segunda-feira, 12 de agosto de 2013

12° capitulo-christmas coming


Manhattan's High School, 2 de dezembro. Nove e trinta e sete da manhã. Aula de biologia (ou seja, única aula que tenho junto com o Justin).
- Trabalho final de biologia?! – perguntou boquiaberto e até com um pouco de revolta – Qual é!
- Valendo um terço da nota, senhor Bieber – o professor respondeu, desviando vagamente os olhos do livro.
Dei um suspiro, olhando para o garoto revoltado à minha frente.
- Não entendi qual é o problema, Justin – Cassie disse, virando-se de lado (para ele). O menino estava na minha frente. Ao meu lado, estava o Andrew – Você sempre fez tudo sem reclamar...
- Mas dessa vez é diferente – protestou – Estou tendo que trabalhar horrores para pagar o concerto do meu carro...
- O Starfire estragou? – deixei o queixo cair.
Ele se virou pra mim.
- Meu bebê quase morreu – fez um bico forçado, arrancando a minha risada.
- Pobre bebê – acariciei seus cabelos, entrando na brincadeira.
- Ouviu, Cassie? – Andrew perguntou para ela, referindo-se a algo dito pelo professor – Pode escolher a dupla.
- Madson – Justin disse, virando-se para frente, como se estivesse só avisando.
Revirei os olhos.
- Difícil vai ser escolher o tema... – suspirei.
- Eu e a Cassie já escolhemos – Andrew beijou a bochecha da namorada.
- Andrew... – Justin disse, olhando para ele com um olhar insinuante – Só lembrando que o trabalho é escrito, ok? – dei uma risada, enquanto Andrew mostrava a língua e Cassie corava.
- Na sua casa amanhã – sussurrei para o meu amigo – Quero acabar esse texto logo de uma vez.
- Por que na minha?
- Porque a tia Rosie não vai dar sossego, contando sobre suas aventuras da juventude.
- Qual é o problema com isso? Eu adoraria ouvir...
- O problema é que ela conta a mesma história dez vezes – apertei os lábios – Vai me desconcentrar.
- Como você quiser – deu de ombros.
Harlem, casa do Justin, 3 de dezembro. Sete e vinte da noite.
- Ai, chega de biologia por hoje – caí deitada no tapete da sala.
- Concordo com você. Vinte e oito linhas são o bastante – juntou os olhos em direção ao nariz, com cara de "fiquei louco".
Dei risada.
- Sabia que em um beijo... – comecei a falar, atraindo sua atenção – O garoto libera testosterona e passa pra menina pela saliva?
- Nossa, Mad – Justin revirou os olhos – Cortou o barato do beijo. Onde você leu isso?
- Em uma das revistas inúteis da minha cabeceira – olhei o teto.
- Claro... Como não suspeitei?!
- Hm... Você não suspeita de muitas coisas – disse presunçosa.
- Muitas coisas tipo o quê?
- Se eu falasse... – ainda olhava para cima – Não seria mais uma suspeita.
- Agora comecei a suspeitar de muitas coisas. Parabéns – respondeu sarcástico.
Sentei-me novamente, divertindo-me.
Estávamos sentados em frente à mesinha de vidro, onde estavam nossos cadernos, livros e o texto.
- Está bom. Diga-me do que suspeita – não fazia ideia do que o Justin suspeitava ou não.
Acho que eu só queria brincar com ele.
- Minha primeira suspeita? – fiz que "sim" com a cabeça. Ele reprimiu um sorriso – Você tem seis dedos no pé? – gargalhei.
- Claro que não! – ainda ria – Quantas suspeitas são?
- Depois dessa? Quatro – sorriu.
- Diga.
- A segunda: você tem um namorado secreto? – senti uma leve desconfiança dele nessa pergunta, mas segurei o meu sorriso.
- Óbvio que não – rolei os olhos.
Alargou o sorriso.
- Você... Acoberta um fugitivo?
- "Nope".
- Tem uma irmã gêmea malvada?
- Também não – ri.
- Você, hm... – olhou para baixo, como se procurasse palavras para a última suspeita.
- 'Ta. Qual é a última? – perguntei, abraçando minhas pernas e sorrindo, ansiosa com sua próxima fala.
- A última pode parecer mais estúpida do que as anteriores... – olhou-me devagar.
- Nada é mais estúpido do que eu ter uma irmã gêmea do mal ou acobertar um fugitivo.
- A última suspeita é de que... – suspirou – Você está apaixonada por mim desde a primeira vez que nos beijamos... – meu coração acelerou, fazendo com que o sangue chegasse ao meu rosto a mil.
- Claro que não! – eu disse meio alto e esganiçado, ficando de pé.
- Eu disse que era absurda. Só não precisava ter essa reação.
- Vamos lá para fora? – abanei-me, apesar de estar frio.
- Para quê?
- Preciso de ar, quero andar... Sei lá!
Vagando por alguma parte do Harlem, 3 de dezembro. Sete e quarenta... Por aí.
Eu estava me equilibrando num murinho da praça, enquanto andava lado a lado com o Justin, apesar de termos falado nada depois daquela dedução ridícula. Talvez nem tão ridícula assim, mas ele não precisava saber.
- Vai ficar calada o tempo todo? – perguntou com as mãos dentro do bolso do casaco.
- Não sei.
- Isso já é uma ótima resposta – sorriu.
- Está bom – suspirei derrotada – Detesto ficar de mal de você.
- Sabia que você não ia resistir – falou presunçoso e rolei os olhos.
