- Madson! – ouvi uma voz feminina sussurrar atrás de mim no meio da aula maçante de Geografia – Madson!
- Que foi, Emma? – virei-me para ela.
- O que você acha que dou para o Justin? – perguntou com os olhos brilhando.
- O que acho que você dá para o Justin quando? – semicerrei os olhos, confusa.
- Não me diga que não sabe.
- Não me diga que não sei o quê?
- Ela deve estar brincando – Lively entrou.
- Devo estar brincando com o quê? – eu já estava perdendo a paciência.
- Todas as meninas da escola esperam esse dia para provar o amor delas por ele. – Lively disse sabichona.
- Esse dia...? – concentrei-me um pouco.
Era dia vinte e seis de novembro. Certo? Vinte e sete... Não. Nada. Vinte e oito... Não que eu me lembre. Vinte e nove... Not. Trinta... Ah, claro! Como eu poderia ter me esquecido do aniversário do Justin? E eu ainda tinha comprado nada. Droga. [n/t: Eu sei que o aniversário do Justin é dia 1 de março, mas eu decidi não alterar a data que existe na fic , por que ia fic sem sentido...]
- Não que eu seja desse tipo de menina... – Emma se defendeu – Mas já que temos um contato melhor... Quer dizer, acho até que podemos nos chamar de amigos... É normal eu dar um presente para ele. Não é? – batia a caneta no queixo.
- Claro que sim, Emma – Lively respondeu irônica.
- E você, Liv? – Emma perguntou – Vai dar nada para ele?
- Eu não. Meu gato pode interpretar errado – ela disse, dando um sorriso safado, provavelmente se lembrando de Chris.
- Ele chegou em você? – perguntei curiosa.
- Ah, minha filha – Lively sorria boba – Isso já faz umas duas semanas.
- Foi mais ou menos na mesma época em que o Andrew deu um anel para aquela nossa amiga ali. Olhe – Emma apontou para Cassie, toda avoada e com o anel no dedo.
Dei risada.
- Pelo menos duas de nós se deram bem – balancei os ombros.
- Serei a terceira – Emma piscou um olho – Aguarde-me –Lively e eu gargalhamos, fazendo o professor (enfim) se irritar e mandar que ficássemos quietas.
Houston Mall, 27 de novembro. Quatro e dezessete da tarde.
- Aqui devemos achar alguma coisa – disse Emma animada, entrando numa loja masculina a qual nem olhei o nome.
- O aniversário do Andrew também é por esses dias – Cassie se lembrou.
- Você gostou mesmo desse anel. Não foi? – olhei umas blusas verde-musgo, que por sinal, tinham nada a ver com o que por que tinham contraste com os seus olhos...
- É como se eu sentisse que ele é meu... No sentido da expressão – sorriu – Meu.
- Que fofura, gente. Imagine meu lindo me dando um desses – foi a hora da Lively viajar.
- Achei! – Emma disse, trazendo uma blusa azul-turquesa – Perfeita. O Justin tem tudo a ver com essa.
- E o que você vai dar para ele, Mad? – Cassie perguntou.
- Ainda não sei... Mas acho que não vou achar nessa loja.
- Vamos andar por aí – Lively sugeriu – Talvez encontre alguma coisa.
Resumo da ópera: andamos por alguns minutos, realmente procurando por um presente para ele. Depois, fomos distraídas pela loja da Victoria's Secret e acabou-se presente.
Manhattan's Outlet Premium, 29 de novembro. Sete e quarenta da noite.
"Vai fazer alguma coisa amanhã à noite?
Justin"
Justin"
Li o recado no meu celular, dando um suspiro. Tinha rodado todos os shoppings e outlets da cidade, à procura de algo que fosse a cara dele, que ele quisesse ou simplesmente precisasse, e achei nada.
"Por quê?"
Respondi, vagando pelo outlet feito uma barata tonta. Onde procurar?
"Jantar no Bieber & Bieber's às sete?"
Bieber & Bieber's era o restaurante do pai dele.
Sorri de leve.
"Fechado."
Sei que ele tinha sorrido. Por dentro eu estava louca atrás de alguma coisa.
Soho, minha casa, 29 (agora 30) de novembro. Meia-noite e meia.
