorriu – Claro que não.
- Desse jeito, nunca vou ser uma boa dona de casa – aí meus olhos encheram de lágrimas de vez. Sempre que tinha pensamentos que indicavam que eu não era boa o bastante para alguma coisa, me sentia vazia e magoada.
- Shiu... Calma – passou a mão no meu rosto – Talvez você não precise. Talvez seu marido saiba cozinhar.
- Onde é que eu vou arrumar um homem que saiba cozinhar,Justin? – tinha me dado as costas e estava procurando alguma coisa no armário. Provavelmente um curativo.
- Ei! – falou indignado, se virando para mim e trazendo um band-aid – Sei cozinhar...
- Haha. Mas você aceitaria se casar comigo?
- Se você pedir com jeito... – brincou, colocando o band-aid suavemente no meu dedo.
- Você aceita se casar comigo,Justin? – disse de brincadeira, mas desejando que fosse verdade.
- Aceito.
- Sério?
- Sério – deu de ombros.
- Promete?
- Prometo – ele riu."
- Madson – ouvi o Justin me chamar – Madson!
- Hm? – perguntei ainda sonolenta.
- Onde devo parar o carro?
Foi tudo um sonho. Suspirei decepcionada.
O clima estava mais fresco, nos fazendo usar casacos mais pesados. Era quinta-feira e estávamos estacionando na porta do aeroporto para buscar minha tia-avó Rosie (uma senhora simpática de oitenta anos que tem menos da metade da visão e da audição). Ela tinha vindo para passar o natal comigo e minha família. O Justin, gentilmente, se ofereceu para buscá-la no aeroporto.
Depois daquele dia na boate, as coisas voltaram ao normal entre a gente. Não quis falar sobre o ocorrido e ele pareceu respeitar. Tudo voltou ao normal... Ou quase.
- Você não precisava ter feito isso. Sabe disso – suspirei.
- Ter feito isso o quê?
- Ter vindo buscar a minha tia-avó.
- Mas estou fazendo isso por três motivos – estacionou o carro perto da porta do aeroporto e tirou o cinto, olhando para mim e mostrando "três" com os dedos.
- Quais?
- O primeiro: tinha nada para fazer – sorri, lhe dando um tapa no ombro.
- Como você é sensível! – disse irônica.
- O segundo... - ele riu do tapa que recebeu - Pensei que, já que vamos nos casar, tenho que conquistar a família – gargalhei de sua cara inocente.
- E o terceiro?
- Gosto de estar com você – disse sincero.
Deixei transparecer um sorriso.
- Sou muito mais o terceiro motivo do que o primeiro – dei de ombros, tirando o cinto e abrindo a minha porta.
- Eu também.
Caminhamos lado a lado em silêncio, procurando uma senhorinha encarquilhada, de óculos fundo de garrafa e cara de quem estava perdida.
Achamos a mulher pedindo informação para uma moça .
- Tia Rosie! – eu disse gentil, segurando o seu ombro para que ela se virasse para mim.
- Você é...? – ela perguntou, franzindo o nariz e me olhando dos pés à cabeça.
Justin segurou uma risada.
- Sou eu; Madson.
- Mad, como você cresceu! – abraçou-me apertado.
- A senhora também, er... Amadureceu – retribuí carinhosamente
- E esse é quem? – olhou para o garoto ao meu lado.
- Justin Bieber, senhora. Muito prazer – estendeu a mão, mas ela não retribuiu (provavelmente não tinha enxergado).
- O Jorten é seu namorado, Mad?
- Não, tia. O Jorten... – ressaltei "Jorten", fazendo-o segurar uma gargalhada –... É meu melhor amigo.
- Seu tio-avô também era meu melhor amigo – fez uma observação que nos deixou um pouco sem jeito – Que Deus o tenha.
- Deixe que eu leve as malas para a senhora – Justin disse prestativo, segurando as duas bagagens grandes.
Soho, meu quarto, 13 de novembro. Sete e dez da noite.
- Ela deve ser muito triste – Justin disse, depois de um momento de silêncio. Estávamos no meu quarto e tínhamos acabado de ver qualquer programa na Warner.
- Ela quem? – perguntei curiosa, comendo uma batata Pringle's. Estávamos sentados com as pernas ao longo da minha cama, as costas no encosto e a televisão ligada.
- A tia Rosie.
- Por que acha isso? – juntei as sobrancelhas.
- Você não concorda que o momento em que mais precisamos de alguém é na nossa velhice? – dizia, como se tivesse refletido antes de dizer isso.
- Na nossa infância também.
- É justamente porque precisamos das pessoas na infância que precisamos delas na velhice – fez algo com a mão, como se estivesse girando um bigode. Garoto sabido. Ah, sim.
- 'Ta – disse rendida – Não entendi, filósofo Justin. Explique-se – sorriu, continuando a fala.
- Quando envelhecemos, de certa forma, voltamos à infância – olhou para cima e depois continuou a falar – Tornamo-nos dependentes, assim como éramos quando crianças, carentes de companhia... A tia Rosie tem ninguém.
- O marido dela morreu há uns dez anos.
- Sinto dó dela por causa disso - fixou o vazio durante alguns segundos, abrindo a boca novamente e falando em seguida - O amor foi feito para que as pessoas se apoiassem e estivessem juntas, principalmente na velhice melhor para se apoiar do que a pessoa amada – meu coração bateu um pouco diferente depois de ele terminar essa frase. Não deixei transparecer. A verdade é que eu estava gostando das palavras do Justin... E muito.
- O amor foi feito para os idosos – concluí.
- Para os jovens também – Justin disse, virando seu rosto para mim e fazendo com que nossos olhares se encontrassem.
Seus olhos me prendiam de uma forma anormal. Minhas bochechas esquentaram devagar.
- Acho que sim... – olhei para baixo, sem graça.
- A propósito, já vou avisando que meu pai vai morar com a gente quando nos casarmos – colocou os dois braços atrás da cabeça, sorrindo largamente.
- Pode deixar, capitão – sorri também.
- Não. É sério – fechou o sorriso – Ele já está ficando velho e perdeu minha mãe há anos. Vai ter ninguém que o ame e cuide da sua "gagazeira".
- "Gagazeira"? – dei uma gargalhada.
- Encontre uma palavra melhor e lhe dou um prêmio – voltou a sorrir – Quero meu pai perto de mim. É a única pessoa da qual eu cuidaria todos os dias sem perder a paciência – ficou calado um momento e depois me olhou de rabo de olho – Está bom. Talvez não só ele.

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