- A Megan vem para cá... Nas férias – lembrei-me de qualquer coisa, só para puxar assunto.
- Megan sarnenta? – perguntou, enrugando o rosto. A última vez que eles tinham se visto, aos treze anos, o Justin tinha a apelidado de sarnenta por causa das manchas vermelhas que ela tinha na pele.
- A Megan não é mais sarnenta. Ok? Você vai se surpreender quando a vir...
- Será? – estava descrente.
- Para sua informação, ela está linda – mostrei língua, ainda me equilibrando no murinho – Muito mais linda do que eu. Com certeza.
- Não que isso seja uma coisa muito difícil... – brincou, recebendo um tapa na cabeça e dando uma gargalhada - Duvido muito que ela tenha ficado mais bonita que você – agora disse sério.
- Acho que isso foi um elogio – sorri.
- Foi – estufou o peito. Depois, olhou para onde eu estava pisando no murinho e arregalou os olhos. Com certeza coisa boa não era. Minhas pernas até estremeceram – Mad...
- O quê? – perguntei quase histérica, tentando não olhar para baixo.
- Uma lagartixa no seu pé – ouvi só metade da frase antes de estremecer por completo e me atirar em seu pescoço, soltando um gemido agudo.
- Justin! Cadê ela? TIRE! TIRE! – eu tinha horror a lagartixas... Não. Horror é pouco. Eu tinha pânico! – TIRE!
- Ah... – disse calmo, acariciando meus cabelos – Era só uma folha – engoli o choro, sendo tomada por uma sensação de raiva.
- Como você confunde uma folha com Lúcifer? – olhei-o com ódio. Ele ainda acariciava meus cabelos, apesar de que depois da minha fala ele começou a dar risadas altas.
- Acho que confundi de propósito – disse simplesmente.
- Por quê? – fiz mais cara de raiva ainda. Minhas pernas ainda estavam trêmulas e meu nariz devia estar vermelho com o susto.
- Porque eu sabia que você teria essa reação – sorriu, desvencilhando-se dos meus braços e continuando a andar com as mãos nos bolsos, apesar do sorriso no canto da boca.
Soho, minha casa, 13 de dezembro. Alguma hora da noite.
- "Jingle bell, jingle bell, jingle bell rock. Jingle bells swing and jingle bells ring…" – minha mãe cantarolava. Eu devia estar vestindo umas três blusas. O frio do inverno já tinha atingido Nova York.
Estava sentada em frente à televisão, assistindo a alguns videoclipes na MTV, quando a música que a minha mãe cantava me lembrou da existência de uma comemoração peculiar chamada natal.
- O natal está chegando... – tia Rosie disse, olhando distraída para a janela, fazendo-me notar a sua presença no outro sofá.
- Está... – distraí-me, olhando na mesma direção que ela.
- Madson – mamãe cantarolou animada, sentando-se ao meu lado.
- Oi? – tentei cantarolar também, mas acabou saindo desafinado.
- Por que não chama seus amigos para passar o Natal na pousada da sua tia Joanne? – sorriu.
Tia Joanne era nada divertida.
- Hm... Por que ela vai estar lá?! – sugeri.
- Sua tia Joanne pretende passar esse inverno num lugar mais quente que Nova York, então está viajando para o sul semana que vem.
- O que deixa a pousada só para a gente? – sorri com empolgação.
- Mas é claro... – minha mãe dizia serena – Que não – fechei o sorriso - Dois funcionários vão permanecer no estabelecimento para atender vocês... Caso vocês precisem, é claro.
- Yes! – pulei do sofá, já com a mão no telefone – Vou ligar para o Justin agora.
- Mad... – disse um pouco com cara de preocupação.
- O que foi?
- Os meninos e as meninas não vão ficar no mesmo quarto, independentemente do que eles digam, e tenho como me certificar de que isso não aconteça – séria.
- A senhora manda! – digitei rapidamente as teclas que por mim já tinham sido decoradas.
- Só mais uma coisa... – falou, enquanto eu ouvia o telefone chamar.
- O quê?
- Sua prima Megan chega daqui uma semana... Incomodaria muito se ela fosse também?
- Claro que não. Eu adoraria que ela fosse – alarguei o sorriso, enquanto eu ouvia o "alô" do senhor Bieber do outro lado da linha.
Manhattan's High School, 19 de dezembro. Três e dez da tarde.
- GRAÇAS A DEUS! – Justin chegou ao meu lado com o boletim – Nenhuma recuperação final!
- O mesmo digo eu – suspirei aliviada, olhando para ele, enquanto continuávamos andando em direção ao portão da saída.
- Você estava pendurada em quê? – tomou o papel da minha mão, dando uma olhada – Matemática e física?
- Odeio números – dei de ombros – E você?
- Tem certeza que quer que eu fale? – levantou uma sobrancelha – Vai ser maior que a lista de natal do Fredinho – gargalhei.
- Quem é Fredinho?
- Alfredo, Filho da senhora Stevens.
- Então, pessoal! – Lively chegava ao nosso lado de mãos dadas com Chris. Todos bem agasalhados graças ao frio – Prontos para um natal na pousada da tia Joanne?
- Prontíssimo – Justin respondeu animado.
- Prontíssimo – Chris sorriu insinuante para Lively.
- Na verdade... – disse reticente – Meninas e meninos vão dormir em quartos separados – Chris fechou o rosto, como se eu tivesse estragado a graça – Vão ter dois funcionários na casa para se certificar disso.
- Férias! – Emma disse alto, chegando por trás de nós – Até que enfim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentem pra eu ficar feliz? <3