Até que enfim. Depois de tanto pensar em um maldito presente, acho que cheguei a uma conclusão. Sim, sou brilhante. É nada que custe algum dinheiro, mas... Acho que ele vai gostar. Afinal, ele ama brincadeiras. Certo?
Bieber &Bieber's, 30 de novembro. Oito e cinqüenta da noite.
- ... Aí ele disse: "papai, quem pisou na banana não foi eu. Foi minha meia!" – senhor Bieber disse, fazendo todos gargalharem.
A gargalhada do Chaz era a mais fácil de ser ouvida. Alta e inconfundível.
- Está bom, está bom – Justin disse um pouco sem graça – A cota de histórias da minha infância já estourou. Não acha?
- Não – todos respondemos em coro e depois caímos na risada.
Todos lê-se: eu, Chaz, senhor Bieber, Emma, Lively , Ryan, Cassie,Andrew e Christian. Cada um usava um conezinho colorido (mais conhecido como "chapeuzinho de aniversário") na cabeça. Estava até bem engraçado.
O restaurante tinha fechado para que fosse uma coisa mais entre amigos. A comida do senhor Bieber estava divina (como sempre).
O restaurante tinha fechado para que fosse uma coisa mais entre amigos. A comida do senhor Bieber estava divina (como sempre).
- O Justin mordia o cachorro da senhora Palmer no Canadá – voltamos a rir depois da fala do senhor Bieber.
- A culpa não é minha – fez bico, fofo – O cachorro me irritava.
- Falando na infância desse sangue bom aqui... – Chaz começou a falar. Estava sentado ao lado do Justin (de frente para mim) e de frente para Emma – Achei uma coisa muito interessante no seu quarto. – olhou-o com um sorriso atrevido estampado.
- Quem lhe deu permissão mesmo para fuçar o meu quarto? - levantou uma sobrancelha.
- Qual é? –fez barulho de deboche – Leve na brincadeira.
Levantou-se, tirando do bolso da calça jeans um envelope. Justin pareceu engolir a seco.
- Uma para cada um, hein? – Chaz disse, dando risada e tirando uma foto, para cada um sentado na mesa, daquele envelope – Esse é para você, doçura. – entregou para Emma, que agradeceu com um sorriso. Em seguida, ele entregou uma para Cassie e outra para Andrew e Ryan. Justin olhava com as sobrancelhas levantadas.
- Ai, mas que fofura, Justin! – Emma disse, virando para todos uma foto do Justin bebê mordendo o próprio pé.
Ele usava uma roupinha branca e azul. Tinha as bochechinhas rosadas e parecia uma rosquinha de tão gordo e fofo.
Dei um sorriso bobo.
Dei um sorriso bobo.
- Ei! – disse contrariado – Como você achou isso?
- Segredinho – Chaz disse, entregando agora para Liv e Chris, que faziam cara de quem se estava derretendo com a foto tanto quanto Cassie, Andrew e Ryan.
- Olhe essa – disse Cassie, mostrando uma foto dele de boné com uns dois anos.
- Para você, Mad... – Chaz disse, estendendo uma foto para mim. Estiquei minha mão em direção a ela com interesse – Isso... Para você, uma foto do Justin peladinho tomando banho.
- O quê?! – Justin gritou com irritação e vergonha ao mesmo tempo, tirando a foto das minhas mãos antes que eu a visse.
Novamente todos riram. O que me dava até um pouco de dó dele. A graça da festa era às suas custas.
- Uma foto? – o Chaz disse, já programando a câmera no balcão à nossa frente.
- Como eu poderia negar? Você já programou a câmera! – Justin girou os olhos.
- Só cale a boca e sorri – Chaz disse, correndo de volta para a mesa em que todos estavam já de pé e próximos uns aos outros e fazendo hang loose com as duas mãos. Justin estava ao meu lado. Do seu outro lado, o senhor Bieber. Resolvi encostar minha cabeça ao seu ombro e sorrir na hora do flash. Desejei que aquele momento, como aquela imagem, durasse para sempre.
Bieber &Bieber's, 30 de novembro. Lá pelas dez e vinte.
- Você não precisava ficar – Justin disse, lavando alguns pratos.
- Eu insisto – respondi – Além do mais, vocês três não poderiam arrumar isso aqui sozinhos – peguei outro talher para que eu lavasse na pia ao lado.
- Quem disse que eu ia arrumar alguma coisa? – Chaz brincou – Só estou aqui é pelo papo.
- E acho que a Mad só está aqui pela carona – senhor Bieber gargalhou acolhedoramente.
- Pode ser também – balancei os ombros – Quem sabe... – senhor Bieber deu uma risada, enquanto o Justin me tacava um pouco de espuma.
Revidei.
- Ei, guerra de espuma na minha cozinha não, hein? – ele alterou o tom de voz, aproximando-se de nós dois que ríamos – Melhor vocês irem lá para fora e deixarem que eu e o Chaz arrumemos isso aqui.
- Como assim eu e o... – Chaz começava a falar.
- Primeiro porque é aniversário do Justin e ele não deve lavar pratos – Justin sorriu satisfeito – Segundo porque a Madson é uma princesa e igualmente não deve lavar pratos – Jeremy sorriu para mim, me fazendo sorrir também em agradecimento.
- Detesto concordar – o rapaz revirou os olhos, descendo do balcão no qual estava sentado e indo em direção à pia, enquanto eu e o Justin limpávamos nossas mãos numa toalha ali perto e saíamos para uma varandinha do restaurante.
A noite estava estrelada, apesar de bastante fresca. Eu usava um suéter cor de rosa por cima de uma blusa branca e calça jeans. Justin usava um casaco preto por cima de uma blusa vermelha.
- Sabe... – começou a falar, colocando as mãos dentro do bolso da calça – Esse foi o meu melhor aniversário depois de muito tempo.
- E a que se deve isso?
- Acho que, em todos os anos anteriores, fiquei muito preso ao fato de que minha mãe não estaria comemorando comigo – olhava o céu.
- E no que esse ano foi diferente?
- O vazio que ela deixou está sendo preenchido...
- Por quem? – juntei as sobrancelhas.
- Por todos – disse – Talvez apenas pela vida. Vá saber – voltei a olhá-lo, sorrindo.
- Ah!
- Que foi? – olhou para mim confuso.
- Esqueci-me de lhe entregar o seu presente - enfiei a mão no bolso direito, remexendo até achar o que eu procurava – Pronto! - puxei três papéis e lhe entreguei.
- Mas o que...? – disse, abrindo a mão e encarando os papéis amassados. Pegou um e resolveu ler o que estava escrito – Vale-silêncio – olhou-me com uma sobrancelha levantada – Que diabos é isso?
- Sei que irrito você algumas vezes com o tanto que falo e algumas vezes também quando falo besteira... – olhei para baixo – Esses vales-silêncio servem para você usar quando quiser que eu cale a boca. Juro que calo sem pensar duas vezes – ele gargalhou, dando um passo na minha direção.
- É isso o que você pensa, Madson? – fazia cara de quem estava realmente se divertindo – Que me irrita o tanto que você fala?
- E não é?
- Não – deu mais um passo na minha direção, nos deixando tão próximos a ponto de eu poder sentir a sua respiração em meu rosto encarando seu peito largo, enquanto respirava com mais dificuldade – Adoro o quanto você fala. E esse, sem dúvidas, foi o presente mais criativo que recebi hoje.
- Tem certeza? Porque a Emma lhe deu uma camisa azul linda de marca; o Chaz lhe deu um CD ; Andrew e Cassie lhe deram um porta-retratos... – disparei. Mal respirava para falar, enquanto listava todos os motivos para que o meu presente não fosse o mais criativo, apesar de eu desejar que fosse – Liv e o Ryan lhe deram outra camisa mostarda; e seu pai... – parei de falar assim que o vi levantar um dos meus vales-silêncio enquanto sorria.
Engoli minha fala pouco antes de perceber seu rosto se aproximando rapidamente e seus lábios se chocando contra os meus de uma forma gentil. Quentes e macios... Como eu me lembrava.
Separou nossos rostos com um sorriso discreto.
- Sem dúvidas, o melhor – expirou.
- Você... – comecei a falar ainda confusa – Você é muito folgado – juntei as sobrancelhas, franzindo o nariz e tentando fazer a cara de "Madson com raiva".
- Em relação a você... - alargou o sorriso – Sou sim.
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